Archive for June, 2011

Filme europeu da semana: “Rammbock”.

June 26, 2011

Este poster circulou pelos festivais.

RAMMBOCK (2010) de Marvin Kren é um caso curioso. Este filme alemão foi distribuído no Japão com o título BERLIN OF THE DEAD. Foi distribuído no Reino Unido com o título de SIEGE OF THE DEAD. Já os norte-americanos foram mais respeitosos e puseram-lhe o título de RAMMBOCK: BERLIN UNDEAD.

Mas independentemente do título, este filme de apenas 61 minutos é uma obra que merece ser vista. A história não é nova: Michael acaba de chegar a Berlin para devolver as chaves do apartamento de Gabi, sua ex-namorada. Mas ao chegar ao tal apartamento, não a encontra. Subitamente, adivinhem lá… exactamente: acontece o Apocalipse zombie e Berlin é atacada por um vírus que transforma toda a gente… em zombies. Mas o filme tem mais coisas para oferecer.

Este é o poster alemão.

Primeiro está uma homenagem muito interessante ao grande REAR WINDOW (1954) do mestre Alfred Hitchcock. Isto porque Michael fica preso no apartamento de Gabi e comunica-se com os vizinhos que se encontram nas janelas do outro lado do pátio. Juntos (mas cada um em sua janela) todos observam amedrontados os zombies que circulam a procura de vítimas. Muito bem pensado. 🙂

Em segundo lugar está um guião com imenso ritmo, uma caracterização impecável e momentos de enorme tensão. A cena em que Michael e Harper partem a parede e entram na sala da vizinha que está transformada em zombie até lembra o [REC] (2007) sem deixar de ser deliciosa por mérito próprio.

Este é o poster norte-americano.

Em terceiro lugar está o facto do filme ter custado apenas 200.000 Euros – a mostrar que existem pessoas no cinema europeu capazes de fazer imenso com muito pouco. Agora podemos dizer: o filme não é perfeito.

Mas é impressionante se pensarmos que todo o projecto foi pensado em função dos meios. Temos muito para aprender com estas pessoas. 🙂

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The Art of the Horror Movie Poster – Part 6.

June 21, 2011

COISA RUIM (2006) de Tiago Guedes e Frederico Serra é um objecto raro no cinema português: é um filme de terror. Na altura da estreia obteve uma resposta bastante positiva por parte da crítica, tendo feito pouco menos de 30 mil espectadores. Um número respeitável. Porém, sendo o objecto raro que é e pertencendo a um género tão popular, o filme merecia ter tido uma performance melhor nas salas portuguesas, afinal, o filme estreou (segundo dados do ICA) com 26 cópias – caso também raro no nosso cinema: há apenas cerca de uma dezena de filmes portugueses distribuídos com um número de cópias superior.

Sendo um projecto tão especial, ficámos decepcionados com o poster criado para o filme. Certamente que a única longa-metragem de terror portuguesa produzida em muito tempo merecia um conceito mais claro, sofisticado e mais forte do que uma imagem a duas cores tão pouco estimulante (e até enganadora) acerca dos trunfos do projecto.

A clareza acerca da mensagem comunicada é muito importante na relação com o espectador e aqui muita gente confunde a mensagem com o seu conteúdo: somente porque o filme não é um típico splatter film tal não significa que não existam outros elementos de horror que não possam (ou não mereçam) ser comunicados com a eficácia de que o filme necessita. A aposta no vermelho, por exemplo, não pode ser um mero exercício estilístico na medida em que ela sugere um sangue (ou gore, se quisermos ser rigorosos) que não está no filme. Isto é ainda mais verdade quando existem casos que mostram o quão arriscada é esta estratégia.

