Archive for April, 2011

Cinco filmes de terror europeus que não devemos perder!

April 26, 2011

Cá na BAD BEHAVIOR achamos imperioso prestigiar o cinema de terror europeu. Assim sendo, compilámos uma pequena lista de filmes europeus de terror que não devemos perder. Há um pouco de tudo e para todos os gostos. Vários países estão representados – o que significa que o terror parece próspero e recomenda-se. Ainda mais nestes tempos de crise, onde o que mais nos apetece é entrar numa sala de cinema, ver pessoas a serem decapitadas, estropiadas e devoradas… e esquecer os horrores da vida real. 🙂 (Risos)

Assim sendo cá vão os filmezinhos com respectivos posters e trailers para vos estimular o apetite.

1 – ATROCIOUS (2010) de Fernando Barreda Luna – Espanha/México.

Este filme conta a história da família Quintanilla que fora assassinada há uma década. A polícia encontra uma câmara de vídeo e 37 horas de vídeo que irão reconstruir os seus últimos momentos. As imagens foram gravadas por Cristian e sua irmã que investigam mitos urbanos. Aquando dos crimes, a família estava em sua casa de campo em Sitges. As similaridades entre este filme e outros – THE BLAIR WITH PROJECT (1999), [REC] (2007) CLOVERFIELD (2008) e PARANORMAL ACTIVITY (2007) – parecem apontar para o surgimento de um novo trend (ou o solidificar de um estilo) no qual as histórias são contadas através de vídeos de arquivo gravados em directo ou recolhidos depois dos incidentes.

2 – CAPTIFS (2010) de Yann Gozlan – França.

O título internacional deste filme é CAGED e conta a história de Carole, uma enfermeira que se encontra em missão humanitária algures no leste da Europa. Com o fim da missão, Carole prepara-se para regressar a casa. No entanto, Carole e dois dos seus colegas são raptados e levados para um sítio sinistro onde irão descobrir os planos que seus captores têm guardados para eles. O trailer e o poster dizem que o filme é inspirado em factos reais. Hmm… que reconfortante. Para os amantes da violência, este filme promete não decepcionar.

3 – TROLLJEGEREN (2010) de André Øvredal – Noruega.

THE TROLL HUNTER (título internacional) é um dos filmes de terror mais aguardados do ano. E com todo o mérito! Um grupo de estudantes tenta produzir um documentário sobre Hans, um caçador de ursos que se recusa a colaborar. No entanto, ao segui-lo sem sua autorização, o grupo descobre que Hans é, na verdade, um caçador de trolls. E os trolls são verdadeiramente terríveis, conforme o grupo irá descobrir. O filme é narrado em estilo documental e mistura o terror com comédia na medida em que rapidamente o espectador vai perceber que a situação está fora do controlo do grupo. O filme vai buscar referências a vários outros: do [REC] ao JURASSIC PARK (1993) com piadas e sustos como os espectadores bem gostam. Note-se que o filme é distribuído pela A B Svensk Filmindustri – a mesma que produzia o Ingmar Bergman.

4 – WIR SIND DIE NACHT (2010) de Dennis Gansel – Alemanha.

WE ARE THE NIGHT (título internacional) parte de um conceito muito interessante: SEX AND THE CITY meets THE LOST BOYS. É desta forma que muita gente tem resumido este filme que conta a história de um grupo de vampiras alemãs que vagueiam pela vida nocturna de Berlim: Louise, Charlotte e Nora que levam uma vida de sexo, compras, estravagâncias e, claro, sangue. Numa entrevista recente, o realizador explicou que este filme foi recusado por todos os produtores que conheceu, levando 14 anos até ser produzido. O que aconteceu ao fim deste tempo todo? TWILIGHT (2008) é a resposta. Subitamente os vampiros voltaram a estar na moda com toda a força. Ainda bem e mais vale tarde do que nunca. 🙂

5 – ZWART WATER (2010) de Elbert van Strien – Holanda/Bélgica.

