Archive for July, 2011

Filme europeu da semana: Derrière les Murs.

July 27, 2011

Cá está um filme acabadinho de estrear em França: DERRIÈRE LES MURS (2011) da dupla Julien Lacombe e Pascal Sid. Trata-se de uma produção francesa com Laetitia Casta e Thierry Neuvic, que conta a história de Suzanne, uma escritora que decide isolar-se numa casa da província com o objectivo de escrever um livro. Até aqui, tudo bem. Mas rapidamente as coisas mudam: Suzanne encontra na cave da casa uma sala misteriosa que está selada há anos. Começa ainda a ter alucinações e pesadelos que influenciam a sua escrita. E as raparigas da aldeia começam a desaparecer. Este filme promete ser uma descoberta muito interessante se pensarmos ainda que a história se passa nos anos 20 (e todos nós sabemos como o género aproveita bem as recriações de época 🙂 ). Mais: trata-se do primeiro filme francês filmado em 3D.

Cá estão o teaser e o trailer.

Zombie apocalypse? Os C.D.C. estão prontos para intervir!

July 25, 2011

Nos Estados Unidos, os CDC (Centers for Disease Control and Prevension) encontraram uma forma muito criativa de chamar a atenção dos jovens para aquilo que devem fazer em caso de desastres naturais, surtos de doenças e outras crises afins: criaram uma página onde explicam aquilo que se deve fazer em caso de uma invasão de zombies. Trata-se de uma grande ideia e uma forma muito eficaz de fazer com que os jovens saibam da existência dos CDC e percebam que existe uma entidade a qual podem recorrer enquanto fonte de informação. Com esta ideia, espera-se que o público mais jovem sinta curiosidade e leia alguns dos diversos guias disponibilizados pela instituição.

Cá está o link: Social Media: Preparedness 101: Zombie Apocalypse.

Mestres do cinema de terror europeu III: Ruggero Deodato.

July 9, 2011

Ruggero Deodato está para os canibais como George A. Romero está para os zombies. Esta afirmação não é descabida se pensarmos que até ao seu CANNIBAL HOLOCAUST (1980), o canibalismo enquanto assunto no cinema de terror nunca teve grande impacto – da mesma forma como até ao aparecimento do Sr. Romero, os zombies não eram nada de especial.

Mas antes da fama e da polémica com CANNIBAL HOLOCAUST, Ruggero Deodato realizou um outro filme sobre canibalismo: ULTIMO MONDO CANNIBALE (1977) que por sua vez foi pensado como uma sequela do filme IL PAESE DEL SESSO SELVAGGIO (já não se fazem títulos assim) realizado em 1972 por Umberto Lenzi. Ora, Lenzi pediu demasiado dinheiro para realizar a sequela, fazendo com que os produtores o substituíssem por Deodato, que por sua vez parece ter gostado tanto do conceito que o resultado é aquilo a que se chama de “Trilogia do Canibalismo”: ULTIMO MONDO CANNIBALE, CANNIBAL HOLOCAUST e por fim INFERNO IN DIRETTA (1985).

Mas Ruggero Deodato realizou ainda dois outros grandes filmes de terror italianos: LA CASA SPERDUTA NEL PARCO (1980) e CAMPING DEL TERRORE (1987). O primeiro foi lançado no mercado norte-americano sob o título THE HOUSE ON THE EDGE OF THE PARK (notem que este título foi alterado após o trailer acima estar pronto – que ainda mostra o título inicial THE HOUSE OF THE PARK ON THE EDGE) enquanto o segundo foi distribuído com prosaico título BODYCOUNT (risos). Podemos também adicionar à lista um thriller magnífico: UN DELITTO POCO COMUNE (1988) com Michael York e Donald (HALLOWEEN) Pleasence cujo título internacional é PHANTOM OF DEATH.

Ao que parece, Ruggero Deodato está a preparar THE HOUSE ON THE EDGE OF THE PARK PART II (2012) que ao que tudo indica é uma prequela do filme de 1980. Hmmm… 🙂

Cá estão dois teaser-posters… e já agora vejam que tagline magnífica: everything you fear under one roof.

Filme europeu da semana: Hammer House of Horror.

July 7, 2011

Esta semana trazemos a célebre HAMMER HOUSE OF HORROR, uma série de 13 telefilmes, que estreou 1980. Como é óbvio, o nome indica tudo: trata-se de uma produção da lendária casa britânica Hammer que por esta altura já se encontrava em claro declínio 😦 . Esta série, aliás, foi um dos últimos projectos produzidos antes da produtora entrar num… digamos… sono profundo.

A lógica por detrás do projecto HHH era introduzir o velho espírito dos clássicos da Hammer num contexto mais contemporâneo, especialmente repensado para a televisão. O resultado foi 13 telefilmes, cada um com cerca de uma hora, com um elenco de luxo: Denholm Elliot, Pierce Brosnan, Peter Cushing e muitos outros. Realizadores veteranos da Hammer como Peter Sasdy – realizador de TASTE THE BLOOD OF DRACULA (1970), COUNTESS DRACULA e HANDS OF THE RIPPER (1971) – e Alan Gibson – realizador de THE SATANIC RITES OF DRACULA (1973) e DRACULA A.D. 1972 (1972) – ficaram encarregues de alguns episódios.