Dois anos antes, aparecera o filme britânico DEAD MAN’S SHOES (2004)  de Shane Meadows. Basta olhar para ambos os posters para percebermos as semelhanças. A estratégia é quase idêntica. No entanto, o poster de DEAD MAN’S SHOES com a mesma monocromia é ligeiramente mais claro ao conduzir a nossa atenção para a lâmina do machado – objecto clássico do género e evidente no filme. O trabalho revela ainda alguns elementos de tensão importantes no projecto: a personagem a empunhar uma arma de fogo e um grupo de homens cuja posição é expressiva. A mensagem parece clara: sangue, confronto, vingança e violência – elementos importantes mas que não são assim tão espectaculares quanto alguns espectadores poderiam estar a espera. O problema está no facto do consumidor ser mais exigente do que isto e, neste género, não responder da mesma forma a projectos que pedem outro tipo de comunicação. DEAD MAN’S SHOES não teve uma carreira significativa, ficando-se por cerca dos 40 mil espectadores – um número decepcionante se tivermos em consideração o enorme mercado que é o Reino Unido. Talvez o resultado fosse outro se a promoção fosse diferente – talvez até o mercado olhasse para o projecto com outra percepção.

Um dos posters de 30 DAYS OF NIGHT (2007) de David Slade consegue comunicar muito mais sobre o filme, utilizando também a mesma estratégia. Porém, o trabalho aposta numa imagem clara, forte e muito mais estilizada. A estratégia parece funcionar em pleno quando o espectador percebe que o filme clara e inequivocamente possui os grandes valores de produção típicos do género: gore, criaturas, violência, etc. Como é óbvio, neste post não estão em causa as qualidades dos três filmes. No entanto, parece-nos que 30 DAYS OF NIGHT é um projecto mais bem posicionado para ter sucesso com esta estratégia “vermelho e preto” na medida em que o espectador parece perceber que o poster brinca consigo: o espectador não duvida que o filme possui todos os elementos de género que deseja ver – mesmo apesar da hiperestilização do poster – até porque o orçamento de promoção do filme permite uma grande quantidade de outros materiais (posters alternativos, fotos e etc.) que se encarregam de cumprir as expectativas.

28 DAYS LATER (2002) de Danny Boyle é outro grande exemplo: Londres, biohazard, texto… e uma campanha promocional magnífica que comunica um conceito simples e claro de apocalipse que se pode sintetizar em taglines brilhantes: “the days are numbered” ou ainda “be thankful for everything for soon there will be nothing”.

Já no caso do DEAD MAN’S SHOES e ainda mais no COISA RUIM, a imprecisão acerca do que é comunicado e a ausência de outros materiais gera desconfiança e incerteza. Ambos não possuem sequer uma tagline poderosa (elemento valioso na clarificação da proposta que a obra faz ao público). O espectador simplesmente não sabe exactamente que tipo de experiência vai ter. São propostas demasiado obscuras que no seu todo, comunicam mensagens complexas, contraditórias, difíceis de apanhar à primeira.

Se pensarmos em termos de universo de pertença, COISA RUIM está muito mais próximo de filmes como EL ORFANATO (2007) de Juan Antonio Bayona do que de filmes como THE AMYTIVILLE HORROR (2005) de Andrew Douglas – isto se formos buscar um dos elementos mais fortes nestes três filmes: a casa onde a acção tem lugar.

E sendo um filme que tal como o exemplo português não assenta no gore nem na violência indicadas pela cor vermelha, EL ORFANATO mostra-nos de forma exemplar como é possível comunicar bem e com toda a eficácia e clareza um filme de terror verdadeiramente único e diferente do splatter film habitual.

Este é o estilo de poster que melhor serviria a um filme como COISA RUIM. Este é o exemplo de um trabalho que, com enorme subtileza e bom gosto, comunica acerca de um filme aquilo que qualquer filme gostaria de ver comunicado acerca de si: qualidade, eficácia… um filme especial – tão especial quanto COISA RUIM é no panorama do cinema português.

