A Cidade dos Livros.

Agosto 24, 2014

De visita à Portland, Oregon, estivemos na Powell’s Books, ou como é chamada, a Powell’s City of Books – aquela que é considerada a maior livraria independente de livros novos e usados do mundo. Trata-se de um lugar impressionante, com milhões de volumes todos para venda num espaço lindo de mais de 6000 metros quadrados.

Powell's City of Books

Uma olhada no mapa poupa tempo.

A primeira coisa que chamou a nossa atenção foi o facto de – ao contrário do que acontece nas livrarias de Lisboa – o espaço ser frequentado por muita gente. E de todas as idades. Aliás, a primeira impressão não foi a estarmos numa livraria, mas sim numa loja que vende conhecimento. Ou talvez melhor ainda: experiências criativas.

A “cidade” está dividida em salas e pisos cuidadosamente organizados, onde o cliente encontra-se facilmente cercado daquilo que lhe interessa. Poesia, romances, ciências, banda desenhada, livros raros, tudo lá está representado. Autores contemporâneos chineses? Sim. Softcore erotic pulp dos anos 60? Sim.

Cthulhu Avenue :-)

Cthulhu Avenue :-)

Mas o espaço possui três secções verdadeiramente imbatíveis que nos interessam particularmente: banda desenhada, horror e ficção científica. Basta ir até a Avenida Cthulhu (e corredores próximos) e fica-se prisioneiro de qualquer coisa imperdível. E como não podia deixar de ser, o staff é composto por gente que sabe o que está a vender. Basta olhar casualmente para qualquer prateleira e apanha-se logo um “staff’s pick” onde alguém explica o motivo pelo qual devemos arriscar uma obra ou outra. Na secção de banda desenhada, há uma parte inteiramente dedicada às obras banidas e censuradas, onde se explica onde a obra foi banida e o porquê. Fascinante!

A secção de livros de Cinema é outra jóia, com livros sobre todos os temas possíveis. Os preços? Bastante acessíveis se optarmos por versões usadas (que em quase nada diferem das versões novas). Incrível.

A secção de livros de cinema possui um corredor sem fim.

A secção de livros de cinema possui milhares de títulos.

A Powell’s é uma livraria inteiramente situada no século XXI, que percebeu que o seu negócio não é simplesmente “vender livros”. O seu negócio é vender-se a si própria como um lugar onde temos vontade de estar horas e horas a procura daquilo que queremos – até encontrarmos. :-) E mesmo que não estejamos a procura de algo, algo irá nos encontrar. :-) É impossível sair-se da loja de mãos vazias.

Temos muito a aprender em espaços como este.

O Evento que Mudou o Cinema de Terror Foi Há 45 Anos.

Agosto 8, 2014

Foi há precisamente 45 anos que a linda Sharon Tate, esposa de Roman Polanski, foi brutalmente assassinada na companhia de amigos, a mando de um tal Charles Manson. O crime que mais tarde se chamaria “The Tate-LaBianca Murders” foi um dos momentos mais marcantes da segunda metade do século XX, pois não poderia haver uma forma PIOR de fechar os anos 60, a “Era de Aquário”, o “Paz e Amor”, o “Summer of Love” e todas aquelas coisas que nos vêm à cabeça quando pensamos naquela década.

A relevância dos crimes possui várias dimensões – todas com impacto claro no cinema de terror que se passou a fazer a seguir. Mas por que motivo estes eventos foram tão decisivos? Este post tentará explicar alguns.

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É preciso perceber que os serial killers nunca foram uma coisa nova (e antes que os leitores mais conhecedores venham dizer que Charles Manson – ou os crimes em causa – têm pouco a ver com a classificação de “serial killer“, descansem e continuem a ler) e que já há muito faziam parte do universo dos filmes. THE BOSTON STRANGLER (1968) de Richard Fleischer é um excelente exemplo: um filme que narra os assassinatos cometidos por Albert DeSalvo. PSYCHO de Alfred Hitchcock e PEEPING TOM de Michael Powell (ambos de 1960) são apenas os exemplos mais sonantes que mostram como o cinema já há muito se apaixonara pelos serial killers. Ora, qual é a mudança operada pelo assassinato de Sharon Tate?

