Merchandising to BATS IN THE BELFRY e do DOG MENDONÇA!

Maio 22, 2013

O João Alves e o Filipe Melo estão a vander merchandising relativo aos seus projectos. Em http://www.zazzle.com/vesperstore podemos encontrar posters do DOG MENDONÇA E PIZZABOY, t-shirts do BATS IN THE BELFRY, gravatas, capas para iPhone e muitas outras coisas. É excelente saber que em Portugal existe gente com visão e vontade de desenvolver projectos de qualidade que vão ao encontro do mercado e do público.

O dinheiro arrecadado vai para novos projectos… e mais nada! :-)

Cá ficam algumas imagens:

bats shirtpizzaboy cap

O primeiro realizador da Bad Behavior: João Alves.

Maio 8, 2013

Conhecemos o João Alves na altura do BATS IN THE BELFRY, filme que venceu o prémio de melhor curta no MOTELx. A primeira coisa que nos chamou a atenção foi o empenho que o João põe em tudo aquilo que faz. A segunda foi o pragmatismo com o qual ele olha o cinema e não só. Na medida em que a montagem financeira dos nossos projectos avança, o João passou rapidamente para o topo da nossa lista de realizadores com quem queremos mesmo trabalhar. Neste sentido, acreditamos que parte do futuro do cinema português passa pelo João Alves.

Cá na BAD BEHAVIOR, adoramos os realizadores. Acreditamos fortemente no carácter único que cada realizador traz para os nossos projectos. E mais: queremos ajudar de forma decisiva os realizadores a construírem as suas carreiras. Passo a passo, numa relação de longa duração.

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João por que motivo o mundo perdeu um biólogo e ganhou um realizador?

O objectivo sempre foi cinema, mas na altura de escolher agrupamento e depois Universidade, tinha sempre aquele fantasma de “não se vive da arte” e então fui para a segunda paixão a ciência. Idealisticamente, tentar resolver os problemas do mundo. Depois percebi que não era bem o que achava que ia ser e comecei ainda durante o curso a aprender animação e a focar-me cada vez mais em aprender cinema com os extras de DVDs e tudo o resto a que conseguia deitar as mãos. Quando acabei o curso a decisão já estava tomada há muito tempo, que o futuro seria ligado ao cinema e não à ciência. Mas fica sempre aquela atitude inquisitiva de cientista.

E como foi que chegaste ao BATS IN THE BELFRY?

A ideia era fazer um piloto para uma série de desenhos animados para adultos, com terror e nudez, não por obrigação, mas se os guiões assim o pedissem sabia que teria essa liberdade. Comecei a pensar sobre que género de filmes gostava e já não via há muito tempo. A resposta foram os Westerns. Também nunca tinha visto um filme de terror no velho oeste por isso pareceu-me a escolha ideal. O meu monstro favorito é o vampiro por isso a escolha dos vilões foi fácil. Depois foi criar um anti-herói, tentar capturar aquela atitude de herói que não o é por escolha, mas justamente por falta dela.

Como foi o processo? Primeiro escreveste o guião ou foste escrevendo na medida em que ias fazendo a animação?

Quando surgiu a ideia em 2006 fiz um storyboard com os diálogos a serem anotações de rodapé nos vários quadros. Depois em 2010 quando decidi refazer o que era um episódio piloto para ser uma curta-metragem, olhei para esse storyboard e refiz 90%. Nunca houve guião, o storyboard foi o guia durante a produção toda, seguido à risca. Na fase final de edição percebi que tinha de acrescentar dois planos por causa do ritmo e depois do primeiro visionamento de teste estiquei uma cena para clarificar. Ajuda muito ter alguém de fora a ver o filme pela primeira vez e dizer-nos o que percebe e o que não ficou claro.

E quem foram estas pessoas de fora?