COISA RUIM foi distribuído em DVD no mercado norte-americano pela Tartan sob o título de BAD BLOOD. E é aqui que as coisas complicam-se: ou o distribuidor não percebeu as características do projecto que tinha em mãos ou percebeu-as, porém teve medo delas. Somente uma destas hipóteses explica uma capa de DVD que pouco tem a ver com o filme. Na Amazon e no IMDB as críticas do público são bastante contraditórias. Na Amazon, por exemplo, podemos ler três críticas: “Ok movie, deceptive cover”, “A quiet menace” e “Bad movie”.

Talvez esta pessoa gostasse MAIS do filme se não achasse que foi enganada.

Não é de surpreender que no primeiro caso, o espectador esperava um filme diferente. Sua expectativa não foi satisfeita: o filme decepcionou-o. Apenas o segundo espectador aparentemente não foi influenciado pela capa do DVD. No último caso, a expectativa frustrada volta a acontecer. Mas desta vez, a resposta é claramente negativa: “o filme é mau”. É pena que duas das três experiências resultem contra o filme. Nenhuma obra necessita disto. 😦

Se esta pessoa soubesse o que o filme tem para oferecer, decidiria se interessa-lhe ou não. E mesmo que decidisse ver, provavelmente a resposta não seria tão violenta.

Talvez a resposta destes espectadores fosse totalmente diferente (positiva) se o filme tivesse sido vendido de outra forma. Talvez a melhor estratégia para um projecto destes fosse preparar MELHOR os espectadores para um filme de terror onde o gore habitual no género não é o elemento mais forte.

Mas para isto, é fundamental um trabalho como deve ser: olhar para o projecto, perceber os seus objectivos, o seu estilo e compreender “quem é que vai gostar deste filme?” Uma miúda a flutuar diante de uma escada inundada de sangue provavelmente não é a melhor solução porque engana o espectador. A pior coisa que podemos fazer pelo nosso filme é não nos preocuparmos em posicioná-lo correctamente. Se não posicionamos o nosso filme de todo, então estamos a deixar que seja o espectador a ter esta tarefa: perdemos o controlo sobre este aspecto tão importante e as consequências podem ser terríveis. Se posicionamos mal o nosso filme (tentando vendê-lo como aquilo que ele não é) e atraímos os espectadores errados, o resultado é a rejeição.

Quando convencemos alguém a comprar um bilhete para ver o nosso filme, estamos a ganhar o jogo. As regras do jogo foram explicitadas nos trailers, nos posters e nos demais objectos de promoção/comunicação. Isto significa que o espectador que comprou o bilhete quer gostar do nosso filme. Cabe-nos a nós deitar tudo a perder.

Food for thought. 🙂

BAD BEHAVIOR

Questões sobre o cinema de terror contemporâneo (parte 2).

June 12, 2011

LA HORDE (2009) de Yannick Dahan e Benjamin Rocher.

O cinema de terror é um dos géneros mais populares e comercialmente bem-sucedidos de todos. Mas é também um dos géneros mais incompreendidos e injustiçados. Este post é uma reflexão sobre a mecânica do género para que possamos compreender melhor como estes filmes funcionam.

A primeira coisa que devemos compreender é a distinção entre horror e terror. Um dicionário que consultámos define o horror desta forma: 1. An intense, painful feeling of repugnance and fear. 2. Intense dislike; abhorrence. 3. A cause of fear. Já o termo terror é definido desta forma: 1. Intense, overpowering fear. 2. One that instills intense fear: a rabid dog that became the terror of the neighborhood. 3. The ability to instill intense fear: the terror of jackboots pounding down the street.

Aparentemente, os termos parecem sinónimos. Mas não o são. Imaginem a cena: um grupo de homens sequestra quatro aviões comerciais. O objectivo? Um grande ataque suicida contra alvos pré-determinados. Minutos depois, o mundo assiste pela televisão aos ataques às torres gémeas de Nova York. Várias imagens entram instantaneamente para a nossa memória colectiva: as torres em chamas, os suicidas a saltar – às dezenas – para a morte, os destroços, o caos, o colapso das torres, a destruição, o choque, etc.