Se olharmos bem para os filmes citados, temos de admitir que eles não estão 100% dentro do cinema de terror da mesma forma que NIGHT OF THE LIVING DEAD (1968) de George A. Romero, THE HAUNTING (1963) de Robert Wise ou ROSEMARY’S BABY (1968) estão. O universo dos serial killers (mais ou menos sórdido do ponto de vista visual) no cinema sempre esteve mais próximo do género Policial mais ou menos violento, com mais ou menos drama, mais ou menos tenso – mas quase sempre Policial.

Ora, o assassinato de Sharon Tate traz algo de diferente. Não se tratavam de vítimas anónimas (donas de casa, adolescentes ou prostitutas que raramente inspiram curiosidade pública – quem é que sabe o nome de algum vítima do Albert DeSalvo ou do Ted Bundy?). Pelo contrário, aqui tratava-se da realeza de Hollywood: uma starlet absolutamente linda, em clara ascensão, hiper-publicitada e querida; casada com um realizador do momento. No meio, estava ainda uma herdeira milionária (Abigail Folger) e mais algumas pessoas do meio cinematográfico.

Mas mais do que isto, Manson não estava preocupado apenas com a quantidade de assassinatos, mas sim com a qualidade dos mesmos enquanto espetáculo. Ele sabia muito bem que na época em que estava, mais do que matar, era preciso chocar – e quem conhece o aftermath (o livro HELTER SKELTER (1974) editado pelo procurador Vincent Bugliosi continua a ser uma referência no assunto) facilmente admite que a “Família” Manson deu ao público meses e meses de choques consecutivos.

Charles Manson muda o conceito de “monstro-estrela” – algo que até a época, no cinema, pertencia apenas a criaturas de fora da realidade (Drácula, Godzilla, fantasmas, etc.). Manson traz para dentro deste conceito o homem comum, banal e quase invisível, mas capaz de coisas muito piores do que qualquer outro monstro da Universal.

A evolução do género terror nos anos 70 tomou o curso que tomou porque em grande parte Charles Manson mostrou ao Cinema tudo aquilo que este levaria anos a perceber: a) como a violência pode ser espetacular, b) como os assassinos podem se transformar em personagens ainda mais atraentes do que os heróis, c) o quão gostamos de ver beleza, juventude e inocência serem amoralmente destruídas e d) o quão negra é a escuridão num país de luzes tão intensas. Manson mostrou ao cinema o quanto gostamos de estimular a nossa curiosidade pelo mórbido. O mundo pode ter criado os serial killers, mas Charles Manson criou os slashers.

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THE TEXAS CHAINSAW MASSACRE (1974) de Tobe Hooper, CANNIBAL HOLOCAUST (1980) de Ruggero Deodato e FRIDAY THE 13TH (1980) de Sean S. Cunningham jamais teriam sido possíveis sem Charles Manson. Leatherface (que também possuía a sua “família”), Michael Myers, Jason Voorhees e Freddy Krueger (só para citar os mais conhecidos) somente são espectaculares porque Charles Manson foi espectacular. E eles não morrem também porque ano após ano Charles Manson continua a regressar – já não como um assassino, mas como mito. Seria difícil tentar perceber quem tem mais fãs: se Manson ou Leatherface. Chega a ser muito interessante o facto de que, ao contrário dos assassinos da ficção, Manson não matou (pelas suas próprias mão, isto é) nenhuma das vítimas que o tornaram célebre – a mostrar como o cinema é eficaz a simplificar o complexo e a corrigir as eventuais subtilezas da realidade que não caibam em 90 minutos.

Este post não tem como objectivo engrandecer a figura de Charles Manson ou perdoar/justificar os seus actos. Muito pelo contrário, é mais do que óbvio que o conjunto de horrores e vidas destruídas por aquele grupo de pessoas será sempre algo a lamentar. Mas a História é composta em igual medida pelos bons e pelos maus; e no cinema de terror, a partir de 1970, Manson, seus seguidores, seus actos e vítimas tiveram um impacto claro. Elas mostraram ao cinema alguns dos nossos maiores medos enquanto sociedade: a aleatoriedade do Mal, da violência, a escuridão possível no interior de cada desconhecido e a forma como estas coisas nos atraem – coisas que 45 anos depois continuam profundamente contemporâneas.

Rolling stone bomber

Amazing Strange Shapes.

