Filme europeu da semana: “Dead of Night”.

DEAD OF NIGHT (1945) de Alberto Cavalcanti, Charles Crichton, Basil Dearden e Robert Hamer é mais do que um filme britânico de terror: é uma das obras mais influentes no género, cujos ecos podem ainda hoje ser encontrados em inúmeros outros filmes. Esta obra é, na verdade, uma colecção de quatro histórias unidas em torno de Walter Craig, um arquitecto que viaja até uma casa no campo onde tem um compromisso com alguém que ele ainda não conhece pessoalmente. Ao chegar, Walter encontra um grupo de pessoas que está reunido para uma festa. Mas aos poucos, ele apercebe-se de algo desconcertante: Walter já conhece aquela casa e aquelas pessoas de um pesadelo recorrente que o atormenta. O sonho começa e desenvolve-se sempre da mesma forma até um incidente que deverá acontecer em breve. O desenlace do sonho permanece um mistério, pois Walter costuma acordar assustado e a gritar sem qualquer recordação do mesmo. Ao ouvirem a história, os convidados permanecem divididos entre o fascínio e a incredulidade… mas pouco a pouco, alguns vão relatando histórias sobrenaturais com as quais estão relacionados. A noite passa e quatro convidados contam as suas histórias. Entre cada uma, Walter vai percebendo todos os incidentes que acontecem tal como no seu sonho. No final… 🙂 .

Alberto Cavalcanti (1897-1982) foi um realizador brasileiro com uma carreira ímpar. Realizou mais de 50 filmes. Começou como arquitecto. Depois trabalhou no consulado brasileiro em Liverpool. Entretanto, conheceu Marcel L’Herbier (LE BONHEUR e LA NUIT FANTASTIQUE) e rapidamente começou a fazer cinema em França onde trabalhou como production designer, director de guarda-roupa, assistente de realização, montador e realizador. No Reino Unido trabalhou nos estúdios Ealing, onde chegou a dirigir o departamento de produção. Realizou algumas obras-primas do cinema britânico de propaganda – entre elas, WENT THE DAY WELL? (1942) que viria mais tarde a influenciar o clássico VILLAGE OF THE DAMNED (1960) de Wolf Rilla e INGLORIOUS BASTERDS (2009) de Quentin Tarantino. Anos depois, no Brasil, viria a ser um dos fundadores dos estúdios da Vera Cruz, nome incontornável na História do cinema brasileiro. Em DEAD OF NIGHT, Cavalcanti (conforme assinava, sempre sem o “Alberto”) realiza as sequências “Christmas Party” e “The Ventriloquist’s Dummy”.

DEAD OF NIGHT é também o segundo filme de Charles Crichton (1910-1999) que assinou o segmento “Golfing Story”. Mas este realizador ficou posteriormente conhecido por títulos como THE LAVENDER HILL MOB (1951), THE MAN IN THE SKY (1957), SPACE 1999 (1975-1976) e ainda o conhecido A FISH CALLED WANDA (1988) com John Cleese, Jamie Lee Curtis, Michael Palin e Kevin Kline.

Os filmes de antologia como este DEAD OF NIGHT estiveram na moda durante os anos 60 e 70. SPIRITS OF THE DEAD (1968) que possui três histórias assinadas por Federico Fellini, Roger Vadin e Louis Malle é um dos exemplos mais conhecidos. BLACK SABBATH (1963) de Mario Bava – filme de que já falámos em posts anteriores – é outro exemplo. No entanto, o formato perdeu uma boa parte do seu apelo junto do público e hoje é muito raro.

Viva o cinema europeu de terror!

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