A este momento chamamos horror – o tal “painful feeling of repugnance and fear”; o tal “intense dislike; abhorrence”.

Agora imaginem a seguinte cena: um homem está sentado no seu escritório em Lisboa. Diante dele, sobre a mesa, está um bilhete de avião para Nova York. O voo está marcado para amanhã. O homem em causa está apreensivo, hesitante. Se pudesse, viajaria de navio. No entanto, a reunião de negócios terá lugar em Manhattan, dentro de 48 horas – e nenhum navio é tão rápido. As horas passam e a imagem de um avião a explodir sobre o Atlântico parece mais e mais real. No dia seguinte, a caminho do aeroporto, o homem sente-se nervoso. Em sua cabeça já são várias as imagens que têm lugar: uma bomba dentro de uma mala, outro passageiro trancado na casa de banho a montar uma bomba composta por substâncias banais, três homens próximos do aeroporto de Nova York a carregarem numa carrinha um míssil capaz de destruir um avião que se aproxima da pista de aterragem e tantas outras coisas horríveis que é capaz de imaginar.

SEI DONNE PER L'ASSASSINO (1964) de Mario Bava.

A estes momentos chamamos terror – o talintense, overpowering fear” diante de algo que não controlamos; o medo que sentimos quando percebemos que o horror pode voltar a acontecer a qualquer momento – e connosco. O terror pressupõe a tal “ability to instill intense fear” baseado no horror que já sentimos.

VERTIGO (1958) de Alfred Hitchcock.

Na prática, o horror é a nossa reacção a um momento de maldade abominável – pela violência, pelo nojo, pela destruição, pela feiura, pelo sofrimento. Já o terror vem depois, quando percebemos o quão frágil é a nossa tranquilidade e sentimos o medo de que novas experiências de horror possam acontecer a qualquer momento. O horror marca-nos. O terror é termos que viver marcados. A diferença entre horror e terror explica o facto de falarmos de “terrorismo” e não de “horrorismo”. O horror é curto. Já o terror perdura e condiciona-nos pela via do medo. O cinema de terror (ou horror – aqui os termos podem ser trocados livremente) joga com estes três elementos que, como se percebe, estão necessária e intimamente ligados:

  • Horror.
  • Terror.
  • Medo.

PEEPING TOM (1960) de Michael Powell.

No cinema de terror, começamos por ser pragmáticos e reconhecer as nossas limitações. A primeira é esta: nada daquilo que pomos no ecrã é verdade. É tudo ficção (pura) ou ficcionalização (da realidade). Logo, há sempre um limite na massa de horror que conseguimos atirar sobre o espectador. O nosso horror pode até ter uma massa considerável. Porém ela jamais irá conseguir esmagar o espectador, marcando a sua vida de forma decisiva para além do tempo que durou a sessão. É claro que existem pessoas impressionáveis (e são excepções) mas qualquer um de nós consegue perceber a diferença entre “um filme” e a “coisa verdadeira”. A segunda limitação é esta: o tempo. Sendo uma arte temporal, qualquer filme está condenado a terminar por completo ao fim da sessão. Isto significa que a maior parte daquilo que acontece connosco durante o filme permanece na sala de cinema quando vamos embora. E mesmo quando levamos algo connosco (grande filme!), no dia seguinte a vida real se encarrega de por as coisas nos seus devidos contextos.

Trailer do filme PARANORMAL ACTIVITY (2007) de Oren Peli.

Isto não significa que o cinema de terror seja uma versão fraca de uma realidade horrível. Significa apenas que o cinema é um meio excelente na simulação de um horror e de um terror que chegam, durante 90 minutos, o mais próximo possível da experiência verdadeira – próxima (e ao mesmo tempo segura) o suficiente ao ponto do espectador desejar repetir a experiência. 🙂

Como é que isto se consegue?

