Archive for September, 2010

Mais curtas de horror portuguesas no MOTELx.

September 29, 2010

Começa hoje a 4ª Edição do MOTELx – o festival dedicado ao cinema de horror que tanto tem feito pelo género em Portugal. Nesta edição, repetiu-se a brilhante iniciativa de premiar a melhor curta-metragem de horror nacional e a fornalha de filmes propostos parece deliciosa:

“AQUELE QUE SE ESCONDE NAS SOMBRAS” de André Rebocho e Ágata Leonardo.

“BATS IN THE BELFRY” de João Alves.

“BLARGHAAAHRGARG” de Nuria Leon Bernardo.

“BREU” de Jerónimo Rocha.

“CONSEQUÊNCIAS” de Luís Ismael.

“O DESERTO DE DANTE” de Chico Alice.

“NOCTURNA” de Francisco Carvalho.

“S.C.U.M.” de Pedro Rodrigues.

“SÍNDROME DE STENDHAL” de Patrick Mendes.

“O TEMPO É UM CARACOL COM ASAS” de Mário Gomes, Matze Schrecks e Karl G.

“O TENENTE” de Rafael A. Martins.

“THOSE HAPPY DAYS” de Emanuel Nevado e Ricardo Almeida.

Vamos certamente querer ver todos os filmes, até porque é sempre uma experiência muito boa conhecer o trabalho de novos realizadores que se sentem à vontade dentro deste género tão especial e por vezes complexo de se trabalhar. Desejamos a todos boa sorte e já estamos curiosos para saber quem será o vencedor.

Uma Zombie Walk em Lisboa… como deve ser!

September 25, 2010

No próximo dia 30 de Setembro na Praça de Luís de Camões, a partir das 18:00, terá lugar a ZOMBIE WALK LISBOA 2010. Uma Zombie Walk é, como o nome indica, uma ideia sensacional: pessoas vestidas e caracterizadas como zombies a a simular uma invasão como aquelas que vemos nos filmes. A última Zombie Walk teve lugar em 2008 e já tínhamos saudades de ver zombies a atacar pelas ruas da Baixa.

E que razão melhor para uma Zombie Walk do que a vinda à Lisboa do mestre George A. Romero no âmbito da 4ª edição do MOTELx? …É que não há melhor dia para um Zombie Apocalypse!!

O evento é organizado pela Leyla Timuroglu, pelo André Pereira e pelo Tiago Rodrigues (três pessoas que certamente partilham connosco o gosto por Trioxina-245) e é apoiado pela 1001 Mundos, a editora portuguesa do já clássico ORGULHO E PRECONCEITO E ZOMBIES – de que já falámos cá no blog.

E é justamente por acharmos que uma Zombie Walk é um evento importante para Lisboa (e por sabermos que há prémios em jogo) que fizemos uma pesquisa cujo objectivo é ajudar os participantes naquele elemento tão sensível que é a caracterização. Portanto, cá vão nove links com dicas e conselhos para uma boa caracterização.

1 – How to Apply Zombie Makeup.

2 – How to Make a Zombie Makeup.

3 – Zombie Maker.

4 – So, You Wanna Be a Zombie?

5 – Zombie Makeup.

6 – Zombie Makeup Tutorials.

7 – How-To Zombie Makeup.

8 – Love to Know: Zombie Makeup.

9 – Zombie Makeup Tutorial on Vimeo.

E se encontrar um zombie verdadeiro pelo caminho, não fique nervoso. Cá vão algumas dicas caso tal aconteça:

1 – Ao contrário do que se diz, você não precisa de correr mais rápido do que ele.  Basta que você corra mais rápido do que a pessoa que estiver ao seu lado.

2 – Cuidado com os grunhidos e vocalizações. É uma tentação muito comum dizermos coisas como “Grrhh” ou “Brrgh” quando estamos caracterizados de zombie. O problema é que estes termos não significam nada e todos nós sabemos que um bom zombie faz muito e diz pouco… ou diz mais do que aquilo que fala. No entanto, caso encontre um verdadeiro zombie, será de uma enorme indelicadeza dirigir-lhe a palavra grunhindo coisas sem nexo. Felizmente, aprender a falar como um zombie é mais fácil do que, por exemplo, aprender Klingon. A learning curve é muito mais simpática. Cá está uma boa fonte para iniciantes: o Zombie Lexicon.

3 – Não aceite comida de um zombie. Especialmente se for peixe. Nunca se sabe há quanto tempo aquele peixe foi pescado. Se ele insistir muito, corra: o peixe é apenas um pretexto para uma refeição a sério (para o zombie).

