Alguns clássicos da literatura de língua portuguesa que ficavam bem… com zombies!

Recentemente tivemos a oportunidade de ler PRIDE AND PREJUDICE AND ZOMBIES by Jane Austen and Seth Grahame-Smith e é preciso dizê-lo: há mesmo pessoas com ideias incríveis. Realmente a ideia de reescrever um clássico da literatura adicionando zombies é algo que não ocorreria a ninguém. Os puristas podem sempre ficar descansados, pois obras como estas não têm como objectivo substituir (ou sequer concorrer com) o original. Trata-se antes de um rebuçado e um piscar de olhos aos fãs da literatura de horror – género que, como já tivemos a oportunidade de afirmar, possui um espaço muito acarinhado e popular na língua inglesa (coisa que não se passa na nossa língua – o que é uma pena porque seria certamente uma forma de fazer com que mais pessoas passassem a ler e mais).

Outro livro delicioso que chegou ao nosso boudoir (risos), foi QUEEN VICTORIA, DEMON HUNTER escrito por A. E. Moorat. Divertidíssimo! Com a reescrita da Jane Austen e outros livros como ABRAHAM LINCOLN: VAMPIRE HUNTER, também escrito por Seth Grahame-Smith, e (risos) SENSE AND SENSIBILITY AND SEA MONSTERS, escrito por Ben H. Winters (e Jane Austen LOL), torna-se claro que estamos diante de um novo género: o reenvisionment de grandes clássicos e/ou figuras históricas sob um setup de horror (zombies, demónios, vampiros, etc.).

Cá na BAD BEHAVIOR somos muito sensíveis a estas tendências e já estamos a sonhar com o dia em que poderemos afundar os nossos dentes em algumas obras-mestras da literatura de língua portuguesa… reescritas tendo em mente pessoas como nós (risos). Cá estão algumas ideias que certamente poderiam ser abraçadas pelas editoras portuguesas:

1 – OS LUSÍADAS de Luís de Camões poderia ganhar um título mais aterrador como OS LUSÍADAS À CAÇA DOS DEMÓNIOS. Não só poderíamos reescrever os dez cantos originais, como ainda poderíamos adicionar mais alguns (pelo meio dos originais ou posteriores aos mesmos). O Velho do Restelo poderia ser um zombie e o Gigante Adamastor bem poderia passar a ser “Adamastor, a Lula Gigante”. A chegada a Melinde poderia ser muito mais sensacional se os melindanos fossem vampiros e se o contacto diplomático fosse, na verdade um grande kick ass! O Canto III seria alvo de um revamp ao mostrar a looooonga sessão de tortura que D. Pedro iria infligir aos assassinos de Inês de Castro… e as guerras fernandinas passariam a se chamar “guerras infernaldinas” (talvez estas guerras merecessem um canto só para elas – o Canto IIIa). O Canto IX teria outra graça se a Ilha dos Amores estivesse infestada de crocodilos assassinos. É claro que manter a métrica seria um grande desafio… mas um demónio a gritar no meio de um decassílabo enquanto é degolado tem outra elegância!

2 – A QUEDA DUM ANJO COM UMA ESTACA DE MADEIRA ENFIADA NO CORAÇÃO (de Camilo Castelo Branco).

Nesta versão, Calisto vai para Lisboa, onde percebe que a classe política da capital foi transformada em vampiros (isto para adicionar ainda mais contemporaneidade à esta obra imortal). Torna-se amante de Ifigénia (uma caçadora de vampiros que lhe ensina tudo sobre estas criaturas) e, juntos, passam a ser o terror da noite lisboeta. A esposa de Calisto é seduzida por um primo (também vampiro) e o marido acaba por ter que matar os dois. Esta obra até pode ter uma sequela: O ANJO REGRESSA COM A ESTACA NA MÃO.

3 – VIAGENS SANGRENTAS NA MINHA TERRA (de Almeida Garrett).

Nesta nova versão, uma simples viagem entre Lisboa e Santarém nunca foi tão longa!! Carlos decide ir passar uma semana a Santarém e pelo caminho  fica a saber que uma praga de joaninhas (risos) anda a espalhar uma doença que transforma as pessoas em ninfomaníacos vampiros com lesmas assassinas à mistura… na boa tradição dos primeiros filmes do Cronenberg (RABID e SHIVERS). Como é que alguém tão genial como o próprio Garrett nunca pensou nisto é algo que nos escapa…

4 – A QUEDA DA ILÚSTRE CASA DE RAMIRES E USHER (de Eça de Queirós featuring: Edgar Allan Poe).