Ao contrário da vida real, o cinema não dispõe de formas verdadeiramente eficazes (como a experiência do horror real) de gerar estes três elementos acima citados – prova disto é que ninguém sai a correr da sala. Para tentar dar a volta a este problema, o cinema de terror utiliza três dispositivos que, devidamente conjugados, conseguem simular no espectador um sentimento de horror, terror e medo muito próximo do real. Estes três dispositivos são:

  • O perturbante (que em inglês costuma traduzir-se como “disturbing”).
  • O chocante (normalmente por via visual).
  • O susto.

FREAKS (1932) de Tod Browning.

São estes três dispositivos que, combinados entre si, conseguem uma eficácia satisfatória. O perturbante costuma ser o primeiro de todos na medida em que prepara o espectador, apresentando-lhe o universo alternativo (de sofrimento, desajustamento e diferença radical). Este perturbante é um estimulante que é dado ao espectador, de forma a ajustar-lhe o mindset correcto, sintonizando-o na frequência (risos) certa. O chocante é o dispositivo principal que utiliza-se do “posicionamento” (pedimos o termo emprestado ao marketing – LOL!) correcto do espírito do espectador – que gera o horror. Os sustos servem à gestão do terror ao longo do filme: gerando no espectador a ansiedade que resulta da falta de controlo sobre aquilo que lhe será mostrado. Esta ideia de gestão do terror também é conhecida por outro nome: o suspense – o facto de, na generalidade, sabermos mais do que as personagens: sabemos que o horror pode e vai acontecer; sabemos (como dizia o Hitchcock) que há uma bomba que irá explodir. Não sabemos é quando. As personagens lá continuam a conversar sobre o tempo. A ansiedade por nada podermos fazer, esta é toda nossa!

Os filmes também não investem com a mesma força nos três dispositivos. ROSEMARY’S BABY (1968) e THE SILENCE OF THE LAMBS (1991), por exemplo, quase não possuem sustos. Mas possuem algum chocante e imenso perturbante. Já NEKROMANTIK (1987),  HOSTEL (2005) e A SERBIAN FILM (2010) apostam maioritariamente no chocante. THE RING (2002) e BOOGEYMAN (2005) apostam nos sustos. Outros filmes procuram o equilíbrio entre dois ou três destes dispositivos: THE THING (1982), [REC] (2007), AN AMERICAN WEREWOLF IN LONDON (1981) e THE EVIL DEAD (1981). O panorama é muito diverso e há excelentes filmes que exemplificam as diferentes estratégias e combinações. Tudo é uma questão de opção. Alguns espectadores também são mais sensíveis aos sustos do que ao perturbante. Outros preferem o choque. Tudo é uma questão de gosto ou sensibilidade pessoal – que faz com que outras pessoas possuam opiniões distintas acerca de quais dos filmes citados acima apostam mais no quê. Já o tempo também muda a percepção do público: NIGHT OF THE LIVING DEAD (1968) já foi chocante. Hoje já não o é. Já o FREAKS (1932) mantém-se chocante e perturbante – talvez pelo facto de fugir à regra e mostrar casos reais.

Curiosamente, as ferramentas utilizadas na construção do perturbante, do chocante e do susto são as mesmas: a história, a imagem, os ruídos, a música, a caracterização, os actores, os efeitos especiais, a montagem, o suspense, o mistério, os ambientes, a atmosfera, a identificação do espectador com as personagens, etc. Isto significa que muito provavelmente o cinema de terror é o género que melhor utilização faz da totalidade dos meios que constituem o cinema.

Esta é a razão que explica a popularidade do género: o cinema de terror é um cinema total. 🙂

Viva o cinema de terror europeu!

BAD BEHAVIOR

Primeiro teaser: The Human Centipede II (Full Sequence).

June 7, 2011

Cá está o primeiro teaser do tão aguardado THE HUMAN CENTIPEDE II (FULL SEQUENCE).

Trata-se de um vídeo muito simples com o realizador Tom Six a reflectir (risos) sobre o primeiro filme e a apresentar aquilo que poderemos encontrar no segundo.

