Os maiores clichés no Cinema de Terror.

Assustar é como fazer rir: dá muito trabalho. Assim sendo, cá vão alguns clichés que, na ausência de boas ideias, continuam a aparecer no Cinema de Terror.

Cliché #1 – O assassino usa uma máscara!

THE HILLS RUN RED (2009)

LAID TO REST (2009)

Ok, este cliché é tão clássico que já se deve ter transformado num monumento. É incrível que após décadas e décadas de slashers, toda a gente continua a pôr máscaras nos assassinos, a espera que esta simples peça de indumentária faça alguma coisa pelo filme inteiro (ou pelo assassino). Curiosamente, o primeiro FRIDAY THE 13TH (1980) até é uma excepção na medida em que Mrs.Voorhees não usava uma máscara (o que nos chama a atenção para o poder que uma boa cara – Betsy Palmer – pode ter). Muito antes de Pamela Voorhees, o grande Vincent Price já provava que grandes assassinos necessitam de grandes actores (que infelizmente hoje custam caro). É um facto que Leatherface, Michael Myers e (mais tarde) Jason Voorhees tornaram-se figuras emblemáticas. Mas também é verdade que desde então as máscaras foram ficando cada vez mais elaboradas e os filmes cada vez menos interessantes.

Cliché #2 – Paredes que sangram.

1408 (2007)

Este é outro cliché que um dia foi uma grande ideia – mas que hoje já é tão banal que ninguém se impressiona quando vê. E quem diz paredes também diz candeeiros, fichas eléctricas na parede, duches e outros elementos domésticos. É que já não há pachorra! A última vez que vimos uma parede a sangrar foi no 1408 (2007) onde um quarto de hotel se transforma numa atracção da Disneylândia.

Cliché #3 – A última gaja sobrevive sempre!

Oh, please, digam lá se este não é ofensivo: então o assassino (mascarado?) mata com facilidade toda a gente que encontra pela frente até o momento em que tem o infortúnio de debruçar-se sobre a protagonista (curiosamente a única personagem que ainda não foi assassinada). A partir de então, é um sofrimento interminável! Ela corre, cai, levanta-se, atira-lhe com coisas, esconde-se, é perseguida, encontra os amigos mortos, tenta telefonar, tranca a porta, salta pela janela, corre, cai, levanta-se… e o assassino simplesmente não consegue matá-la! As feministas estão cansadas de gritar e o cliché perdura. E ele é quase tão comum quanto aquele que se segue.

Cliché #4 – Afinal, o assassino não morreu.

Desculpe lá… traz-me mais uma bebida, se faz o favor? Eu prometo que é a última! Obrigado.

Cliché #5 – Animais que surgem do nada.

Nós adoramos animais. Mas este cliché é mesmo a prova de que não se tem mesmo ideias boas. Subitamente surge um gato que salta para cima da personagem justamente quando nós achávamos que o pior ia acontecer. Mas isto é mesmo o pior que pode acontecer!

Cliché # 6 – A casa custou barato porque é assombrada!

THE HAUNTING IN CONNECTICUT (2009)

Qualquer pessoa normal que comprou casa e sofre todos os meses para pagar a prestação adoraria que estas coisas realmente lhe acontecessem. Nós, por exemplo, adorávamos comprar uma casa na Quinta da Marinha pelo preço de uma cave na Baixa da Banheira. Interessa-nos lá que haja demónios ou fantasmas na casa! É que na mesma hora púnhamos o imóvel a venda por um preço bom e passávamos a batata quente para a próxima família. O princípio parece-nos lógico: se nos apanharam a nós, também nós podemos apanhar outros. Desde que as paredes não sangrem quando os futuros compradores estiverem a visitar a casa… tudo bem.🙂

Cliché #7 – Os animais sempre sentem os fantasmas!

É sempre a mesma velha história: a família muda-se para uma casa nova e o cão da família começa logo a ficar maluco. Pulgas? Não. Fantasmas. Ninguém nunca se lembrou que as iguanas também podem sentir o after life. Parece que desde o maravilhoso POLTERGEIST (1982) que o arquétipo de mensageiro passou a recair nos cães, pois são eles que anunciam que aquela casa maravilhosa foi, afinal, uma péssima compra.

Cliché #8 – A cena da banheira.

Nós todos sabemos que desde 1960 que tomar um banho deixou de ser um acto banal, passando a ser um espectáculo audiovisual de montagem e som. Conscientes de que cenas destas são irrepetíveis, os argumentistas de terror criaram a alternativa à cena do duche: a cena da banheira. A partir de então todo o terror doméstico que se preze tem que ter uma cena na banheira: ou é a mão que tenta afogar a rapariga ou é a cortina que tenta sufocá-la ou é outra coisa qualquer (acompanhada ou não do sangue que pinga sempre do tecto ou de outro sítio qualquer). A lavagem a seco, como aconselhava o Hitchcock, nunca fez tanto sentido.

Cliché #9 – Smash cuts com imagens bizarras no meio da cena.

