Filme europeu da semana: “Night Watch”.

NIGHT WATCH (2004) de Timur Bekmambetov é um dos maiores sucessos de sempre do cinema russo juntamente com a sua sequela, DAY WATCH (2006) – este sim, o maior sucesso de sempre.

O projecto começou como uma encomenda do Channel One Russia – o canal público de TV na Rússia – enquanto adaptação da série de livros escritos por Sergey Lukyanenko. No entanto, já em fase de produção, o material filmado demonstrou um potencial que não podia ser ignorado. A estratégia de distribuição foi repensada e o filme teve como destino as salas de cinema.

É impossível não notar como o “Canal 1” na Rússia é diferente do “Canal 1” em Portugal – risos.

NIGHT WATCH foi um sucesso estrondoso, atraindo logo a atenção da 20th Century Fox que rapidamente adquiriu os direitos de distribuição globais (excluindo a própria Rússia e as repúblicas do Báltico). Até a data, apenas o primeiro filme arrecadou mais de 30 milhões de dólares, tendo sido distribuído (pela Fox, claro) em mais de 40 países. Nos Estados Unidos, por exemplo, onde o filme estreou em limited release, conseguiu uma receita bruta de um milhão e meio de dólares. Nada mal. Em Espanha arrecadou ainda mais: 2,7 milhões. No Brasil, 200 mil. Até nas Ilhas Fiji o filme foi distribuído.

Novamente, é impossível não notar como o “Canal 1” na Rússia é diferente do “Canal 1” em Portugal…

O filme custou 4,5 milhões de dólares e, se tivermos em conta a enormidade de efeitos especiais que o filme possui, é inegável que NIGHT WATCH é um triunfo de produção – goste-se ou não do filme em si. E no domínio do gosto, este filme também é ímpar: mesmo antes de estar terminado o filme foi sistematicamente atacado por alguns intelectuais e artistas russos que criticaram violentamente o uso abrangente de efeitos especiais. Chegaram mesmo a apelidar o filme de “Night Shame”.

Mas há outro elemento interessante por detrás de NIGHT WATCH que seria bom observar: a sua estratégia de product placement. Ao longo do filme pode-se ver as seguintes marcas: Audi, Nescafé, Nokia, Adidas, Rambler (um motor de busca e portal russo) e MTS (a maior operadora russa de telemóveis – equivalente à nossa TMN).

Nada mal. Cá vão alguns screenshots bem elucidativos.

A Nescafé aparece em duas cenas.

Este Audi TT é conduzido pelos vampiros e aparece em várias cenas com enorme destaque.

Além do Audi, este vampiro veste Adidas (que aparece em duas cenas).

A Nokia aparece sozinha ou na companhia da operadora MTS.

A Rambler aparece em enorme destaque numa cena do filme.

Se pensarmos no NIGHT WATCH como um exemplo daquilo que um canal público consegue fazer quando pensa em produzir projectos altamente competitivos a nível internacional, então torna-se clara a quantidade de coisas sensacionais que os canais portugueses (públicos ou não) poderiam estar a fazer… mas não fazem.

Viva o cinema de terror europeu.

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