The Art of the Horror Movie Poster – Part 3.

Continuando a nossa reflexão sobre a arte dos posters no cinema de terror, neste post iremos falar um pouco sobre aquilo que parece dominar o género: a escuridão. Provavelmente nove em cada dez posters de filmes de terror escolhem o negro como tom dominante no espaço gráfico. Se por um lado a ausência de luz tem tudo a ver com aquilo que esperamos de um ambiente de horror (daí a coerência da escolha), a verdade é que a fórmula é tão utilizada que praticamente já se transformou num cliché presente em posters que, na ausência de um trabalho gráfico de excelência, nada nos oferecem para além de uma escuridão forçada.

Para vermos alguns exemplos de uma utilização magistral da escuridão temos que recuar algumas décadas a posters como THE EVIL DEAD II (1987), THE EXORCIST (1973) e HALLOWEEN (1978).

O poster de HALLOWEEN aposta num conceito muito simples: a estilização de uma faca assassina cujo eco alude para uma abóbora esculpida (um dos símbolos da data). A escolha de um fundo totalmente negro faz sentido pela relação criada entre a escuridão, os tons quentes do desenho e o stroke em torno do título. A escuridão destaca ainda mais o fogo que parece iluminar os olhos da abóbora que faz brilhar o conjunto… cujo brilho quente torna a escuridão ainda mais sinistra. O stroke alaranjado em torno de letras brancas sólidas insinuam, através de variações no tom (talvez por causa da luz ondulante do fogo), um serif muito discreto que introduz um pouco de tensão ao conjunto de letras.

O genérico do filme utiliza uma fonte totalmente diferente, mas que mantém o alaranjado visível no fogo que queima no interior da abóbora. HALLOWEEN é um clássico em todos os seus elementos e um óptimo exemplo da boa utilização da escuridão.

HALLOWEEN II (1981) tenta reproduzir o mesmo efeito, porém com menos sucesso. A ideia é igualmente simples: resgatar a abóbora, juntando-lhe um novo elemento – uma caveira. Sem o brilho da chama que queima no interior da abóbora, o resultado final não é tão espectacular (se bem que ainda funciona). No entanto, o título que apenas adiciona “II” (no mesmo tamanho da última letra) retira a simetria visual que existia no poster do primeiro filme. “HalloweeN” é bem diferente de “HalloweeN II”.

Já HALLOWEEN III: SEASON OF THE WITCH é uma grande confusão. A abóbora dominante é substituída pelas sombras sem grande interesse de crianças (inofensivas) e o título ganha uns rebuscados complicados e desnecessários. O tom quente é substituído por um azul frio e metálico – típico dos anos oitenta. A subtileza do stroke original transforma-se num serif demasiado sério. Fazemos um fast forward para o século XXI, onde um filme tem 357 posters diferentes, e encontramos um poster do remake HALLOWEEN (2007) onde alguém tenta, desastradamente, actualizar o poster da versão original. Má ideia.

EVIL DEAD II é um daqueles posters que realmente assustam. Ao contrário de HALLOWEEN que isola a sua key art num centro, aqui a aposta é no plano muito fechado de uma caveira que nos observa. A caveira parece estar tão próxima de nós que os espaço fora de campo ganha uma importância toda especial. O billing block cinzento é discreto o suficiente para não dispersar a nossa atenção do que realmente interessa e o título, apesar do vermelho berrante, não luta pela nossa atenção – porque o designer sabe que a caveira (com estes olhos), por si só, é tão eficaz que já capturou o nosso interesse. O espaço fora de campo reforçado pelo enquadramento da caveira também sugere uma escuridão maior do que aquela que vemos no enquadramento.

Esta versão asiática é menos interessante pela falta de importância dada ao espaço fora de campo. A caveira aparece por completo e este simples reenquadramento retira uma boa parte da força que os seus olhos exerciam sobre o espectador na versão original.

Duh!

Para o lançamento do DVD no Reino Unido, alguém teve a infeliz ideia de substituir a escuridão por um fundo branco à la THE WHITE ALBUM. O resultado é a destruição total da key art original… e nem o adicionar de uns olhinhos vermelhos à la TERMINATOR salva este atentado. It’s a mess!!

De todos os posters da série, este EVIL DEAD II é de longe o mais fascinante e bem conseguido. O poster do primeiro filme (THE EVIL DEAD), apesar de bem pensado, é demasiado barato e falha em comunicar os verdadeiros valores de produção do filme. Já o poster do terceiro filme (ARMY OF DARKNESS) cai demasiado na paródia e já não quer assustar ninguém.