Foram os meus colegas e chefes do trabalho. Fiz um visionamento só para eles e no final todos tinham a mesma pergunta “como é que a dinamite foi ali parar”, passei o fim-de-semana seguinte a fazer storyboard e animar a sequência de luta que dá resposta a essa pergunta.

A vontade de concorrer ao prémio no MOTELx apareceu quando?

Na edição de 2009 do MOTELx. Nunca tinha ido a um festival de cinema focado num género e a atmosfera era incrível. Em todas as sessões a sala em peso ri das piadas, fica silenciosa na tensão e quando o vilão finalmente é morto pelo herói há palmas e assobios. As pessoas vivem o cinema. Toda a gente está naquelas salas porque gosta de terror ou porque alguém que gosta de terror os levou lá. O BATS IN THE BELFRY foi feito para esse público.

O que foi que aprendeste mais com o filme?

Aprendi que vale a pena ir atrás dos sonhos. Sei que soa a chavão romântico, mas é completamente verdade. Eu só queria ter algo feito por mim num écran de cinema, numa sala a sério, e trabalhei para isso. Três anos depois o filme continua a ser exibido em Portugal, Brasil e Inglaterra, foi comprado por um canal americano e agora até merchandising tem. Se acreditamos numa ideia, temos de trabalhar para a concretizar, mostrá-la a toda a gente (ninguém nos vem bater à porta a perguntar o que temos andado a fazer) e esperar o melhor, mas estar sempre preparado para o pior.

E como surgiu a experiência de Austin?

A ida para Austin foi um concurso aberto pela ZON em parceria com a Universidade do Texas para estudantes universitários ou trabalhadores das empresas que foram finalistas nos Prémios ZON, eu fazia parte desta segunda categoria. Os meus chefes reencaminharam-me o e-mail da ZON e perguntaram se estaria interessado, aceitei a oferta imediatamente. Eles fizeram uma carta de recomendação enquanto eu preparei uma reel com um apanhado dos meus melhores trabalhos até a data e candidatei-me. Havia dez vagas. Eu fui um dos sortudos a ir para Austin dois meses com tudo pago, estudar animação e efeitos especiais na Universidade do Texas.

E quais as principais diferenças entre Austin e o universo de cá?

A atitude é completamente diferente. Nós estivemos lá em Junho e Julho, ou seja durante as férias de Verão, por isso em vez dos alunos normais de UT quem andava pelo campus era pessoal que não foi a casa nas férias, os alunos que iam entrar em Setembro e alunos das escolas primárias que estavam em Summer Camps. Eram dezenas de crianças que andavam pelos corredores com câmaras e perches às costas a fazer os seus próprios filmes. Tinham aulas teóricas e depois davam-lhes o material para as mãos e deixavam-nos andar por ali a filmar sem adultos por perto. Outros tinham aulas de como fazer jogos de computador, banda desenhada. Tudo áreas que cá são menosprezadas. Lá são incentivadas desde a infância. Ensinam-lhes, dão-lhes o material para as mãos e confiam neles não só para cuidarem das coisas como para no final da semana apresentarem um trabalho completo. Foi super inspirador ver a dedicação e empenho daqueles pequenos cineastas de um lado para o outro focados no que estavam a fazer, cada um com a sua função bem definida.

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Queres falar um pouco sobre os teus novos projectos?

Tenho dois projectos a avançarem paralelamente. O que é mais para breve é a minha estreia em imagem real, que vai ser um desafio que tem tanto de estimulante como de assustador. É a primeira curta da BAD BEHAVIOR, o que trás consigo ainda mais responsabilidade, mas também traz uma equipa jovem e dinâmica, com vontade de fazer filmes de terror inovadores e originais. É uma aposta do produtor que vai ser rodada este Verão em Lisboa, e vai ser um desafio espectacular. O outro projecto chama-se INHUMAN que é o próximo passo em relação ao BATS IN THE BELFRY. Também é animação de terror mas desta vez é ficção-cientifica. Tenho uma equipa, mas ainda vai demorar algum tempo. Estamos na fase de design conceptual e com o storyboard já muito avançado, mas a curta da BAD BEHAVIOR é uma excelente oportunidade de fazer algo diferente e em imagem real, por isso tem prioridade enquanto o INHUMAN vai demorar um pouco mais a concluir. Além disso estabeleci uma loja online para vender merchandising oficial das curtas-metragens. A loja Vesper já está activa em zazzle.com/vesperstore e tem coisas que normalmente só os blockbusters disponibilizam. É mais uma aposta para quebrar o mito de que as curtas não são viáveis comercialmente. Demasiado capitalista? (risos)