TWO EYES STARING (título internacional) conta a história de uma miúda que acaba de mudar-se para uma enorme propriedade herdada pela mãe após a morte da avó. Rapidamente iremos perceber que a mansão esconde muito mais do que aparenta e a miúda irá fazer amizade com um fantasma que vive na cave. Estamos claramente num universo que nos lembra nomes como Guillermo del Toro, Juan Antonio Bayona e ainda Alejandro Amenábar. No entanto, é excelente ver aparecer mais cinema de terror holandês. O filme merece ser descoberto ainda mais se tivermos em consideração que Charlize Theron já adquiriu os direitos de remake norte-americano. 🙂

Temos muito que aprender com estas pessoas que fazem do cinema de terror europeu um universo tão rico e economicamente tão sustentável. Viva o cinema de terror europeu!

Genial: a casa da Sra. Bates… o modelo em papel!

April 23, 2011

Quem não gostaria de possuir uma beleza destas?

Recentemente pusemos o Sr. Ray Keim na nossa lista de pessoas de bem. Tudo isto porque este senhor teve a bondade e a paciência (e por que não a paixão?) de nos oferecer este modelo em papel da casa da Sra. Bates do filme PSYCHO (1960) para que possamos adicionar algum sentido às nossas vidas. Quantos de nós não andam perdidos a pensar “qual será o sentido da vida?” ou “de onde vim e para onde vou?” ou ainda “qual será a missão que justifica a minha existência?”. Bem… para alguns de nós esta vida errante chegou ao fim. Cá está algo que irá deleitar o horror geek que existe em cada um de nós. E o melhor é que para aceder ao sétimo céu basta uma impressora, cola, tesoura, papel, pinça… algum talento e imaginação.

Faça aqui o download da Bates House.

O modelo em si pode ser impresso em papel normal, embora seja mais aconselhável que as maiores peças sejam impressas num papel de maior gramagem (mais rijo e pesado). Isto porque o papel A4 mais banal poderá deformar-se depois da peça montada. A utilização de um papel mais denso tenderá a resultar numa estrutura mais resistente. Já os frisos e adornos (no alpendre e no telhado, por exemplo) funcionam muito melhor se forem impressos em acetato transparente para que possamos ver através deles. É fundamental também deixar a impressão secar algumas horas antes de começar a montar. É um erro montar qualquer estrutura com o papel ainda húmido da impressora.

Este modelo foi criado por Ray Keim, um génio multifacetado que cobre áreas como o design gráfico, a animação e que colabora com pesos pesados do entretenimento como a Disney e a Universal. “Haunted Gateways” é o seu website onde podemos ficar a conhecer um pouco mais sobre o Sr. Keim e o seu trabalho. Mas já agora, e para quem gosta de modelos de papel, o Sr. Keim possui uma série de casas assombradas intitulada The FREE Haunted Model Collection (também em papel, para montar) como esta que pode ver ao lado. Mas atenção: o grau de dificuldade destes modelos é considerável. E é tudo de borla!!!! 🙂

Os cinemas de terror e de ficção científica são únicos na criação de mundos que perduram na imaginação do público e este facto resulta em relações de culto sem paralelo noutros géneros (com excepção apenas do cinema infantil ou de animação). Basta olharmos para esta outra homenagem muito especial feita por designers da República Checa: The Alien Papercraft. Hmm… aqui estamos claramente noutro patamar de paixão e geekness que merece a nossa admiração.

Abaixo estão algumas fotos dos modelos do Sr. Ray Keim:

LOL (parte VI)

April 22, 2011
É chegada a Páscoa… provavelmente a comemoração Cristã mais incompreendida e subvalorizada de todas (basta, por exemplo, comparar esta celebração com o frenesi em torno do Natal). De facto, parece que para a 95% das pessoas a Páscoa é simplesmente aquela altura do ano em que, por alguma razão, lá nos deixam dar uma escapadela até a praia. Já para as crianças, a felicidade é tripla: praia, férias e ovos de chocolate. Pois foi a pensar nelas que seleccionámos treze imagens de simpáticos coelhinhos de Páscoa com os quais nós adultos insistimos em as torturar. Enjoy!
“Mas que dentes tão grandes, Sr. Coelho!”

Esperem só até o coelho acordar e descobrir o caçador apetitoso que lhe esteve a fazer cócegas com umas bolinhas de chumbo.

Temperatura exterior: 30ºC. Temperatura no interior do fato: 45ºC.

Oh, que coelhinho tãããão querido.

O coelhinho da Páscoa que se esconde debaixo da cama.

Esta senhora hoje tem oito casamentos fracassados, três filhos presos e tudo tem a ver com esta foto.