4 – Nunca empreste dinheiro a um zombie. É provável que dias depois, os zombies já se tenham multiplicado por mil – e como a decomposição é um “on-going process”, há uma enorme probabilidade de você não reconhecer o zombie a quem emprestou e, logo, não saber a quem cobrar. E o mais irritante é que eles sabem-no!

5 – Se procurar no bolso pela carteira e encontrar apenas dedos putrefactos… já sabe: os zombies possuem dedos leves.

6 – Nove entre dez zombies são adeptos do slow food (é uma questão metabólica) – o que significa que um McDonald’s é uma boa opção para esconderijo. Mas não coma demais: a obesidade mata (ver dica nº1).

7 – Se tiver que abrigar-se num centro comercial, lembre-se: a época de saldos já acabou.

8 – Se um zombie cheirar demasiadamente mal, sorria e lembre-se: no Metro parisiense há pior!

A controversa arte do remake.

September 18, 2010

Toda a gente parece odiar os remakes de filmes de horror que todos os anos inundam as nossas salas de cinema.

De facto, nesta primeira década do século XXI temos vindo a assistir o surgimento de remakes de tudo e mais alguma coisa – com especial destaque para o cinema de horror. Alguns são muito bons, outros são absolutamente horríveis. Aqueles que são fãs das versões originais gritam “sacrilégio!” enquanto outros espectadores olham para o THE LAST HOUSE ON THE LEFT original (1972) e não acreditam que aquilo alguma vez tenha assustado alguém. Cá na BAD BEHAVIOR acreditamos que o cinema de horror é um universo vivo e dinâmico, onde há lugar para tudo. E ao invés de estarmos a defender ou a atacar (não é este o nosso papel), vamos tentar explicar um pouco como funciona esta controversa arte do remake.

“Destruir” é um verbo muito forte. Mas é isto que os fãs muitas vezes sentem quando se anuncia o remake de um filme que todos amam. É o que está a acontecer, por exemplo, com a nova adaptação do filme sueco LET THE RIGHT ONE IN (2008) que irá estrear dentro de alguns dias nos Estados Unidos. Chama-se LET ME IN (2010) e é realizada por Matt (CLOVERFIELD) Reeves. Ora, como ainda não vimos o filme, é claro que não podemos estar a comparar (facto inevitável). No entanto, é impossível não reparar a onda de fãs da versão original (grande filme, sim senhor!) a gritar que Hollywood irá destruir o filme sueco em prol da sua versão.

Mas a realidade é mais complexa. Primeiro que tudo, Hollywood somente pode pensar em fazer um remake se o autor da obra original (neste caso, John Ajlinde Lindquist – que além do livro também escreveu o argumento da versão sueca) concordar em ceder (a troco de dinheiro) os direitos de adaptação ao produtor norte-americano interessado.

LET THE RIGHT ONE IN foi um sucesso de bilheteira e o mérito é de todos: dos actores, dos técnicos, do realizador, do produtor e do próprio Lindquist que criou uma história muito especial. Infelizmente, sendo um filme sueco, o seu poder de penetração em vários mercados (entre eles o norte-americano) é limitado e apesar das qualidades, o retorno financeiro do filme (embora excelente para um filme de horror escandinavo) tem os seus limites. E mais: tendo em consideração que o filme sueco foi uma produção relativamente pequena, é perfeitamente natural que Lindquist NÃO tenha ganho uma soma astronómica quer pela venda dos direitos de adaptação (para o filme), quer pelo trabalho enquanto argumentista da sua própria história.

Hollywood pode ter muitos defeitos, mas não é burra. Ao longo da sua história, foram inúmeros os produtores que sentiram o cheiro de uma boa narrativa e correram a adquirir os direitos de remake – o que significa um ganho adicional SUBSTANCIAL para autores como Lindquist que sabem que o seu “material”, se utilizado por Hollywood, ganha um valor (e um preço) bastante superior àquilo que foi pago na versão original. Isto significa que a primeira pessoa responsável pelo sacrilégio de um remake de LET THE RIGHT ONE IN é o próprio autor! (risos)

O grande George A. Romero (em breve no MOTELx) é o exemplo de um autor em constante luta contra um sistema industrial – basta lermos os inúmeros textos publicados que nos mostram como tem sido difícil para este criador erguer os seus projectos (a história conturbada de DAY OF THE DEAD (1985) vem-nos à cabeça imediatamente). Mas tem sido o próprio Romero quem (com toda a justiça e o mérito do seu talento) tem se beneficiado das vendas dos direitos para remake das suas obras. O seminal NIGHT OF THE LIVING DEAD (1968) já teve dois remakes (1990 e 2006 – este último em 3D) e o remake produzido em 2004 de DAWN OF THE DEAD (1978) foi um mega-sucesso. A questão central acaba por ser esta: mesmo sendo fãs das versões originais, devemos ficar muito felizes pelo facto do Romero estar a ganhar dinheiro e notoriedade adicionais graças aos remakes de que até podemos não gostar. Aliás, é em parte graças a este sucesso adicional que nos últimos cinco anos George A. Romero pôde nos dar três novos filmes da série “…of the Dead”.