Nop. (risos)

Ok.

Quais as dificuldades em passar da animação para o live action?

A maior dificuldade é sem dúvida perder o controlo absoluto. Em animação, os cenários são desenhados de raiz, os personagens também, a forma como se movimentam e como interagem com o ambiente, a iluminação, absolutamente tudo é controlável desde o primeiro instante. Não é preciso respeitar as leis da física e (quase) nem temos limitações que não sejam a nossa imaginação e o guião. Em imagem real os objectos estão lá todos, os actores as paredes, as luzes, e ainda tem de haver espaço para a equipa. Temos de ter cuidado com reflexos para não aparecerem coisas que não devem, temos um monte de pessoas a trabalhar juntas que a cada momento têm de estar a dar o seu melhor para o trabalho final. Não há “undo”, não há o repetir renders com a câmara noutro sítio. Há menos margem para tentativa e erro durante a rodagem, o que torna a pré-produção ainda mais importante.

Que filmes exerceram maior influência sobre o teu trabalho?

Especificamente de terror THE THING, THE EVIL DEAD e ALIEN sem dúvida. Mas no geral sou mais ecléctico, com tendência para filmes dos anos 80/90 com efeitos especiais. ROBOCOP, TOTAL RECALL, TERMINATOR 2, JURASSIC PARK, ALIENS, THE GOOD, THE BAD AND THE UGLY, HOLLOW MAN, BEETLEJUICE, DIE HARD, NOTHING BUT TROUBLE, GREMLINS, BACK TO THE FUTURE, CHILD’S PLAY, STAR WARS e muitos outros. Sou do tempo das VHS, de ficar acordado até tarde a gravar um filme e depois revê-los durante semanas até saber falas de cor.

A BBC regressa aos zombies: IN THE FLESH.

Março 2, 2013

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A BBC Three volta a atacar com zombies. IN THE FLESH conta a história de Kieren Walker, um rapaz de 18 anos cheio de medo de regressar à aldeia após ter sido tratado. Kieren lamenta as coisas horríveis que fez quando era um zombie e não sabe como será tratado pelos familiares, amigos e restantes habitantes do bairro.

Após o sucesso de DEAD SET, a televisão britânica volta a apostar no terror. E como conhecemos bem os altos padrões de qualidade da BBC, é de esperar que IN THE FLESH não nos decepcione. Resta-nos esperar que algum canal de televisão português tenha tomates para comprar esta série.

Boas leituras.

Fevereiro 22, 2013

Quem deseja escrever, necessita de ler muito. Cá estão boas leituras para que curte o terror:

VOODOO TALES – THE GHOST STORIES OF HENRY S. WHITEHEAD – Henry S. Whitehead.

BEST IN HORROR VOL.23, editado por Stephen Jones.

REAL GHOST STORIES – Brad Steiger.

SYMPATHY FOR THE DEVIL: STORIES OF THE DEVIL, editado por Tim Pratt.

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Vejam esta curta: DEAR BEAUTIFUL.

Fevereiro 12, 2013

dear beatiful short poster2DEAR BEAUTIFUL (2007) de Roland Becerra é uma curta-metragem de animação muito bem feita cujos direitos foram adquiridos recentemente para a produção de uma longa-metragem.