Agosto 5, 2014

Strange Shapes é um blog magnífico dedicado aos filmes ALIEN (1979), PROMETHEUS (2012) de Ridley Scott, ALIENS (1986) de James Cameron e ALIEN3 (1992) de David Fincher. O blog possui um pouco de tudo: memorabilia, entrevistas, bastidores e imagens imperdíveis.

Valaquen é o criador do blog – um escocês que, como ele próprio conta, teve o seu primeiro contacto com o universo através de uma cópia em VHS do ALIENS. A paixão só cresceu desde emtão. Sorte nossa. :-)

ALIEN BLINK

Deliverables 101: Como produzir boas fotos de cena.

Agosto 4, 2014

Abrimos uma revista ou consultamos um site sobre cinema e encontramos fotos de cena do filme que queremos ver. Podemos nem prestar muita atenção. No entanto, uma parte do nosso desejo de ver um filme está directamente relacionada com a existência de bons materiais de promoção.

As “Publicity Photos” são parte essencial daquilo que se chamam os “Deliverables” – ou seja, um conjunto de objectos que o produtor deve entregar ao sales agent (ou ao distribuidor) junto com o filme pronto. Quem possui prática de Produção sabe que, na prática, a produção de “Deliverables” é tão importante quanto o próprio filme – ou dito de outra forma, uma boa Produção dará origem a um bom filme que naturalmente terá sempre “Deliverables” de qualidade. Podemos fazer um excelente filme sem “Deliverables”? É possível. Mas se tal acontecer o filme jamais será distribuído – pois os “Deliverables” são essenciais à distribuição do filme. Podemos produzir os “Deliverables” a posteriori? Sim. Mas não serão tão completos nem custarão o mesmo.

Da enorme lista de “Deliverables” as “Publicity Photos” são um exemplo de algo que NUNCA pode ficar para depois, sob o risco de não poderem fazer pelo filme tudo aquilo que por ele podem fazer.

Se quisermos ser exaustivos, estas fotos podem ser divididas nas seguintes categorias:

  1. Screenshots (fotos de cena).
  2. Crew and behind the scenes.
  3. Director and talent.
  4. Characters.

1 – Screenshots são o tipo mais comum de “Publicity Photos”. São aquilo que vemos na maior parte das revistas e websites. Elas retratam cenas do filme com o objectivo de dar ao espectador uma amostra das imagens que o filme possui. No entanto, algumas pessoas pensam que estas fotos são a) planos retirados do filme ou b) representações fidedignas daquilo que a câmara filmou (tão iguais quanto possível aos planos do filme).

No que diz respeito à MAIORIA dos filmes, ambas as suposições estão erradas.

A utilização das fotos de cena em revistas, websites, posters e outros materiais gráficos de diversos tamanhos e com diversas qualidades exigem VERSATILIDADE às fotos produzidas. Isto significa que um fotograma (em 35mm) ou a captura do mesmo (se Digital) num computador raramente resulta em fotografias que podem ser ampliadas em posters ou em impressões de qualidade. Deste ponto de vista, retirar imagens do próprio filme raramente é uma boa opção. Algumas pessoas podem argumentar que se um fotograma serve para ser ampliado no ecrã, então certamente que servirá para uma revista. Mas aqui, é preciso compreender que no ecrã, o espectador está a ver a imagem em movimento, com som e imerso na narrativa. Diante do mesmo fotograma numa revista, entretanto, nenhum destes elementos  se verifica e as limitações do médium saltam à vista com maior facilidade. Mas pior do que isto: numa revista ou num website, JÁ VIMOS outras fotografias publicitárias que condicionam a nossa percepção e expectativa – e se não tomamos cuidado, naturalmente as fotos do nosso filme parecerão muito desinteressantes.

É por esta razão que Hollywood NUNCA retira fotos directamente dos filmes, preferindo SEMPRE pagar fotógrafos especializados que irão produzir fotografias de grande resolução, qualidade e em grande número especificamente DESTINADAS a outros fins.

É preciso perceber que a fotografia de um filme nem sempre é a ideal quando se trata da sua reprodução em média impressa. Neste caso, ter um fotógrafo dedicado pode ajudar a Produção a fornecer imagens pensadas especificamente para este fim. DANGEROUS LIAISONS (1988) fornece-nos um bom exemplo. Mesmo as diferenças de enquadramento possuem funções distintas: no filme, estamos centrados sobre aquilo que personagem diz (e ver o serviço de chá seria uma distracção). Na foto de cena não há som e procura-se um enquadramento onde se possa mostrar mais valor (e o lindo serviço de chá já faz mais sentido nas mãos da estrela). Luz e cor também não são iguais, pondo sempre ênfase nos valores de produção do filme: estrelas, art direction, etc.