 

SACRILÉÉÉGIO!!!

 

 

Um mega-sucesso.

 

Podemos detestar o remake “muito livre” (produzido em 2008) de DAY OF THE DEAD – lançado directamente em DVD e claramente feito a pensar na popularidade do remake do Zack Snyder (até o poster tenta copiá-lo) – mas ADORAMOS o Romero… e se alguém quiser lançar um perfume chamado “THE CRAZIES” (e comprar-lhe o direito do título), lá estaremos a aplaudi-lo de pé.

Os fãs muitas vezes também esquecem que são as obras originais aquelas que mais se beneficiam com um remake. Ou porque uma boa parte do público vais querer ver o original (que até então desconhecia) ou pelo simples facto do remake “alavancar” as vendas dos clássicos. [REC] (2007) é um bom exemplo: a versão em DVD apenas foi lançada na América depois do remake e beneficiou-se justamente porque uma boa parte dos espectadores ficou a saber que havia a versão espanhola. A versão em inglês deu notoriedade à versão original. O próprio remake foi um óptimo indício (para o produtor e para os realizadores espanhóis) de que o potencial do projecto não se extinguia com apenas um filme – daí o surgimento a posteriori de três sequelas. A primeira, [REC]2 (2009) já estreou mundialmente enquanto que as restantes (mesmo sem estarem filmadas) já possuem distribuição assegurada: [REC] Genesis (2011) e [REC] Apocalypse (2012).

O sucesso da nova versão do já referido clássico DAWN OF THE DEAD fez algo semelhante: no mesmo ano em que o remake chegou aos cinemas norte-americanos (capturando o primeiro lugar do box-office), a Anchor Bay lançou uma impressionante edição especial com quatro discos infestados de extras sensacionais. Ora, se pensarmos nos custos de produção e promoção, torna-se relativamente óbvio que se não fosse o remake, uma edição destas dimensões (raras mesmos entre os grandes clássicos) seria um enorme risco – e provavelmente jamais existiria. Aqui, o remake apenas beneficiou os fãs do filme original.

Por vezes o remake comete um efeito secundário indesejável: datar a versão original. THE THING (1982) e THE FLY (1986) são remakes tão diferentes das versões originais que é impossível não notar as décadas que as separam. O lado positivo é que são estas mesmas diferenças que direccionam espectadores específicos para versões específicas (num sistema onde ambas as versões co-existem com os seus respectivos pontos fortes). É claro que há quem prefira o THE INVASION OF THE BODY SNATCHERS de 1978 (quem não se lembra do cão com cara de homem?) sobre a versão de 1956… mas independentemente dos gostos pessoais, cada uma das versões tem o seu trunfo.

Em muitos destes casos, as noções de remake e readaptação se confundem. Se quiséssemos ser rigorosos, um remake seria a reutilização do mesmo guião no todo ou em parte num filme totalmente novo (o PSYCHO do Gus Van Sant é um grande exemplo), enquanto que uma readaptação pressupõe tendencialmente uma obra original noutro médium (um livro ou um conto, por exemplo) da qual os filmes partem. Drácula, por exemplo, possui (segundo o IMDB) dezenas de adaptações. Seria absurdo considerar que todas são remakes da primeira. Mas como é lógico, cada filme é um caso e é bem possível que algumas readaptações sejam também elas remakes mais ou menos claros de adaptações anteriores segundo objectivos de produção específicos.

É por esta razão que hoje, numa lógica de cinema industrial e global, ambas as noções se confundam com tanta frequência: porque apesar de ser uma readaptação (totalmente nova) do livro de Lindquist que não deseja destruir (ou substituir) o filme original, LET ME IN representa ao mesmo tempo uma tentativa de recriar numa escala Hollywoodiana o grande sucesso de uma pequena pérola europeia. Pode parecer ofensivo para uns, business para outros, ou ainda um sinal do reconhecimento da enorme qualidade de uma grande história.

Viva o cinema de horror europeu!


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