Quatro dias depois da foto ter sido tirada esta miúda decidiu que jamais sairia do quarto. Hoje ainda lá continua. Os pais não sabem o que fazer.

Passados 25 anos desde a data desta foto, ambos ainda acordam aos gritos no hospital psiquiátrico onde vivem.

A criança desta foto, ainda hoje não consegue explicar o motivo pelo qual não consegue aproximar-se de pessoas que vestem cor-de-rosa. Cá está uma sugestão.

Este miúdo passou 30 anos a procura do homem que estava no interior deste coelho. Ao encontrá-lo, amarrou-o, e voltou a pô-lo no mesmo de fato de coelho que guardou religiosamente ao longo de tantos anos. Depois enterrou-o vivo... e plantou cenouras por cima.

Esta miúda irá descobrir dentro de minutos que este coelho e o Ku Klux Klan partilham entre si mais do que o mesmo estilista.

Um dia os pasteleiros Talibãs decidiram mostrar o que pensam da Páscoa num concurso culinário... e cá está o primeiro prémio.

...Mas eis que chega a Cavalaria!

Teatro radiofónico de terror… “Lights Out”.

April 15, 2011

A internet é mesmo fabulosa. Há tempos soubemos da existência deste blog http://otrarchive.blogspot.com/ onde podemos encontrar uma infinidade de teatros radiofónicos norte-americanos e ingleses desde os anos 30 até a actualidade. Nomes como Dick Tracy, Superman e Flash Gordon… sim, lá estão todos! São dezenas e dezenas de antigas séries radiofónicas. Muitas já esquecidas. Entre elas, destacamos algumas dedicadas ao terror 🙂 e é preciso dizê-lo: elas metem mesmo um medo do caraças!!! Pouca gente hoje se recorda da popularidade que estas séries tiveram no passado (mais propriamente no tempo dos nossos avós). Mas a verdade é que em seu tempo, estas obras foram ainda mais populares do que a televisão é hoje. E o grau de eficácia e excelência destas narrações (com vozes, música e efeitos sonoros) dificilmente consegue ser reproduzido.

LIGHTS OUT (1934-1947) é um destes exemplos. A série era transmitida à meia-noite pela WENR, sendo a criação de Wyllis Cooper, escritor da NBC que teve a ideia de produzir uma série de histórias de terror que entrou para a história da rádio. O sucesso deste projecto foi estrondoso e a série manteve-se no ar durante mais de uma década. Zombies, fantasmas, assassinos, violência… está tudo aqui, meus amigos! E é incrível como apenas o som consegue nos fazer visualizar toda a imagem que falta à rádio. Era este o trabalho de imaginação que era pedido ao ouvinte. “Scoop” é o nosso episódio favorito: a história de um editor de jornal que é perseguido pelo velho jornalista que se atirou da janela após ser despedido. Arrepiante!

Reminiscências fascinantes de um tempo perdido…

Filme europeu da semana: “Die Tür”.

April 15, 2011

David perde a filha (morta por afogamento numa piscina) numa tarde durante a qual este tem um encontro com uma vizinha (com quem mantém uma relação). Passados alguns anos, ele é uma sobra daquilo que fora no passado. Atormentado pela culpa, luta como pode para conseguir minimamente reconquistar um pouco da vida que perdeu. Rejeitado pela ex-mulher, David parece ter chegado ao fim. Mas eis que numa noite, David encontra uma porta que o conduz de volta no tempo até minutos antes do acidente que matou a sua filha. David impede a morte da criança e a vida segue neste destino alternativo no qual David tem que viver. Porém, as coisas não são nada simples e em breve a vida irá tomar um curso imprevisto e horrível. Há sempre um preço caro a pagar quando alteramos o curso natural das coisas…

DIE TÜR (2009) de Anno Saul é um filme alemão que funciona como poucos na construção de uma tensão que é bem gerida até ao fim. Trata-se da adaptação do livro de Akif Pirinçci (que é considerado o Stephen King alemão). Porém, o filme faz algumas alterações significativas ao livro – o que nos chama a atenção para o facto de que por vezes, um filme necessita de alguma liberdade para poder funcionar plenamente num médium específico, com necessidades específicas. Cá está o trailer deste filme imperdível.

Viva o cinema de terror europeu! 🙂

O horrível mundo dos assassinos em série portugueses.