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Não se trata JAMAIS aqui de comparar qual a melhor fotografia (se é a do director de fotografia ou a do fotógrafo de cena). Trata-se apenas de perceber qual o destino e a função de cada uma delas na vida comercial do filme – até porque elas JAMAIS serão consumidas ao mesmo tempo nem nas mesmas condições.

Outro mito é aquele que diz que as fotos de cena devem reproduzir aquilo que a câmara vê para dar ao espectador uma representação fidedigna do que se verá no filme. Ora, embora esta ideia seja TEORICAMENTE verdade, na prática, nem sempre os planos de câmara são aqueles que melhor representam a cena em causa ou o filme no seu todo. Os planos da câmara são, muitas vezes, pensados em função da montagem; em função daquilo que o espectador JÁ VIU ao longo do filme e – logo – não foram pensados para serem utilizados em avulso NEM para serem vistos por alguém que ainda não começou a ver o filme (logo, pode não dispor das informações contidas nos planos ou cenas anteriores do filme). Deste ponto de vista, torna-se FUNDAMENTAL garantir que se obtêm fotografias que, EM AVULSO,  melhor representam a totalidade da cena e/ou do filme. FRANTIC (1988) fornece um bom exemplo: a melhor foto de cena do filme pertence a um plano que NÃO está no filme:

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A foto de cena utilizada comunica tensão, perigo e (para quem ainda não viu o filme) mostra o maior valor de produção: as estrelas – que aqui aparecem de frente para a câmara. A foto põe ainda em evidência um elemento central da narrativa: o objecto que todos procuram. O plano que está no filme somente faz sentido durante o visionamento do mesmo. Em avulso, não funciona tão bem porque não mostra sequer a cara do Harrison Ford nem é tão claro quanto aquilo que as personagens estão a tentar fazer. É um facto que a foto de cena não faz parte do filme… mas é inegável que ela representa a cena e o filme melhor do que uma foto que estivesse presa àquilo que a câmara vê.

E a foto de cena, mesmo sem fazer parte do filme, é tão boa que é largamente utilizada para representá-lo. Basta ver o destaque que ela possui em pelo menos duas versões do filme em home video.

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Nestas coisas, é preciso reconhecer que mais do que mostrar o filme, as fotos de cena VENDEM o filme. E para que o façam, elas têm de (quando necessário) ultrapassar a simples planificação, resumindo tudo o que o filme possui de bom numa única imagem. Manter as fotos de cena presas à câmara é um dogma que raramente faz sentido.

Do mesmo filme, outro exemplo que mostra como a foto de cena possui uma função TOTALMENTE diferente da planificação original:

Frantic Blue

Na cena ANTERIOR, o Dr. Richard Walker encontra uma caixa de fósforos com publicidade ao bar “Blue Parrot”.  Logo, na cena seguinte, (foto da esquerda, acima) a ênfase é fazer a ligação entre o bar na caixa de fósforos e chegada do Dr. Walker ao referido bar (representado pelo letreiro neon). É por esta razão que vemos o taxi e o letreiro com o papagaio em evidência (a presença da personagem é óbvia, logo não necessita de estar em evidência – a cena é uma mera passagem). Já na foto de cena, trata-se do contrário: quem ainda não viu o filme não sabe da caixa de fósforos (logo a ligação espacial entre as cenas não existe). Desta forma aquilo que no filme é uma mera cena de passagem (o Dr. Walker a chegar ao bar publicitado na caixa de fósforos) transforma-se numa foto de cena magnífica com a personagem/estrela em grande evidência. Como é possível que um plano “menor” se transforme numa das principais fotos de cena do filme? (Ver capa de DVD cima.)  Simples: basta estar atento à funções diferentes entre um plano no filme e fora do filme.

Imagine que a câmara mostra um casal que se beija a 50 metros de distância. Nos planos anteriores o espectador viu os actores e as personagens (antes do beijo). Não faz sentido que uma foto de cena do beijo mantenha a mesmo plano, muito afastado, feito pela câmara (que numa revista vai reduzir o casal a uma minúscula mancha). Uma foto de cena que se aproxime mais dos actores não faz parte da planificação. Porém, a produção, a cena, os actores e a própria dramaturgia certamente estarão melhor representadas e vendidas para quem ainda não viu o filme.

