The Art of the Horror Movie Poster – Parte 1.

Poster da versão original de 1973.

Pouca gente dedica o seu tempo a olhar bem para o trabalho gráfico elaborado pelos distribuidores  no campo do Cinema de Terror – o que é uma pena porque o género está repleto de trabalhos magníficos. Cá na BAD BEHAVIOR somos grandes fãs dos posters dos filmes de terror. Isto acontece não só porque também queremos produzir grandes filmes de terror, mas também porque sentimos grande admiração e respeito quando vemos trabalhos de marketing bem feitos.

Este é o primeiro post dedicado a este tema… e começamos com um trabalho que achamos muito bom. Trata-se dos posters do filme THE CRAZIES (2010) realizado por Breck Eisner que, como todos sabem, é o remake de um filme com o mesmo título que o mestre George A. Romero realizou nos tempos idos (risos) de 1973. Desnecessário será dizer que é ao olharmos para o original e o seu remake que ficamos a ver como o género evoluiu ao fim de quase quatro décadas.

Teaser-poster.

O teaser-poster faz um trabalho curioso: reduz o filme a dois elementos principais – a pequena cidade perdida no meio do nada (um setting muito recorrente no género) e o pedido desesperado de ajuda. Para complementar estes dois elementos, surgem outros: um belíssimo céu carregado de núvens pesadas que parecem estar prestes a encobrir um espaço que nos pareceria simpático à primeira vista, o vento forte que sopra na mesma direcção e os (muitos) orifícios de balas que indicam não só o eventual tédio que reina na zona como também o potencial violento de um ambiente repleto de armas de fogo. Esta imagem, por si só, já seria muito forte sem o pedido de ajuda escrito em… errr… xarope de morango🙂 . O resultado: a clareza e a eficácia de resumir o setup do filme numa única imagem/mensagem – algo de violento e avassalador irá atingir esta pequena cidade perdida no meio do nada. Como teaser-poster é difícil imaginar algo melhor.

One-sheet poster.

Já o poster principal prefere apostar noutra estratégia: apoiar-se numa das cenas mais climáticas do filme, quando um dos infectados usa um forcado para matar pessoas que se encontram imobilizadas em camas (numa delas está um dos protagonistas). A imagem por si só já comunica uma boa parte da violência que o público-alvo está a espera de ver. No entanto, aquilo que nos salta à vista é o quanto da imagem é deixado fora do espaço do poster – o que nos chama a atenção para um belíssimo uso do espaço fora de campo (um conceito muito importante em Cinema).

Este poster também resolve um problema muito comum nos filmes de terror: a ausência de grandes estrelas cujas caras possam ser exploradas em cartazes.

Floating heads.

Toda a gente sabe que para Hollywood, as estrelas são sempre o primeiro valor de produção a mostrar quando chega a altura de conceber os posters (para desgosto dos artistas gráficos que devem certamente ter ideias muito melhores do que aquilo que acaba sempre sendo escolhido e que habitualmente se chama “floating heads poster”). A tagline “fear thy neighbor” é simples e tem tudo a ver com o conceito iniciado no teaser-poster: cidade pequena, toda a gente se conhece, algo de horrível vai acontecer, etc. Repare-se ainda que o sangue que escorre do forcado é escuro o suficiente para não causar chateações do MPAA – que não gosta de sangue em material promocional e cuja aprovação dos posters é necessária aos distribuidores.

Série de três character-posters.

A campanha conta ainda com uma série de três character-posters que, como o nome indica, identificam personagens específicas no filme. Esta série é interessante porque é uma tentativa de quebrar o carácter discreto dos posters anteriores que podem levar algum público-alvo a pensar que este filme contém apenas gente maluca. “Não!” – parecem dizer estes três posters – “este filme contém gente maluca e assustadoramente horrível do jeito que vocês gostam de ver🙂 “. A tagline muda e cria um efeito de ironia ao referir o lado amistoso da pequena cidade onde a história tem lugar. A grande influência nestes posters é o velhinho😛 THE MATRIX RELOADED (2003) que lançou – e de que forma – a moda dos character-posters com as caras cortadas. O problema nesta série de character-posters é que, ao contrário do THE MATRIX RELOADED, as personagens em causa não são nem instantaneamente reconhecíveis (ao ponto das caras inteiras serem desnecessárias) nem verdadeiramente interessantes (ao ponto de criarem algum fascínio). Mas são uma boa tentativa.

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