Esta sequela já foi banida no Reino Unido tendo o seu certificado sido rejeitado pelo organismo britânico que classifica os filmes. A decisão do British Board of Film Classification (BBFC) sobre THE HUMAN CENTIPEDE II (FULL SEQUENCE) descreve com alguma exactidão os motivos pelos quais QUEREMOS MESMO VER O FILME!!! 🙂 Basta ler e ficar com água na boca para o show de horrores que vem por aí. 🙂

THE HUMAN CENTIPEDE II (FULL SEQUENCE) será distribuído no mercado norte-americano pela IFC Films que já tinha distribuído o primeiro filme… com grande sucesso.

O press release da IFC Films é também bastante claro acerca do valor que um projecto destes possui do ponto de vista da distribuição: “We couldn’t wait for the opportunity to work with Tom Six again, who is clearly a master of his trade.  IFC Films had so much fun with the release of FIRST SEQUENCE, we loved watching audiences squirm in their seats as the film set a new standard in the horror genre.  We are thrilled to be bringing the horrifying experience of FULL SEQUENCE to American audiences through our theatrical and VOD platforms. We look forward to CONNECTING this film to an even bigger audience.”

Mais palavras para quê? 🙂 Viva o cinema de terror europeu!

BAD BEHAVIOR

The Art of the Horror Movie Poster – Part 5.

June 5, 2011

Esta é a versão aprovada pelo M.P.A.A. para as salas norte-americanas.

Criar o poster de um filme num ambiente caracterizado por uma forte concorrência é um trabalho muito duro. O espectador tem diante de si uma enorme oferta e pode sempre escolher – it’s a buyer’s market. Por vezes, a ânsia de comunicar uma imagem potente e vender resulta em coisas muito estranhas, difíceis de explicar.

Exemplo: CHAIN LETTER (2010) de Deon Taylor.

Observe bem este poster. Chama-se “Chain Letter” e mostra uma tag line absolutamente preguiçosa, genérica e batida: “The art of killing”. No entanto, a “chain” que vemos no poster é efectivamente uma corrente que prende o pé e a mão do corpo que está caído. Isto aconteceu porque provavelmente o distribuidor está a tentar atrair o mesmo público da série SAW (2004) cuja base de fãs é gigante o suficiente ao ponto de tornar este filme possível na medida em que existem similaridades óbvias entre este projecto e o referido franchise multimilionário. No entanto, ficamos a coçar a cabeça acerca do código de barras que aparece em enorme evidência por debaixo do corpo. O que quererá isto dizer? Não se percebe.

Ora, quem conhece a série SAW é capaz de reconhecer o carácter anti-tecnológico dos jogos do assassino Jigsaw: sistemas mecânicos, ferrugentos, pesados e truculentos – a antítese da tecnologia digital dos telemóveis, e-mails e etc. (visíveis no trailer do CHAIN LETTER). O Jigsaw não é um mero assassino: ele é toda uma forma de ver o mundo – uma forma coerente que milhões de espectadores compreenderam imediatamente (onde os jogos possuem um carácter moralizante e justiceiro conotado com uma tecnologia “old school”). Desta forma, CHAIN LETTER, a julgar pelo poster, parece um objecto ligeiramente contraditório.

O filme de facto é bastante violento. No entanto, há um forte elemento tecnológico presente que pouco tem a ver com os sistemas mecânicos e antiquados (e por vezes fascinantes) do SAW – o que significa que CHAIN LETTER está longe de oferecer uma experiência comparável àquela que o consumidor do SAW poderia estar a espera.

Noutros mercados (longe dos tentáculos do M.P.A.A. – risos) o poster é quase o mesmo. Porém, carrega no sangue e tenta exibir ainda mais a violência. Continuamos sem perceber o porquê do código de barras.

Cá está a versão russa com sangue em evidência.

Uma outra versão estrangeira do poster opta por retirar o sangue e mostrar a actriz principal na tentativa de capitalizar algum do star system que nos Estados Unidos (onde a actriz é mais conhecida) não pareceu merecer estar no poster.