Trata-se da história de um casal em crise, cuja mulher torna-se um zombie após cheirar umas flores misteriosas que aparecem um pouco por todo o lado. Brevemente o caos irá instalar-se. Há aqui uns laivos muito interessantes de filmes como THE CRAZIES (1973) e INVASION OF THE BODY SNATCHERS (1956).

Para ler: DAN O’BANNON’S GUIDE TO SCREENPLAY STRUCTURE.

Fevereiro 10, 2013

12-0403 Dan O'Bannon's GuideO nome Dan O’Bannon está longe de ser celebrado ao lado de outros como Alfred Hitchcock, John Carpenter, Wes Craven ou George A. Romero. No entanto, este argumentista e realizador falecido em 2009 possui uma carreira que é simultaneamente discreta e impressionante: DARK STAR (1974), ALIEN (1979), DEAD & BURIED (1981), HEAVY METAL (1981), DUNE (a versão de Alejandro Jodorowsky), THE RETURN OF THE LIVING DEAD (1985), LIFEFORCE (1985) e TOTAL RECALL (1990) entre outros créditos. Ao longo da vida, O’Bannon deixou pelo caminho inúmeros projectos não produzidos.

Em 2012 foi publicado nos Estados Unidos o livro DAN O’BANNON’S GUIDE TO SCREENPLAY STRUCTURE – INSIDE TIPS FROM THE WRITER OF ALIEN, TOTAL RECALL AND RETURN OF THE LIVING DEAD (publicação póstuma em co-autoria com o seu assistente Matt R. Lohr). E cá está um outro Dan O’Bannon que não conhecíamos: o professor.

Este livro possui dois trunfos. O primeiro está no facto do autor gastar imenso tempo a analisar as principais obras escritas até a data habitualmente citadas no campo do screenwriting: Aristóteles, Lajos Egri, Howard & Mabley, Syd Field, Robert McKee e até Henrik Ibsen!  O segundo está no facto do modelo proposto por O’Bannon ser assustadoramente simples e fácil de compreender.

“The general definition of conflict is “a protagonist’s struggle to attain a desired goal”; my definition of conflict is “a dispute over an issue”. (…) The traditional approach, in short, is thriving-based. Mine is fight-based.”

Leitura obrigatória. :-)

Cinco obras europeias sobre canibalismo.

Fevereiro 5, 2013

O cinema europeu nos anos de 1980 e 1981 deu-nos cinco obras fundamentais para o género. A proximidade nos temas e títulos frequentemente causa confusão nos espectadores que por vezes não fazem bem ideia de que filmes estamos a falar. Para piorar a situação, naquela época era comum o facto de os filmes mudarem radicalmente de título conforme a vontade do distribuidor, da oportunidade e da necessidade de distrair os censores. Estes produtores devem ter ganho quantias de dinheiro obscenas! (risos)

cannibals

1 – CANNIBAL APOCALYPSE (1980, Itália/Espanha) de Antonio Margheriti.

Norman Hopper (John Saxon, nome incontornável no cinema de terror) vive atormentado por pesadelos que o fazem regressar ao Vietnam. Seu amigo Charlie Bukowski (risos) acaba de ser libertado de um hospital psiquiátrico e começa a espalhar um vírus canibal que torna as pessoas em… canibais! Ao contrário dos outros filmes, este nada tem a ver com tribos canibais perdidas no meio da selva. Pelo contrário, aqui a acção tem lugar em Atlanta (mas provavelmente filmado do lado de cá do Atlântico), onde os canibais urbanos revelam ecos do George A. Romero de 1978 (DAWN OF THE DEAD). A construção das personagens também evoca filmes seminais da época como THE DEER HUNTER (1978) e APOCALYPSE NOW (1979). Os efeitos de caracterização são do genial Gianetto DeRossi (RAMBO III e HAUTE TENSION).

2 – CANNIBAL FEROX (1981, Itália) de Umberto Lenzi.