Cá está um encontro absolutamente fascinante entre dois grandes vultos da literatura. Gonçalo Mendes Ramires é um fidalgo ambicioso que procura obter sucesso e vantagens através de uma carreira na política. Seu amigo de infância, Roderick Usher (que sofre de hipersensibilidade à luz, hipocondria e ansiedade) convida-o a publicar um romance – o que para Gonçalo pode ser uma forma de ganhar a credibilidade que lhe permitirá saltos maiores. Gonçalo decide aceitar o convite e viaja até a casa de Roderick (situada num pântano próximo de Vila Clara). Quando lá chega percebe que a irmã do amigo (Madeline) acaba de falecer. Roderick decide depositar o corpo da irmã num mausoléu que se situa no interior da casa (mesmo por debaixo do seu quarto). Gonçalo aceita prontamente a decisão do amigo porque (primeiro) deseja avançar logo com a escrita do livro e (segundo) nunca foi muito com a cara de Madeline… e agora que ela está morta, muito menos. Os problemas começam nas noites seguintes: Roderick começa a ficar ainda mais histérico, os terrenos pantanosos brilham no escuro, há gritos estranhos pela casa e as violentas tempestades nocturnas nunca parecem terminar. Gonçalo fica possesso porque afinal, escrever torna-se mais difícil do que imaginava… e os dias estão a correr e ele percebe que não só vai perder o casamento da irmã (cujo noivo é ainda mais estranho do que Roderick) como também não vai a tempo das eleições para deputado. No final, percebemos que Madeline foi enterrada viva (ela e Roderick acabam por morrer). A casa é atingida por um raio e afunda-se no pântano. Gonçalo escapa por pouco e regressa a Vila Clara onde tenta retomar a escrita do seu romance (sem sucesso porque entretanto uma praga de gafanhotos mutantes mata toda a gente). Desiludido com o seu fracasso, eis que decide então mudar de vida: altera a última letra do nome e passa a dedicar-se a outra actividade (desta vez com maior sucesso). Happy ending e inúmeras sequelas.

5 – MACHADO DE ASSIS: O CAÇA-FANTASMAS.

Toda a gente sabe que Machado de Assis, um dos maiores nomes da literatura brasileira, odiava o Espiritismo. Mas nesta obra, o nosso protagonista também é conhecido pelos amigos como Machado “The Axe” de Assis – pela forma violenta como protege a cidade do Rio de Janeiro de uma corja de espíritos que desejam destruir o Brasil. Brás Cubas é justamente o espírito mais maléfico de todos e pelo meio da história, vamos percebendo como a luta entre os dois deixa marcas na vida do autor (que mais tarde viria a imortalizar carinhosamente o nome do seu arqui-inimigo no célebre MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS: THE ULTIMATE ZOMBIE NOVEL).

6 – OS SERTÕES E OS ZOMBIES (de Euclides da Cunha).

Esta é a reescrita de uma das obras mais importantes (se não for a mais importante) da literatura brasileira. Euclides da Cunha dividiu o livro em três partes. A primeira chama-se “A Terra” e nela, o autor faz um estudo da geografia, do solo, da fauna e da flora nordestina que nos ajuda a compreender como é que o grande problema desta região brasileira (a seca) torna-a mais propensa aos zombies do que qualquer outra parte do planeta. Como se perceberá, a seca nordestina obedece a ciclos cabalísticos (e o livro tem um foreword da Madonna, no less!). A segunda parte chama-se “O Homem”, onde o autor argumenta que o Nordestino é um produto do seu meio – o que explica os motivos pelos quais nove entre cada dez caçadores de zombies são pernambucanos. A terceira parte chama-se “A Luta” e narra com uma enorme riqueza de detalhes a Guerra de Canudos, onde o Exército Brasileiro foi obrigado a mobilizar cerca de 12 mil soldados de 17 estados para combater uma horda de zombies baianos que devoravam os vivos como se de muqueca se tratassem. Salve São Jorge Guerreiro!… Saravá Ogum!… Axé meu Pai!

E cá estão algumas ideias que, esperamos, cheguem rapidamente a uma livraria perto de si.🙂

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4 Respostas to “Alguns clássicos da literatura de língua portuguesa que ficavam bem… com zombies!”

  1. Tiago Pires Says:

    boa tarde, gostaria de poder partilhar convosco um projecto que comecei a trabalhar no ano passado que toca o conceito de projecto que voces acima citam como do vosso interesse. o meu projecto inpira-se na obra de Pedro e Ines e têm como meio de expressão a animação stopmotion.
    agradeço que me chegue ao meu endereço de email um contacto, com o qual possa discutir e partilhar uma possivel colaboração para a produção do respectivo projecto.
    Comprimentos,
    Tiago Pires

  2. Uma Zombie Walk em Lisboa… como deve ser! « Bad Behavior Says:

    […] o gosto por Trioxina-245) e é apoiado pela 1001 Mundos, a editora portuguesa do já clássico ORGULHO E PRECONCEITO E ZOMBIES – de que já falámos cá no […]

  3. rita alves Says:

    olá miga! adoro jane austen!! ejá li esse livro!!! beijinhos!!!

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