April 14, 2011

THE BOSTON STRANGLER (1968) foi inspirado em Albert DeSalvo.

Poucos tipos humanos têm fascinado tanto o cinema quanto os assassinos em série. Ano após ano, novos filmes vão surgindo que nos permitem um olhar sempre privilegiado sobre estas pessoas. Grandes produtores, argumentistas, actores e realizadores encontram nestes casos horríveis histórias de excepção que ainda hoje hipnotizam espectadores em todo o mundo. Assim, filmes como THE SILENCE OF THE LAMBS (1991), SE7EN (1995) e ZODIAC (2007) mostram aquilo que de melhor o cinema mainstream consegue produzir. Já obras como  HENRY: PORTRAIT OF A SERIAL KILLER (1986),  THE HONEYMOON KILLERS (1969) ou ANGST (1983) – de que já falámos antes – mantêm-se abaixo do radar como pérolas silenciosas a espera de serem descobertas por espectadores recém-chegados. No extremo posto, filmes como PSYCHO (1960), PEEPING TOM (1960) e THE BOSTON STRANGLER (1968) mantêm-se firmes na sua posição de clássicos definitivos.

Algumas pessoas podem pensar que os assassinos em série são uma coisa do cinema norte-americano. Trata-se de um erro grosseiro. Um pouco por todo o mundo, grandes filmes vão aparecendo por forma a mostrar que histórias como estas, em que o ser humano se revela capaz de monstruosidades extremas, existem muito próximas de nós. Dois casos ilustram isto muito bem THE CHASER (2008) e SPOORLOOS (1988): dois grandes filmes provenientes de cinematografias bastante distintas. O primeiro chega-nos da Coreia do Sul (cinematografia bastante rica em thrillers que são tão bons quanto são violentos). Já o segundo filme é uma co-produção entre a Holanda e a França que conta a história de um desaparecimento com contornos arrepiantes (Os direitos de remake do filme SPOORLOOS foram vendidos para os Estados Unidos onde a versão americana THE VANISHING de 1993 obteve um enorme sucesso).

Em Portugal, é incompreensível o quão pouco o nosso cinema olha para estas personagens tão fascinantes – ainda mais se pensarmos nos vários assassinos em série portugueses que ao longo dos anos têm sido notícia. E se pensarmos nos assassinos em série europeus em geral, a amplitude de personagens potencialmente únicas aumenta significativamente. Aqui segue uma rápida pesquisa sobre alguns dos “serial killers” portugueses mais conhecidos nos últimos tempos.

O Rei Ghob.

1 – FRANCISCO LEITÃO: O REI GHOB (Torres Vedras).

Durante semanas, Portugal inteiro andou fascinado com os desvarios e maluquices deste homicida esotérico que possuía no Youtube vídeos onde mostrava seus poderes paranormais (com recurso a vídeos toscamente alterados) enquanto tecia considerações sobre o fim do mundo. As pessoas achavam piada àquele homem “excêntrico” que vivia numa casa meio acastelada e que mantinha umas amizades estranhas com alguns jovens da zona. Mais tarde, alguns destes jovens acabaram por desaparecer, transformando esta história banal num caso de polícia. Claramente o Rei Ghob é uma personagem perdida num mundo que não é o nosso. Ou talvez ele seja o produto de um mundo que também é nosso. Muito já se disse sobre este homem… de “mente brilhante” à “retardado”. Os corpos ainda não foram encontrados. O processo já vai em 20 volumes e 30 testemunhas. “Retardado”? Muito improvável. Segundo a polícia, o Rei Ghob não é considerado um assassino em série. Detalhes… detalhes…

2 – O CABO DA GNR ANTÓNIO COSTA (Santa Comba Dão).

Já o Cabo da GNR António Costa é um caso diferente. Entre 2005 e 2006, violou e matou três raparigas. No entanto, estamos diante daquele perfil clássico do homem de bem, simpático, bondoso, educado, casado, religioso e honesto – sobre o qual jamais recairiam quaisquer suspeitas. E mais: tal como em inúmeros outros casos, o ex-cabo vivia muito próximo das vítimas e até era conhecido das mesmas. Porém, por detrás deste homem magro, baixo e religioso (com fotos do Papa João Paulo II espalhadas pela casa) residia uma outra figura capaz de crimes violentos provocados por impulsos horríveis. Sua esposa era cozinheira numa escola e um dos seus dois filhos também pertencia à GNR. Este homem era alguém acima de qualquer suspeita. Foi condenado a 25 anos de prisão.