Gloria é uma estudante de antropologia que viaja até a Amazónia com o objectivo de provar que não existem práticas canibais na região. Deus, como ela estava errada! (risos) No mesmo local está uma dupla de criminosos americanos cruéis que, entre outras coisas horríveis, mata a filha de um chefe local. A vingança será IMPRESSIONANTE!

3 – CANNIBAL HOLOCAUST (1980, Itália) de Ruggero Deodato.

Este não é o primeiro filme de Ruggero Deodato sobre o tema. Mas é aquele que o lançou como mestre definitivo do género. Em tempos escrevemos um post sobre este autor italiano que utiliza habilmente um estilo documental de storytelling – antecipando quase em 20 anos aquilo que hoje é o Found Footage. Um antropólogo parte para a selva amazónica a procura de uma equipa de cinema documental desaparecida. Encontra latas de filme e algo mais :-) . O resto é História.

4 – CANNIBAL TERROR (1981, França/Espanha) de Alain Deruelle.

Esta é a história de um sequestro que termina deliciosamente mal. O setup inicial evolui para uma história de vingança muito bem contada. O problema é a enorme quantidade de imagens retiradas de outro filme (MONDO CANNIBALE de Jesús Franco) e uns índios canibais que mais parecem franceses (alguns com perucas de polyester – LOL!). No entanto, nas cenas que são suas, o filme não decepciona. Gore galore!

5 – MONDO CANNIBALE  (1980, Espanha/Itália/França) de Jesús Franco.

Família americana é atacada por canibais no Brasil. A esposa é devorada e a filha é sequestrada. Passados anos de tratamento psiquiátrico, o protagonista (o marido) consegue juntar uma entourage de gente rica com o objectivo de um safari amazónico. Como é desejável :-D , segue-se um massacre e a descoberta: a menina que fora sequestrada agora é adorada pelos canibais como uma deusa. Jesús Franco nunca decepciona.

O que estamos a ler: MY FRIEND DAHMER.

Janeiro 22, 2013

My-Friend-DahmerMY FRIEND DAHMER de Derf Backderf, publicado em 2012 pela Abrams ComicArts, é uma graphic novel fascinante e uma grande surpresa. A história gira em torno do próprio autor, num período entre 1976-79, quando Backderf e Jeffrey Dahmer eram colegas num Liceu do Ohio. Jeffrey Dahmer, para quem não se recorda, ficou célebre após ter sido preso em 1991 pelo  assassinato de 17 rapazes e homens.

Em cerca de 200 páginas Backderf oferece-nos um olhar sincero sobre a vida desastrosa do jovem Dahmer – a ausência de relações, os primeiros impulsos e tentativas de assassinato, as fantasias reprimidas e a solidão. E tudo isto sem o desculpar. O livro não apresenta uma história completa, mas sim um conjunto de episódios compilados de forma relativamente sequencial que constroem, peça por peça, o puzzle impossível da mente de um futuro assassino. De episódio em episódio, somos conduzidos pelo próprio Backderf que se baseia nas suas próprias memórias, nas recordações de amigos e familiares (o próprio pai de Dahmer escreveu um livro sobe o filho), e ainda nos depoimentos de Jeffrey Dahmer, já depois de preso.

my friend dahmer page

Ao longo dos inúmeros episódios (no fim do livro, o autor ainda oferece informação adicional sobre cada um deles) Backderf questiona-se constantemente sobre a impenetrabilidade da mente de Dahmer e a incapacidade de todos em perceber a dimensão que o monstro, pouco a pouco, estava a ganhar. Há ainda um certo sabor a culpa na medida em que o autor revela algum lamento por não se ter esforçado mais na tentativa de salvá-lo – sabendo ao mesmo tempo que tal seria impossível. O livro é ainda um retrato muito curioso de um Liceu no final dos anos 70: sem internet, computadores nem jogos de vídeo – uma vida totalmente diferente daquilo que temos hoje. É incrível como 1978 parece 1878 quando olhamos para o quanto as coisas mudaram em pouco mais de 30 anos. Outras coisas, pelo contrário, parecem iguais: onde é que andam os pais?

