Archive for October, 2010

Algumas das melhores bandas sonoras de arrepiar.

October 31, 2010

A música é um elemento fundamental num grande filme de terror. Seja minimal, electrónica ou sinfónica, poucos filmes abdicam dela – [REC] é um dos raros exemplos onde isto acontece. Cá na Bad Behavior, seleccionámos algumas das nossas bandas sonoras favoritas.

1 – HALLOWEEN.

E como hoje é Halloween, começamos bem. John Carpenter possui um ouvido muito especial, capaz de reforçar os ambientes e as atmosferas presentes nos seus filmes de uma forma muito clara. As repetições são frequentes, porém nunca são chatas. A banda sonora deste filme já possui inúmeras edições. Esta é uma das melhores. A sequela HALLOWEEN II repete muitos destes temas e adiciona o irresistível “Mr. Sandman” cantado pelas Chordettes.

2 – POLTERGEIST.

Esta banda sonora magnífica de Jerry Goldsmith recebeu uma indicação para um Oscar. As músicas comportam com imaginação todos os ângulos narrativos existentes ao longo do filme: a vida no bairro suburbano, as crianças, os fantasmas brincalhões, o fascínio inicial em torno de Carol Anne… e o terror absoluto. Quase que podemos ver o palhaço sobre a cadeira, a árvore, os trovões ou a porta do armário a abrir-se – tudo através destas composições inesquecíveis.

3 – PHENOMENA

Os Goblin são um elemento constante na filmografia do mestre italiano Dario Argento e PHENOMENA é um dos seus melhores trabalhos. Os temas criados para Jennifer Connelly são inesquecíveis (e bem anos 80). Mas é preciso dizer que a banda sonora completa do filme (com os Iron Maiden, Simon Boswell e outros) nunca foi editada por questões de direitos – uma pena!

4 – THE WICKER MAN

Este filme britânico de 1973 pouco conhecido (até o remake horrível produzido em 2006) possui uma banda sonora fascinante. Trata-se de um verdadeiro trabalho de amor composto por Paul Giovanni que captura com enorme sensibilidade todos os momentos da história. O CD é difícil de encontrar, sendo necessário recorrer a lojas online como a Amazon. Esta banda sonora está disponível em duas versões: uma que possui a música directamente retirada do filme (ainda com os efeitos sonoros presentes) e outra mais recente que contém apenas a música. É neste último CD que encontramos a canção “Gently Johnny” que narra com uma beleza extrema a iniciação sexual de um rapaz… numa das cenas mais belas alguma vez escrita para um filme de terror.

5 – VERTIGO

Existem inúmeras regravações desta obra-prima de Bernard Herrmann. Mas apenas neste CD podemos encontrar a versão original utilizada no filme, regida pelo maestro Muir Mathieson (o director musical do filme) e meticulosamente restaurada pela Universal. O próprio Herrmann, em 1969, viria a gravar uma suite contendo “Prelude”, “The Nightmare” e “Scène d’Amour” para um album (“Music from the Great Hitchcock Movie Thrillers”) da série Phase 4 Stereo lançada pela London (Decca). Mas neste CD, temos a versão original do filme.

6 – THE TWILIGHT ZONE (Vols. 1 e 2)

Bernard Herrmann assinou o inconfundível tema desta mítica série em 1959. No entanto os episódios possuíam música composta por outros nomes além do próprio Herrmann: Jerry Goldsmith, Marius Constant, Nathan Van Cleave, Rene Garriguenc, Leonard Rosenman e Fred Steiner. Estes dois CDs contém as melhores bandas sonoras da série.

7 – PSYCHO

A banda sonora original de PSYCHO nunca foi editada e permanece (junto com REAR WINDOW) como o Santo Graal das bandas sonoras. No entanto, o próprio Bernard Herrmann gravou a sua versão “Psycho (A Narrative for Orchestra)” no já citado álbum “Music from the Great Hitchcock Movie Thrillers”. Trata-se de uma suite com as passagens essenciais (a cena do duche lá está). Para quem procura a versão completa, a regravação da banda integral pelo Danny Elfman é uma boa opção.

8 – LET THE RIGHT ONE IN

Este filme sueco já conhecido de toda a gente é outra pérola. A história da relação entre Oskar e Eli é acompanhada de uma banda sonora muito bela, capaz de transmitir toda a solidão e a melancolia de Oskar. Johan Soderqvist compôs uma banda sonora única para um filme destinado a tornar-se um clássico. Pena é que este CD tenha uma edição de apenas 500 cópias.

9 – ALIEN

Jerry Goldsmith compôs um dos seus melhores e mais complexos trabalhos para este clássico de Ridley Scott. No entanto, o percurso desta banda sonora foi muito conturbado e várias cues foram trocadas de lugar no interior do filme e outras nem chegaram a ser utilizadas. Nesta edição de dois discos lançada pela Intrada temos finalmente a banda sonora de Jerry Goldsmith em toda a sua glória. Vale à pena descobrir. James Horner e Elliot Goldenthal compuseram as bandas sonoras (também magníficas) das duas sequelas seguintes.

10 – JAWS

É impossível não nos lembrarmos de John Williams, o compositor desta banda sonora que nos é tão familiar. Passados 35 anos desde o lançamento do filme, este exército orquestral a aproximar-se de nós em golpes imparáveis continua tão assustador quanto brilhante. Podemos perguntar a qualquer pessoa qual é a primeira coisa que lhe vem à cabeça quando pensa neste filme. A resposta será sempre cantarolada 🙂

Esta lista poderia conter mais 20 ou 30 títulos inesquecíveis. No entanto, estes dez já são capazes de tornar qualquer noite de Halloween numa experiência muito especial.