3 – O ESTRIPADOR DE LISBOA (Lisboa).

Este homicida esteve activo entre 1992 e 1993, tendo assassinado três mulheres. Mas ao contrário dos anteriores, nunca foi apanhado, tendo simplesmente desaparecido. As três vítimas, prostitutas, foram estranguladas e cortadas – tendo alguns dos seus órgãos sido removidos. Mais tarde, a polícia viria a sugerir uma ligação deste assassino à duas outras mulheres mortas em 1990. O “Estripador de Lisboa” foi comparado ao célebre Jack the Ripper e algumas polícias chegaram também a compará-lo a outros homicídios envolvendo mulheres ocorridos noutros países. O que terá impedido este assassino de continuar? Estará vivo? Estará morto? Os crimes já prescreveram. A RTP, nos anos 90, até exibiu uma série inspirada no caso que… puh-leeese!

Cá está... o próprio!

4 – DIOGO ALVES (Lisboa).

Diogo Alves dispensa apresentações. Assaltava pessoas que passavam pelo Aqueduto das Águas Livres. Depois atirava-as lá de cima(!!). As vítimas foram – dizem – às dezenas. Foi executado em 1841. Sua cabeça encontra-se conservada em formol numa jarra de vidro na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Ugh! Curiosamente, um dos primeiros filmes de ficção feitos em Portugal chama-se “Os Crimes de Diogo Alves” que data de 1911 (há precisamente cem anos).

5 – ZÉ BORREGO (Lisboa).

Este assassino em série foi impelido por Nossa Senhora a vir para Lisboa com o objectivo de acabar com o pecado – leia-se: homossexuais. Estava-se em 1960. Zé Borrego faz ao todo cinco vítimas. Sempre com o mesmo método: seduzia um homem, levava-o para uma pensão onde estrangulava a vítima, esquartejava-a e depois lançava tudo para o rio. Na prisão faz amizade com um guarda que pediu-lhe que não voltasse a matar. Zé Borrego já há algum tempo lhe havia dito que faltava matar apenas duas pessoas (dois guardas que o tinham espancado). Ao aceitar o pedido do amigo, e sendo um homem de palavra, suicidou-se em sua cela.

6 – VITOR JORGE (Pombal)

O massacre da Praia de Osso da Baleia teve lugar em 1 de Março de 1987. Vitor Jorge matou cinco jovens (a quem tinha dado boleia) a tiro e à pancada. Depois foi para casa e matou a esposa e a filha mais velha de ambos. O crime chocou o país e o réu pediu para ser internado para o resto da sua vida. Tinha medo de voltar a matar. Foi condenado a 20 anos. Cumpriu 14. Foi libertado em 2001 e ao que parece, hoje vive em França. Ainda no dia do massacre, decidiu poupar a vida aos filhos mais novos.

Todas estas pessoas representam percursos de vida singulares que hoje, apesar de tudo, ainda permanecem apenas parcialmente compreendidos. No entanto, os dramas, terrores, medos, abusos e frustrações (ou seja lá o que for) que produzem assassinos em série têm muito a ver connosco na medida que vivemos todos a fazer mal uns aos outros. O cinema é prodigioso a compor retratos incríveis destes estados de monstruosidade. Sentados numa sala de cinema, observamos com enorme atenção estes seres quebrados. Acompanhamos as suas histórias com grande fascínio – um fascínio que talvez seja resultante do reconhecimento de que eles, afinal, somos nós depois de um ou mais dias em que tudo corre demasiado mal. No entanto, hipnotizados por um filme de terror, estamos protegidos de nós próprios.

Conversas Imaginárias 2011.

April 13, 2011

Será com muito gosto que daremos um salto até ao Porto para a edição de 2011 das CONVERSAS IMAGINÁRIAS que terá lugar no Clube Literário do Porto nos dias 16 e 17 de Abril. O programa irá tratar de literatura e arte fantástica, ilustração, banda desenhada e, claro, cinema fantástico (onde estaremos à conversa com gente igualmente fantástica).