Jeffrey Dahmer morreu na prisão, em 1994.

Esta graphic novel teve os direitos adquiridos para cinema. É sempre bom ver grandes obras e grandes artistas a ganhar dinheiro. Backderf possui ainda um blog: MY FRIEND DAHMER – THE BLOG, onde podemos conversar com o autor.

The Art of the Horror Movie Poster – Part 8.

Outubro 21, 2012

Com estreia marcada para a Primavera de 2013, remake do clássico CARRIE (1976) de Brian De Palma, promete ser um dos filmes mais esperados do ano. É claro que será alvo de enorme controvérsia entre os fãs do género e os fãs do filme original (twice guilty here :-P ) . É claro que irá motivar páginas e páginas de comparações entre o filme de 1976 e o livro do Stephen King. É claro que será um sucesso.

Mas este post não é sobre o filme – sobre o qual ainda pouco se sabe – mas sim sobre os primeiros dois posters que recentemente foram divulgados. E note-se que estes posters (e o teaser que já se encontra online) lançados quase seis meses antes da estreia são o prenúncio de uma campanha promocional sensacional.

Os posters abaixo parecem idênticos… ou totalmente diferentes. LOL!

As duas diferenças essenciais entre ambas as versões são a quantidade e a cor do sangue na cara da actriz Chloë Grace Moretz. Na primeira versão, o sangue possui um tom achocolatado e é mais contido na quantidade. Na segunda versão, o tom é mesmo de sangue e mais abundante. Uma parte significativa das pessoas é capaz de passar por estes posters (que NUNCA são expostos lado a lado) sem sequer notar que as diferenças existem.

Estas diferenças existem porque os distribuidores norte-americanos são muito cuidadosos no tratamento com a imprensa. Os jornais, as revistas, blogs e websites não são todos iguais quanto às suas linhas editoriais. Muitas publicações não gostam de mostrar imagens demasiado violentas. É por esta razão que a estratégia promocional de certos filmes chega ao ponto de produzir imagens de acordo com cada padrão. O rosto ensanguentado de uma rapariga será certamente uma imagem demasiado forte para muitas publicações destinadas a adolescentes do sexo feminino (parte óbvia do público alvo deste filme). Daí o cuidado em produzir uma versão menos chocante.

Isto nos leva a uma questão interessante: sabemos que é sangue, mas é permissível desde que não pareça tanto. A questão não é nova. KILL BILL (2003) de Quentin Tarantino passou por um tratamento de Photoshop (risos) ainda mais radical. Alguns stills retirados do filme chegaram a possuir três versões: “sangue vermelho”, “sangue negro” e “sem sangue”.

Os posters do filme (e foram inúmeras as versões) também possuíam versões com e sem sangue conforme as necessidades (e note-se que nenhuma delas é realista quanto ao sangue – isto para um filme onde há imenso sangue).

Mas quem quiser ficar verdadeiramente espantado com o grau de cuidado que os americanos põem nestas coisas, deve ver o trailer do filme… e espantar-se com o facto de que TODAS as manchas de sangue passarem a NEGRO! Até parece que a Noiva ganhava a vida a fazer reparações em motores a diesel na Mercedes-Benz – LOL!!!

Não acreditam?

A adequação dos posters, trailers e stills ao público é algo que o cinema norte-americano leva muito a sério.

Zombies a reanimar os mortos!

Outubro 11, 2012

Os senhores da The Heart & Stroke Foundation of Canada tiveram uma ideia muito engraçada para sublinhar a importância de agirmos correctamente no caso de alguém sofrer uma paragem cardíaca. Novamente o cinema de terror como meio de comunicação com os jovens. :-)


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