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Em breve: o finlandês “Rare Exports”

October 30, 2010

RARE EXPORTS é um filme finlandês realizado por Jalmari Helander que promete dar muito que falar. Trata-se de uma co-produção entre finlandeses, suecos, noruegueses e franceses. O projecto nasceu a partir de duas curtas-metragens sensacionais que pode ver abaixo. A história parte de uma premissa genial: o Pai Natal é, na verdade, uma besta selvagem que os finlandeses domesticam, treinam e exportam para o mundo inteiro.

O filme já possui data de estreia no mercado norte-americano. Novamente, cá está o cinema europeu a mostrar que tem óptimas ideias. É de projectos com esta qualidade criativa que o cinema português necessita.

São projectos assim que a Bad Behavior está a desenvolver. 🙂

O homem que enganou Sir Arthur Conan Doyle.

October 30, 2010

Toda a gente já viu pela net aquelas imagens (algumas muito antigas) de espíritos capturadas em fotografias. Mas pouca gente conhece a fascinante história de William Hope, o pioneiro da chamada spirit photography que enganou multidões no princípio do século XX.

Quase cem anos antes do nosso grande amigo, o Photoshop, Hope percebeu que ao expor duas vezes a mesma chapa fotográfica, conseguia sobrepor imagens fantasmagóricas às imagens de pessoas – e começou a explorar o filão, ao criar o Crewe Group: um grupo de espiritualistas do qual era o líder. É claro que como não se pode enganar toda a gente o tempo inteiro, várias pessoas tentaram denunciar os métodos fraudulentos de Hope. No entanto e apesar das inúmeras denúncias, o “investigador” conseguiu manter sempre a sua base de seguidores. Entre estes contava-se o célebre autor de Sherlock Holmes, Sir Arthur Conan Doyle.

Doyle era um homem fragilizado que entrou em depressão após a morte da esposa (em 1906), do filho (em 1918) e pouco tempo depois, de dois cunhados e dois sobrinhos. Ao encontrar algum conforto no espriritualismo, Doyle esforçou-se em defender a imagem de William Hope, chegando mesmo a escrever The Case for Spirit Photography em resposta às acusações de Harry Price que tentou inúmeras vezes denunciar as fraudes de Hope.

As fotografias criadas por Hope ainda circulam, tendo influenciado inúmeras pessoas ao longo do tempo (crentes ou não). Elas são mais uma prova de como a mente humana acaba sempre por encontrar respostas (mesmo que erradas) e conforto para as suas dúvidas e medos acerca do desconhecido.

Como diria William Makepeace Thackeray em Barry Lyndon: “(…) the aforesaid personages lived and quarreled; good or bad, handsome or ugly, rich or poor, they are all equal now.”

Filme europeu da semana: “Dorothy Mills”.

October 9, 2010

DOROTHY MILLS (2008) é uma co-produção franco-irlandesa realizada por Agnès Merlet que merece ser descoberta. Ao contrário do que parece, este filme de horror não é apenas mais uma das milhentas imitações de THE EXORCIST (1973) que encontramos por todo o lado. Pelo contrário, aqui temos a história de Jane, uma psiquiatra que viaja até uma ilha irlandesa onde uma rapariga (Dorothy) parece estar em perigo. Segundo dizem, a jovem Dorothy está a ser vítima de uma possessão demoníaca. O ponto de viragem no filme tem lugar quando Jane começa a suspeitar de que a adolescente possui, na verdade, um transtorno de múltiplas personalidades – o que explica as várias entidades que ocasionalmente tomam conta do seu corpo.

Mas a verdade em torno de Dorothy é mais complexa do que isto e o filme consegue manter o nosso interesse até ao fim.

Este filme de terror está disponível em Portugal, podendo ser facilmente encontrado em DVD ou VOD. Quem já viu o filme costuma sempre falar no desempenho da actriz Jenn Murray (Dorothy) que realmente faz desta produção uma obra bastante singular – a mostrar que o cinema de horror europeu procura sempre aumentar a fasquia e oferecer aos seus espectadores algo de verdadeiramente especial.

Mais um MOTELx chega ao fim… :-(

October 4, 2010

…E lá veio o vento (e a chuva) a levar mais uma edição do MOTELx. Como não podia deixar de ser, a organização esteve de parabéns. Tudo parece ter sido impecável e a escolha dos filmes deste ano foi sensacional. Mas o grande momento foi sem dúvida a presença do mestre George A. Romero que ao longo de 90 minutos deliciou uma sala cheia de fãs (guilty here!) com a sua simpatia e bom humor. Ficámos a saber que o mestre deseja fazer mais dois filmes “…of the Dead” e que não gosta muito da ideia de zombies que correm infectados com um vírus: “my zombies are dead!” – explicou o criador do NIGHT OF THE LIVING DEAD (1968).

No final da sessão, lá esperámos todos por um autógrafo. Valeu a espera. Saímos todos da sala com a sensação de termos estado na Capela Sistina numa visita conduzida pelo próprio Michelangelo.

É claro que o fim do MOTELx também trouxe coisas muito interessantes. Uma delas foi conhecer a curta-metragem portuguesa vencedora. O prémio este ano foi para “BATS IN THE BELFRY” de João Alves. Os nossos parabéns para o João e para todos os outros participantes. As curtas-metragens deste ano foram muito boas e parece que ano após ano, vemos melhorias significativas nos filmes presentes a concurso.

E para o ano há mais. Viva o MOTELx e viva o cinema de horror europeu!


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