Mais livros para quem gosta de cinema de terror.

Alguns dos nossos primeiros posts falavam de livros dedicados ao cinema de terror. E de facto, nos últimos anos, o mercado editorial de língua inglesa lançou excelentes obras que merecem ser descobertas pelos fãs do género. Cá na BAD BEHAVIOR acreditamos que a pesquisa é um ponto essencial na produção de terror de qualidade. É muito importante conhecer bem o género antes de experimentá-lo. Ter uma ideia do que já foi feito (e como foi feito) pode ajudar qualquer novo autor a descobrir novos caminhos – ou simplesmente acrescentar algo de novo ao que já foi dito.

HORROR 101: THE A-LIST OF HORROR FILMS AND MONSTER MOVIES.

Editado por Aaron Christensen – 2007.

Este livro é composto por uma colecção de ensaios escritos por jovens novelistas, argumentistas, jornalistas, artistas gráficos, editores, cineastas e fãs dedicados aos inúmeros monstros e vilões no cinema de terror. Cada ensaio está centrado em um ou dois filmes de eleição onde ficamos a saber um pouco sobre a origem das obras (e suas personagens), o impacto que elas causaram e os elementos de fascínio em cada um destes universos. A lista de filmes é longa e o livro cobre praticamente todos os subgéneros conhecidos. Mas o melhor deste livro é o facto de ele não ser escrito por intelectuais ou estudiosos… mas sim por gente que realmente aprecia o género e que é capaz de escrever sobre os filmes na óptica do espectador. Como seria de esperar, o cinema de terror europeu está representado. Ficamos ansiosamente a espera do segundo volume.

THE NEW HORROR HANDBOOK.

Escrito por A.S. Berman – 2009.

Ao contrário da obra anterior, este livro está centrado naquilo que aconteceu no cinema de terror apenas nos últimos 15 anos. O número de filmes tratados é menor, porém este livro oferece-nos um retrato muito interessante dos sucessos, desafios, experiências e problemas com os quais o género se defronta na actualidade. Ficamos a conhecer, por exemplo, o percurso seguido pela série SAW (hoje reconhecida como um dos franchises de maior sucesso do género) desde o primeiro filme. Outro capítulo obrigatório fala sobre a forma como os diferentes mercados classificam os filmes do Eli Roth e a natural luta deste autor contra a censura internacional. O cinema de terror europeu também está representado num texto muito bom sobre À L’INTERIEUR (2007) de Alexandre Bustillo.

AMERICAN HORROR FILM: THE GENRE AT THE TURN OF THE MILLENNIUM.

Editado por Steffen Hantke – 2010.

Este livro é uma colecção de textos bastante profundos e bem documentados, escritos por professores e investigadores universitários dos Estados Unidos, do Canadá e do Reino Unido. O mito de que o cinema de terror é um género menor, desprovido de qualquer valor artístico e/ou politicamente irrelevante é totalmente destruído🙂 por estes autores que aqui vêm falar de assuntos fascinantes como, por exemplo: a globalização do género, o seu impacto cultural e social, a sua importância económica, os remakes, a força crescente de algumas tendências, a violência e a sua relação com o público. Para estas pessoas, o cinema de terror poucas vezes foi tão importante quanto hoje. Apesar do livro falar essencialmente do cinema de terror norte-americano, o alcance global destes textos referem também o mercado europeu, seus autores e filmes – um deles, Alexandre Aja, possui um capítulo só seu. Mas este livro vale acima de tudo pelo olhar abrangente, prático e transcultural muito útil a quem deseja fazer este tipo de cinema.

LA DOLCE MORTE: VERNACULAR CINEMA AND THE ITALIAN GIALLO FILM.

Escrito por Mikel J. Koven – 2006.

Este é um dos livros que analisa (e explica) melhor e mais fundo o Giallo… como surgiu, como funciona, suas regras, seus estilos, seus autores, os filmes, as influências, as vítimas, os assassinos, os investigadores, o sangue, as mortes, o lugar e a importância do subgénero no cinema italiano e tudo aquilo que há pelo meio. O Giallo é um cinema pouco estudado e a bibliografia é ainda quase inexistente. O Sr. Koven não é um novato nestas paragens. É dele outro livro muito bom que se chama FILM, FOLKLORE AND URBAN LEGENDS (2007) onde o autor analisa ao pormenor a forma como vários mitos urbanos acabam por encontrar o seu caminho em direcção ao grande ecrã, com resultados muito diferentes. No caso do Giallo, o trabalho de pesquisa é muito bom e podemos encontrar no livro referências a inúmeros filmes que merecem ser descobertos ou simplesmente vistos novamente. O cinema de terror europeu é riquíssimo e este livro é mais uma prova.

Boas leituras e viva o cinema de terror europeu!

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