BOOGEYMAN (2005)

De todos, este é o cliché mais recente – resultado do enorme poder que os sistemas de edição digital vieram dar aos produtores, realizadores e afins. Um gajo aproxima-se muito lentamente de uma porta. Vai tocar a maçaneta… e subitamente é como se o furacão Katrina tomasse conta do ecrã com 200 planos de imagens bizarras e ruídos esquisitos exibidos em três ou quatro segundos. Voltamos ao gajo que roda a maçaneta e a surpresa suprema: a porta abre-se e não há nada do outro lado. O que nós não conseguimos perceber é se este efeito serve para acordar os espectadores que estão a dormir ou se é para gastar tempo fazendo um filme de 20 minutos passar a ter 90. O júri ainda não se decidiu. Parece-nos tristemente irónico que a casa (ou neste caso hotel) que Kubrick construiu foi destruída por um computador!

Cliché #10 – A floresta é habitada por freaks homicidas.

Lá está outro cliché que já tem barbas: um grupo de amigos atravessa uma floresta e descobre uma família de freaks. Mas o que chateia mais não é o facto deste cliché derivar de um grande filme – DELIVERANCE (1972) – mas sim o facto deste ser um cliché incorrecto. Aliás, qualquer pessoa que vá ao Bairro Alto num Sábado à noite consegue ver que este cliché está errado. As florestas, afinal, são profundamente seguras.

Cliché #11 – Os vampiros são sempre chiques e ricos.

UNDERWORLD (2003)

Os certificados de aforro ao fim de 400 anos só podem render uma fortuna! Esta só pode ser a explicação para os vampiros serem sempre chiques e riquíssimos. Basta ver a casa dos vampiros no TWILIGHT (2008). Estas pessoas sequer declaram IRS? A entrada da mansão dos vampiros em UNDERWORLD (2003) mais parece o lounge de uma discoteca da moda: gente jovem, linda e bem vestida sentada em sofás de pele em momento de chillout. Felizmente algumas mentes iluminadas já começaram a fugir a este cliché irritante.

Cliché #12 – Carros que teimam em não funcionar.

Uma das razões pelas quais a indústria automobilística norte-americana está com tantos problemas não tem nada a ver com a concorrência japonesa. A verdade é que as pessoas se acostumaram durante anos com a ideia de que quando queremos fugir de alguma coisa os carros norte-americanos levam tempo a funcionar (quando funcionam). Este é, felizmente, outro cliché que está a cair em desuso.

Cliché #13 – O assassino está no banco de trás.

Este é outro clássico que ninguém parece querer desafiar – para piorar os males de Detroit. Não só os carros norte-americanos demoram a funcionar como ainda são um convite fácil ao primeiro facínora que neles queira entrar. Na vida real, um assassino fechado num carro nem que seja por dez minutos embacia logo os vidros todos. Duh!

Conheces mais clichés? Nós conhecemos montes deles!  Estes 13 (gulp!) são apenas aqueles que nos parecem mais absurdos. Diz-nos quais são os teus clichés favoritos e nós garantimos que aqui na Bad Behavior tentaremos fugir deles. Até breve!

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6 Respostas to “Os maiores clichés no Cinema de Terror.”

  1. Gabriel Augusto Says:

    Em relação ao “Cliché #3 – A última gaja sobrevive sempre!”, existe a variante “Cliché #3B – O miúdo autista sobrevive sempre!”, que também se aplica como alternativa ao “Cliché #7 – Os animais sempre sentem os fantasmas!” como “Cliché #7B – A criança autista sempre sente os fantasmas!”!

    • Bad Behavior Says:

      Bem observado!🙂
      E o que dizes do cliché das bonecas feias que a malta sempre encontra nos filmes de terror? Nos filmes há sempre um plano de uma boneca horrível(!) no quarto de uma criança. Mas nós vamos ao Toys’R’Us e nunca as encontramos. Por que é que as crianças nos filmes de terror nunca têm uma Hello Kitty ou Legos como as crianças normais?

  2. Magda Casqueiro Says:

    Somos um equipa de efeitos especiais e prosteticos formados em inglaterra. Ontem Tive a oportunidade de ouvir um dos vossos membros numa conferencia onde deixei o contacto. Se tiverem oportunidade espreitem nos nestes links.
    http://www.portugalvisualeffects.com
    http://portugalvisualeffects.blogspot.com

    Obrigada Magda Casqueiro

  3. CARLOS SILVA Says:

    Olá fãs de horror de Portugal. Para a minha surpresa fazendo uma pesquisa no google para o filme Laid to Rest me deparei com o sítio de vcs. Assisto filmes de horror há mais de 30 anos e cada vez mais a falta de originalidade é marca registrada dos diretores de horror nos dias de hoje. Ainda encontro esperança na criatividade dos orientais até o momento em que eles pararem de ousar e cairem nos clichês dos filmes americanos de horror. Ainda sou mais uns clássicos…um abraço pessoal de além mar.

    • Bad Behavior Says:

      Olá, amigo Carlos!
      Ficamos muito contentes que tenhas encontrado a BAD BEHAVIOR – sinal que o nosso marketing discreto está funcionando. É sempre bom saber que as pessoas para quem trabalhamos (vocês) acabam sempre por nos encontrar. Aliás, nós também somos grandes fãs do género e existimos porque queremos fazer melhor. Temos a certeza de que o público brasileiro irá adorar os nossos projectos até porque o mercado brasileiro é uma das nossas apostas. Podes avisar a todos que a BAD BEHAVIOR irá chegar em breve ao Brasil com filmes inesquecíveis. Os portugas estão chegando!🙂
      Um grande abraço!

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