Com THE EXORCIST o caso é totalmente diferente. Este é provavelmente o mais simples de todos os posters de filmes de terror. No entanto, aquilo que é comunicado é de um rigor absoluto. Trata-se da solidão de um homem (um exorcista) em luta contra o Diabo. O tamanho minúsculo da personagem cercada por uma enorme escuridão enfatiza o quão desigual será a batalha – e o quão pequeno é o ser humano.

O poster original dos anos setenta possui uma key art cujo contraste é praticamente jornalístico. Esta opção não é casual na medida em que a luta em questão é entre um Bem e um Mal absolutos sem qualquer espaço para cinzentos. Por outro lado, a estratégia de retirar qualquer detalhe à imagem (e a própria escolha desta fotografia que apenas alude para o Bem e o Mal) é muito sofisticada na medida em que não avança nada sobre as imagens e acontecimentos horríveis que o espectador verá. Temos desta forma, um poster que diz muito (conceptualmente falando) e ao mesmo tempo não diz nada (no concreto) sobre aquilo que o filme contém. Desta forma, o poster cria as condições ideias para o choque total. O resto é História do Cinema.

O poster de relançamento do filme já pode ter um tratamento de imagem mais detalhado (com mais texturas e cor) na medida em que o filme já é um clássico. O elemento de choque dá lugar a um enorme carinho e respeito que todos sentem pelo filme. Em termos de conteúdo e passados trinta anos, lá continua tudo… mas com o luxo que um clássico merece. A forma como ambos os posters trabalham a escuridão é bastante diferente. No poster original temos uma estratégia visual semelhante àquilo que vimos em HALLOWEEN: uma key art cercada de escuridão. Mas no caso de THE EXORCIST, esta escuridão tem um significado ou um valor narrativo acrescido que o poster faz questão de mostrar. No poster de relançamento, a key art é ampliada ao ponto da escuridão circundante ser empurrada para os limites do poster (ou para as zonas de conteúdo escrito). O significado perde-se um pouco, mas não é grave porque a key art (em troca) ganha detalhes que antes não víamos – precisamente aquilo que esta versão nos promete oferecer. São opções facilmente justificáveis.

Já as sequelas, longe de serem clássicos, possuem posters muito diferentes entre si. EXORCIST II: THE HERECTIC (1977) é pouco eficaz. A Linda Blair mais parece estar num interrogatório do que num filme de terror e os quadradinhos com fotografias dos actores são uma coisa típica do cinema de catástrofe dos anos setenta. A escuridão lá está… mas não serve para muito – a não ser para destacar o título a vermelho (na ausência de uma key art melhor). Já o terceiro filme, THE EXORCIST III (1990), é um grande desastre. A escuridão lá está para conferir um ar sinistro às escadas, porém tudo parece muito forçado: o ponto de vista parece ser o de um anão no meio de duas pessoas mais altas (risos). A aplicação do título (em letras enormes e trabalhadas em excesso) torna tudo mais confuso. Another mess!

A primeira prequela EXORCIST: THE BEGINNING (2004) é na verdade a refilmagem da segunda – DOMINION: PREQUEL TO THE EXORCIST (2005) – após o despedimento do realizador. Percebeu? Não? Não faz mal, nós também não (risos). Os posters são completamente banais. O primeiro até poderia pertencer a um documentário sobre os templários ou algo semelhante (e a escuridão é acessória). O segundo bem poderia ser a capa de um DVD sobre os mistérios (ou escândalos) da Santa Sé ou sobre alguma obra do Dan Brown. É claro que tecnicamente, todos estão quarenta anos a frente do poster do primeiro filme. Mas já não possuem nenhuma ideia de fundo ou mesmo uma estratégia de comunicação com o espectador. A escuridão deu lugar à cores abundantes. Estes posters funcionam? Não se pode dizer que não. A diferença é que enquanto HALLOWEEN, EVIL DEAD II e THE EXORCIST são uma parte indissociável dos filmes, estes outros são apenas meras embalagens.🙂

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2 Respostas to “The Art of the Horror Movie Poster – Part 3.”

  1. joão rapaz Says:

    Muito Bom.
    Boa pesquisa.
    Óptima análise.
    Discordo de algumas opiniões mas isso é a parte boa de um blog: – darmos a Nossa Opinião.🙂 Bom Trabalho!!!

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