2 – As fotos de equipa e os “behind the scenes” serão mais ou menos interessantes conforme o tipo de filme em causa. Mas a importância e a utilidade destas fotos enquanto “Deliverables” jamais devem ser subestimadas. Num filme onde os efeitos especiais são parte essencial do mesmo (sejam eles simples ou complexos), captar imagens que revelam o “como foi feito” provoca sempre o interesse do público e da imprensa mais especializada (impressa ou online). Mais: elas mostram o investimento técnico e criativo presentes no filme – dando ao Produtor argumentos a mais que podem influenciar (para cima) o valor de compra do filme junto dos distribuidores. Se o filme for uma co-produção, as fotos de equipa PODEM ser relevantes para documentar (graficamente) as diferentes nacionalidades a trabalhar em conjunto na criação de mais-valias para o projecto. Elas são boas ferramentas de relações públicas junto de financiadores públicos que normalmente se preocupam muito com estas questões.

Fotos deste calibre terão divulgação garantida pois põem em evidência o investimento feito pela Produção – que se traduz em valores de produção inegáveis:

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Noutros casos, quando o filme realmente é bom, elas nem necessitam se ser espectaculares:

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Por vezes elas dão ao espectador pontos de vista que automaticamente despertam a curiosidade:

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Stanley Kubrick era brilhante TAMBÉM por ter a perfeita noção de que fotos de “behind the scenes” de qualidade e em quantidade mantêm um filme “aceso” na cabeça das pessoas. E a verdade é que mais de 30 anos depois da estreia de THE SHINING (1980), ainda vão surgindo fotos inéditas – todas elas excelentes ao “estender” o nosso olhar sobre a produção. Poucos filmes se dão a este luxo.

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3 – Fotos do realizador e dos actores (talent) são sempre importantes, pois põem em evidência o trabalho criativo e os valores de produção do projecto. O realizador deve ser fotografado sob vários contextos. O mais comum é durante a rodagem (abaixo) sozinho a trabalhar:

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Ou a interagir com os actores:

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Ou “imerso” na narrativa em questão, conferindo-lhe um cunho pessoal e autoral:

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Ou para utilização em catálogos e imprensa especializada:

Cronenberg

David Cronenberg é, aliás, um realizador extremamente ciente da importância de ser fotografado nos mais diferentes contextos – preocupação que é visível desde o início da sua carreira:

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4 – Fotografias das personagens são extremamente valiosas independentemente das fotos fazerem ou não parte do filme (tal como já foi explicado no que diz respeito às fotos de cena). A foto abaixo, fornecida pela Produção do filme ORLANDO (1992) NÃO está no filme. No entanto, é lindíssima na mesma e faz todo o sentido ao oferecer sobre a personagem MAIS do que aquilo que está no filme:

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Aliás, a foto é tão boa que foi utilizada, anos depois, para relançamento do filme:

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Ou como “tie in” – neste caso o próprio livro da Virginia Woolf:

orlando book

Noutros casos, as personagens são retiradas das cenas e fotografadas em conjunto. No exemplo abaixo, retirado do filme WE NEED TO TALK ABOUT KEVIN (2011), a personagem Eva (Tilda Swinton) é fotografada ao lado do filho Kevin ao longo de todas as idades retratadas no filme (coisa que na ficção – linear – não acontece). Esta é uma forma extremamente criativa de divulgar o projecto:

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Se voltarmos ao FRANTIC, temos ainda outro exemplo das personagens numa interpelação directa ao espectador:

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Já esta imagem, que funciona muito bem, foi retirada de uma cena que não está no filme:

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Esta, que também não está no filme

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Este post pretende chamar a atenção para a importância de pensar a vida promocional do filme (incluindo TODOS os elementos que o constituem) com o cuidado e a antecedência que ela merece. O descuido em relação a estas questões comerciais pagam-se caro na medida em que as relações entre produtor, distribuidor, filme e espectadores sofrerão invariavelmente. E neste aspecto, possuir uma estratégia de comunicação visual AUTÓNOMA do filme, especificamente orientada para a venda e comercialização podem fazer a diferença – ainda mais quando se está a trabalhar fora do universo financeiramente musculado de Hollywood. Em muitos casos, o Produtor independente pode possuir “Deliverables” de grande qualidade, bastando para tal, dedicar alguma reflexão sobre o porquê destas coisas. :-)

RED PARTY Casting Call #1.