O número de fãs do fantástico no nosso país é enorme e eventos como este em que a malta possa trocar ideias, conversar e dar a conhecer aquilo que se anda a fazer são sempre bem-vindos. Queremos mais!

Apareçam! 🙂

Filme europeu da semana: “Dead of Night”.

April 8, 2011

DEAD OF NIGHT (1945) de Alberto Cavalcanti, Charles Crichton, Basil Dearden e Robert Hamer é mais do que um filme britânico de terror: é uma das obras mais influentes no género, cujos ecos podem ainda hoje ser encontrados em inúmeros outros filmes. Esta obra é, na verdade, uma colecção de quatro histórias unidas em torno de Walter Craig, um arquitecto que viaja até uma casa no campo onde tem um compromisso com alguém que ele ainda não conhece pessoalmente. Ao chegar, Walter encontra um grupo de pessoas que está reunido para uma festa. Mas aos poucos, ele apercebe-se de algo desconcertante: Walter já conhece aquela casa e aquelas pessoas de um pesadelo recorrente que o atormenta. O sonho começa e desenvolve-se sempre da mesma forma até um incidente que deverá acontecer em breve. O desenlace do sonho permanece um mistério, pois Walter costuma acordar assustado e a gritar sem qualquer recordação do mesmo. Ao ouvirem a história, os convidados permanecem divididos entre o fascínio e a incredulidade… mas pouco a pouco, alguns vão relatando histórias sobrenaturais com as quais estão relacionados. A noite passa e quatro convidados contam as suas histórias. Entre cada uma, Walter vai percebendo todos os incidentes que acontecem tal como no seu sonho. No final… 🙂 .

Alberto Cavalcanti (1897-1982) foi um realizador brasileiro com uma carreira ímpar. Realizou mais de 50 filmes. Começou como arquitecto. Depois trabalhou no consulado brasileiro em Liverpool. Entretanto, conheceu Marcel L’Herbier (LE BONHEUR e LA NUIT FANTASTIQUE) e rapidamente começou a fazer cinema em França onde trabalhou como production designer, director de guarda-roupa, assistente de realização, montador e realizador. No Reino Unido trabalhou nos estúdios Ealing, onde chegou a dirigir o departamento de produção. Realizou algumas obras-primas do cinema britânico de propaganda – entre elas, WENT THE DAY WELL? (1942) que viria mais tarde a influenciar o clássico VILLAGE OF THE DAMNED (1960) de Wolf Rilla e INGLORIOUS BASTERDS (2009) de Quentin Tarantino. Anos depois, no Brasil, viria a ser um dos fundadores dos estúdios da Vera Cruz, nome incontornável na História do cinema brasileiro. Em DEAD OF NIGHT, Cavalcanti (conforme assinava, sempre sem o “Alberto”) realiza as sequências “Christmas Party” e “The Ventriloquist’s Dummy”.

DEAD OF NIGHT é também o segundo filme de Charles Crichton (1910-1999) que assinou o segmento “Golfing Story”. Mas este realizador ficou posteriormente conhecido por títulos como THE LAVENDER HILL MOB (1951), THE MAN IN THE SKY (1957), SPACE 1999 (1975-1976) e ainda o conhecido A FISH CALLED WANDA (1988) com John Cleese, Jamie Lee Curtis, Michael Palin e Kevin Kline.

Os filmes de antologia como este DEAD OF NIGHT estiveram na moda durante os anos 60 e 70. SPIRITS OF THE DEAD (1968) que possui três histórias assinadas por Federico Fellini, Roger Vadin e Louis Malle é um dos exemplos mais conhecidos. BLACK SABBATH (1963) de Mario Bava – filme de que já falámos em posts anteriores – é outro exemplo. No entanto, o formato perdeu uma boa parte do seu apelo junto do público e hoje é muito raro.

Viva o cinema europeu de terror!

Mais livros para quem gosta de cinema de terror.

April 2, 2011

Alguns dos nossos primeiros posts falavam de livros dedicados ao cinema de terror. E de facto, nos últimos anos, o mercado editorial de língua inglesa lançou excelentes obras que merecem ser descobertas pelos fãs do género. Cá na BAD BEHAVIOR acreditamos que a pesquisa é um ponto essencial na produção de terror de qualidade. É muito importante conhecer bem o género antes de experimentá-lo. Ter uma ideia do que já foi feito (e como foi feito) pode ajudar qualquer novo autor a descobrir novos caminhos – ou simplesmente acrescentar algo de novo ao que já foi dito.