Versão da República Checa, onde Nikki Reed já merece estar em evidência. Hmm... interessante...

A capa do DVD norte-americano substitui a tag line genérica “The art of killing” por algo mais próximo do plot: “Pass it on – or die”. Ok (risos) agora é claro que isto tem a ver com cartas anónimas que as personagens têm que passar adiante. MAS ALGUÉM NOS PODE EXPLICAR O CÓDIGO DE BARRAS?!?!?!?

...E se experimentarmos uma nova tag line?

Já na versão britânica do DVD, o desespero é total: três dos actores estão metidos à pressão no topo (pode ser que alguém os conheça)… o título está em bold… há montes e montes de sangue… E A PORRA DO CÓDIGO DE BARRAS QUE NINGUÉM SABIA PARA QUE SERVIA JÁ DESAPARECEU!!

Agora não há desculpa! Tem que vender!!!

Too late! LOL!! 🙂

Filme europeu da semana: “Attack the Block”.

June 2, 2011

ATTACK THE BLOCK (2011) dos mesmos produtores do célebre SHAUN OF THE DEAD (2004) é um filme britânico que merece ser visto com muita atenção. Aparentemente a história não tem nada de especial: numa bela noite, um gang adolescente dos subúrbios de Londres é surpreendido por um meteorito que cai nas proximidades do enorme bloco de habitação social onde todos vivem. Ao aproximarem-se, encontram um monstro alienígena feroz que acabam por conseguir matar. Mas a vitória não dura muito tempo: outros meteoritos começam a cair na vizinhança… a trazer aliens bem maiores e bem mais perigosos. No meio da confusão, o gang terá que manter-se unido para defender toda a gente das criaturas que tentam dominar o bairro (…e coisas destas acontecem o tempo todo na Amadora, certo?). 🙂

Se a sinopse parece uma variação de um filme do Carpenter – ASSAULT ON PRECINCT 13 (1976), THE THING (1982) e PRINCE OF DARKNESS (1987) vêm à cabeça – ela não é casual. De facto, no cinema de terror, a existência (ou a defesa) de um locus horribili familiar é bastante eficaz na criação de uma relação forte entre o espectador e os protagonistas. Neste sentido, ATTACK THE BLOCK se desenvolve bastante bem sobre a ideia de que cabe aos “underdogs” defender a vizinhança com a qual parece que apenas eles se preocupam.

Mas por outro lado, ATTACK THE BLOCK é um grande exemplo de como o cinema de terror actual consegue ser um género verdadeiramente popular e transnacional pela forma como vai buscar as suas influências onde mais lhe dá jeito (sem complexos e sem medo – coisa que não acontece noutros géneros) e pela forma como circula livremente pelos canais de divulgação que hoje são capitais na ligação entre os filmes e os espectadores. A estreia mundial do filme no South by Southwest (Austin, Texas) é um exemplo deste espírito:

O filme estreou recentemente em Londres e tem sido um enorme sucesso de público e de crítica. Com um orçamento de oito milhões de libras o filme já possui distribuição assegurada em inúmeros territórios. Nos Estados Unidos, será distribuído pela Screen Gems – o estúdio do grupo Sony Pictures dedicado ao cinema independente de terror e thrillers como HOSTEL Part 2 (2007), RESIDENT EVIL (2002), QUARANTINE (2007) e OUTPOST (2008) – que neste momento encontra-se a posicionar o filme junto do público.

Recentemente, alguns textos muito bons acerca do filme têm aparecido. O primeiro é HOW ATTACK THE BLOCK REDEFINES HIGH CONCEPT MOVIE escrito por Paul Martinovic. O segundo é a crítica da HitFix.com intitulada MIDNIGHT MOVIE ATTACK THE BLOCK IS AN INSTANT GENRE CLASSIC escrito por Drew McWeeny. Cá está o trailer:

BAD BEHAVIOR


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