Junho 4, 2014

Enquanto damos os toques finais para o arranque da pré-produção da primeira longa-metragem de terror do João Alves – RED PARTY – é chegada a altura de começar com o trabalho de casting. Ao longo das próximas semanas, vamos fazer vários convites a actores e actrizes (estrangeiros e portugueses) para que os possamos conhecer e ir compondo o nosso package. Este é o primeiro.

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Para este primeiro convite estamos a procura de actrizes e actores naturais de língua inglesa (britânicos, americanos, etc.) para um conjunto de papéis muito especiais no nosso argumento. Procuramos pessoas de ambos os sexos e que residam na zona de Lisboa e arredores. A idade não é importante. A experiência é algo preferível mas jamais será por si só um factor de exclusão.

Neste sentido, gostaríamos que as pessoas interessadas nos enviassem um e-mail para badbehavior@sapo.pt com a informação habitual: algumas fotos, um showreel, um currículo curto e os respectivos contactos.

Why don’t you give it a try! :-)

Fantasia, we LOVE you!

Maio 15, 2014

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Foi na Segunda-feira que recebemos o mail do FRONTIÈRES CO-PRODUCTION MARKET a avisar que tínhamos sido um dos 12 projectos que serão apresentados durante o FANTASIA INTERNATIONAL FILM FESTIVAL quem tem lugar todos os anos em Montreal, Canadá. O press release oficial foi feito ontem em pleno Festival de Cannes.

O Fantasia é um dos maiores e mais prestigiados festivais dedicados a cinema de género, e onde os melhores filmes de terror do mundo inteiro costumam ser apresentados.

O Frontières é um mercado de co-produção e para esta 4ª edição, os 12 projectos seleccionados foram divididos em dois grupos: seis projectos da América do Norte e seis projectos europeus – 12 no total. Esta foi também a edição que bateu o recorde de projectos submetidos, facto que nos enche de ainda mais orgulho.

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THROUGH THE EYES OF A CHILD é um projecto que temos estado a desenvolver nos últimos dois anos e que faz parte de um conjunto maior de projectos que a BAD BEHAVIOR quer dar aos espectadores de cinema de terror de todo o mundo. Esta será a segunda longa-metragem de João Alves – sendo que a primeira, RED PARTY, está agora a dar os primeiros passos. A nossa estratégia é nunca parar de criar e desenvolver projectos de terror (de qualidade, claro!), pondo-os em marcha com segurança e com toda a dedicação que somente os fãs do cinema de terror podem dar.

É com enorme prazer que saudamos os outros 11 projectos seleccionados e esperamos conhecê-los em Julho.

The full selection of Frontières projects is as follows:

Dead Noon (Luxembourg)
Director/writer Jeff Desom (first feature), producer Bernard Michaux – Lucil Film

Emergence (Lithuania)
Directors/writers Kristina Buozyte & Bruno Samper, producer Leva Norviliene – Tremora

Extra Ordinary (Ireland)
Directors/writers Mike Ahern & Enda Loughman (first feature), producers Ailish Bracken & Katie Holly (EP) – Blinder Films

The Extractor (Quebec)
Directors/producers Gavin Michael Booth & Mark A. Krupa – Mimetic Entertainment, writer Mark A. Krupa

The Godless (UK)
Director Simon Rumley, writer Dan Schaffer, producers Bob Portal – Fidelity Films & Tim Dennison – Tall Man Films

Love Sick (US)
Director/writer Todd E. Freeman, producers The Brothers Freeman & Lara Cuddy – Polluted Pictures, executive producer Michael Glynn Macdonald

The Offing (US)
Director/writer/producer David Prior (first feature), producer Jeremy Platt

Print the Legend (Germany)
Director/writer Andreas Schaap, producers Michael Dupke & Benny Theisen – Little Bridge Pictures and Simon Amberger – Neuesuper

Revelations (Canada)
Director/executive producer George Mihalka, writer Al Kratina

Rite of the Witch Goddess (Canada)
Director James Sizemore, writers James Sizemore & Katarina Gligorijevic, producers Katarina Gligorijevic & Tim Reis – Ultra 8 Pictures

Through the Eyes of a Child (Portugal)
Director João Alves (first feature), writer/producer Paulo Leite – Bad Behavior (first feature)

Vaporetto 13 (Quebec)
Director/writer Gabriel Pelletier (based on the novel by Robert Girardi), producer François Ferland – Novem

Começam em breve os castings para o primeiro filme do João Alves.