HORROR 101: THE A-LIST OF HORROR FILMS AND MONSTER MOVIES.

Editado por Aaron Christensen – 2007.

Este livro é composto por uma colecção de ensaios escritos por jovens novelistas, argumentistas, jornalistas, artistas gráficos, editores, cineastas e fãs dedicados aos inúmeros monstros e vilões no cinema de terror. Cada ensaio está centrado em um ou dois filmes de eleição onde ficamos a saber um pouco sobre a origem das obras (e suas personagens), o impacto que elas causaram e os elementos de fascínio em cada um destes universos. A lista de filmes é longa e o livro cobre praticamente todos os subgéneros conhecidos. Mas o melhor deste livro é o facto de ele não ser escrito por intelectuais ou estudiosos… mas sim por gente que realmente aprecia o género e que é capaz de escrever sobre os filmes na óptica do espectador. Como seria de esperar, o cinema de terror europeu está representado. Ficamos ansiosamente a espera do segundo volume.

THE NEW HORROR HANDBOOK.

Escrito por A.S. Berman – 2009.

Ao contrário da obra anterior, este livro está centrado naquilo que aconteceu no cinema de terror apenas nos últimos 15 anos. O número de filmes tratados é menor, porém este livro oferece-nos um retrato muito interessante dos sucessos, desafios, experiências e problemas com os quais o género se defronta na actualidade. Ficamos a conhecer, por exemplo, o percurso seguido pela série SAW (hoje reconhecida como um dos franchises de maior sucesso do género) desde o primeiro filme. Outro capítulo obrigatório fala sobre a forma como os diferentes mercados classificam os filmes do Eli Roth e a natural luta deste autor contra a censura internacional. O cinema de terror europeu também está representado num texto muito bom sobre À L’INTERIEUR (2007) de Alexandre Bustillo.

AMERICAN HORROR FILM: THE GENRE AT THE TURN OF THE MILLENNIUM.

Editado por Steffen Hantke – 2010.

Este livro é uma colecção de textos bastante profundos e bem documentados, escritos por professores e investigadores universitários dos Estados Unidos, do Canadá e do Reino Unido. O mito de que o cinema de terror é um género menor, desprovido de qualquer valor artístico e/ou politicamente irrelevante é totalmente destruído 🙂 por estes autores que aqui vêm falar de assuntos fascinantes como, por exemplo: a globalização do género, o seu impacto cultural e social, a sua importância económica, os remakes, a força crescente de algumas tendências, a violência e a sua relação com o público. Para estas pessoas, o cinema de terror poucas vezes foi tão importante quanto hoje. Apesar do livro falar essencialmente do cinema de terror norte-americano, o alcance global destes textos referem também o mercado europeu, seus autores e filmes – um deles, Alexandre Aja, possui um capítulo só seu. Mas este livro vale acima de tudo pelo olhar abrangente, prático e transcultural muito útil a quem deseja fazer este tipo de cinema.

LA DOLCE MORTE: VERNACULAR CINEMA AND THE ITALIAN GIALLO FILM.

Escrito por Mikel J. Koven – 2006.

Este é um dos livros que analisa (e explica) melhor e mais fundo o Giallo… como surgiu, como funciona, suas regras, seus estilos, seus autores, os filmes, as influências, as vítimas, os assassinos, os investigadores, o sangue, as mortes, o lugar e a importância do subgénero no cinema italiano e tudo aquilo que há pelo meio. O Giallo é um cinema pouco estudado e a bibliografia é ainda quase inexistente. O Sr. Koven não é um novato nestas paragens. É dele outro livro muito bom que se chama FILM, FOLKLORE AND URBAN LEGENDS (2007) onde o autor analisa ao pormenor a forma como vários mitos urbanos acabam por encontrar o seu caminho em direcção ao grande ecrã, com resultados muito diferentes. No caso do Giallo, o trabalho de pesquisa é muito bom e podemos encontrar no livro referências a inúmeros filmes que merecem ser descobertos ou simplesmente vistos novamente. O cinema de terror europeu é riquíssimo e este livro é mais uma prova.

Boas leituras e viva o cinema de terror europeu!


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