Abril 16, 2014

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Estamos quase a entrar em pré-produção com a primeira longa do João Alves. Mas antes, para completar o nosso packaging, queremos fechar uma das partes mais cruciais do projecto: casting. O nosso trabalho sobre o casting será dividido em três fases pensadas para três tipos de actores e actrizes que entrarão em partes específicas do projecto.

O filme do João Alves conta uma história de terror que irá exigir muita concentração por parte dos actores. Não será uma história simples na medida em que desejamos oferecer aos nossos espectadores uma experiência muito especial. Em breve iremos divulgar as características que procuramos no primeiro conjunto de actrizes que desejamos encontrar.

Até breve!

:-P

????????????

See you in Berlin! :-)

Fevereiro 8, 2014

Estamos de malas prontas para a Berlinale.

Vamos nos encontrar com realizadores, co-produtores e amigos que têm feito parte do nosso percurso, e que se vão juntando a nós na medida em que os projectos crescem.

Viva o cinema de terror!

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A BAD BEHAVIOR no Ventana Sur!

Novembro 9, 2013

Recebemos o mail há poucas horas dizendo que fomos seleccionados para estar no festival Ventana Sur 2013, mais propriamente no Beyond the Window, o co-production market do festival, inteiramente dedicado ao cinema latino-americano de terror. Isto significa que dentro de algumas semanas, estaremos com os nossos co-produtores em Buenos Aires a mostrar aquilo que temos estado a preparar ao longo dos últimos anos.

Ventana Sur Bad Behavior

A BAD BEHAVIOR possui vários filmes em estado de development – um processo longo e fundamental na vida de qualquer filme – e uma parte deles será produzida fora de Portugal em co-produção com outros países. O melhor disto tudo é o facto de termos estado trabalhando com gente profundamente apaixonada pelo cinema de terror, o que implica trocar a palavra “trabalho” por “prazer”.

Continuamos com a mesma missão: desenvolver e produzir cinema de terror de qualidade e a cada novo milestone que adicionamos, percebemos que estamos a fazer o caminho correcto. A experiência que estamos a adquirir é incrível e estamos a adorar cada dia desta jornada. A nossa abordagem cobre 360º: development, financiamento, vendas, marketing, produção, co-produção… e com muita calma vamos juntando tudo. :-)

Viva o cinema de terror!

A BAD BEHAVIOR está crescendo!

Julho 16, 2013

Fantasia_2013_poster_web_ENA BAD BEHAVIOR está a crescer a sua rede de contactos. Depois de termos participado na Film-Fair Industry do GALWAY FILM FLEADH na Irlanda, agora fazemos as malas para o Canadá. Já confirmámos a nossa participação no FANTASIA INTERNATIONAL FILM FESTIVAL que terá lugar em Montreal, Québec. Mais: no Industry Rendez-Vous do FANTASIA, somos a única produtora de língua portuguesa no meio de empresas do mundo inteiro. Tudo isto acontece em simultâneo com a abertura da BAD BEHAVIOR Brasil – que será o nosso elo de ligação entre a América do Sul e a Europa.

A nossa ida aos principais eventos ligados ao cinema comercial internacional tem um objectivo: crescer a nossa rede de contactos e dar a conhecer os projectos que temos em desenvolvimento. E a cada mês, a cada evento, a cada passo, acrescentamos peças àquilo que estamos a construir: cinema de terror de qualidade internacional… inteiramente feito entre Brasil e Portugal.

A maioria das pessoas desconhece o enorme trabalho de “Development” e montagem financeira que está na origem de um filme. Trata-se de um trabalho que pode levar anos e necessita de uma estratégia sólida que toca em simultâneo todos os pontos do ciclo de vida de um filme: Development, Financing, Sales, Distribution e Marketing.

Somente uma estratégia de longo alcance é capaz de trazer para um projecto de cinema de terror os recursos necessários ao cumprimento na íntegra daquilo que o filme deseja ser. Mas uma jornada destas é longa e necessita de investimento constante: tempo, energia, algum dinheiro, inspiração e muita paciência – porque em cinema, a pressa destrói tudo.


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