Esta senhora simpática cuida de um grupo de crianças muito especial.

HAMMER HOUSE OF HORROR permanece na memória de milhares de amantes do género que um pouco por todo o mundo (a série foi um enorme sucesso, tendo sido vendida em vários países) tiveram o prazer de assistir a treze histórias únicas onde o horror, o suspense e o sobrenatural – tudo à inglesa – se combinam com um enorme bom gosto.

A série está disponível numa belíssima colecção de DVDs muuuito baratinha (desde £9,00!!) na Amazon.uk, sendo esta uma daquelas propostas que não se pode recusar. Alguns episódios possuem títulos deliciosos: THE HOUSE THAT BLED TO DEATH… THE MARK OF SATAN… VISITOR FROM THE GRAVE… THE THIRTEENTH REUNION… GUARDIAN OF THE ABYSS… CHILDREN OF THE FULL MOON… hmmm, já nos apetece revê-los! 🙂

Blood, blood, blood! - We'll take it!

Cinco revistas para quem curte o horror e o fantástico.

July 3, 2011

O mercado editorial oferece inúmeras opções para quem procura revistas dedicadas ao horror e ao fantástico. Algumas são mais ligadas ao cinema enquanto outras estão mais voltadas para o horror enquanto elemento transversal. No entanto, todas oferecem textos de um rigor inigualável, que vão muito além do mero “fanboy-ism” que muitos poderiam esperar.

1 – Fangoria

A “Fango” como é carinhosamente chamada pelos seus leitores é a maior de todas e a mais conhecida com uma circulação de mais de 200 mil exemplares. É norte-americana e foi publicada pela primeira vez em 1979. Nestes 32 anos, tem sido a revista que mais tem promovido o cinema de terror e é conhecida pelo enorme destaque  que dá ao cinema de terror europeu e asiático. A revista é publicada mensalmente com excepção dos meses de Julho e Dezembro. Pode ser encontrada em Portugal em apenas meia dúzia de livrarias especializadas. O último número dedica várias páginas ao cinema de terror britânico – mais propriamente sobre o catálogo da Amicus que, junto com a Hammer, produziu um conjunto de clássicos inesquecíveis. Mas esta revista também dedica um espaço substancial à cobertura das produções actuais com entrevistas a actores, realizadores e produtores, sem perder de vista o mercado dos DVDs, os livros e os videojogos. Algumas pessoas cresceram a ler os Cahiers du Cinema (duh!). Nós crescemos com a Fango e não a trocamos por nada. O preço em Portugal é absurdo. A assinatura é a melhor opção.

2 – Rue Morgue

A Rue Morgue é canadiana e pode ser encontrada em Portugal – às vezes. Não é tão grande quanto a Fango… mas é preciso admiti-lo: possui um design absolutamente lindo! Fortemente dedicada ao cinema, a RM procura ser um pouco mais ampla, dedicando um pouco mais de espaço aos livros, aos videojogos e a qualquer outra coisa relacionada ao género (o último exemplar até fala de teatro). No entanto, os vários artigos dedicados ao cinema e a cobertura que faz dos filmes mais recentes são sempre da mais alta qualidade. Nota-se que esta revista (tal como a Fango) é um trabalho de amor pelo género e cada exemplar traz sempre coisas que nunca vimos em lado algum (o que é fascinante). A última edição traz uma das melhores peças sobre cinema de terror japonês que lemos em muito tempo. O preço por cá também é um horror. Cá está mais um caso em que a assinatura é a melhor opção. É publicada mensalmente com excepção de Fevereiro.

3 – HorrorHound

A HorrorHound é uma revista mais recente (uma publicação bimensal) que infelizmente é difícil de encontrar em Portugal. Classifica-se como “The horror fan’s magazine” e é mais direccionada para o cinéfilo coberto de sangue que existe em cada um de nós. Isto significa que ao invés de dedicar-se aos filmes mais recentes, a HH prefere dedicar-se aos clássicos do género. Provavelmente esta opção economiza-lhes bastante dinheiro e permite que a revista exista sem os enormes investimentos que são necessários quando há uma vontade de estar a cobrir quatro ou cinco filmes a cada mês. No entanto, esta aparente falha é mais do que compensada com toneladas de cinefilia, geekness e nerdness. O último número da revista dedica várias páginas ao anno domini de 1981, um dos mais fecundos para o género (HALLOWEEN II, FRIDAY THE 13th PART 2, THE HOWLING, THE EVIL DEAD, AN AMERICAN WEREWOLF IN LONDON, SCANNERS, THE FUNHOUSE, OMEN III: THE FINAL CONFLICT, DEAD & BURIED, HAPPY BIRTHDAY TO ME, GHOST STORY, WOLFEN, HOUSE BY THE CEMETERY… e muitos outros). Também podemos encontrar um texto excelente sobre a Embassy – uma distribuidora de cinema de terror (e não só) que foi capital na História do home video. Outra pérola é uma visita à casa onde o filme HELLRAISER (1987) foi filmado. Priceless.

4 – Black Static

Ficámos a conhecer a Black Static por acaso, numa visita à Barnes & Noble. Esta é uma revista britânica (bimensal) dedicada ao conto de horror contemporâneo. Sim, a revista também fala de cinema. Mas fala pouco e somente lá para as últimas páginas. O forte aqui são os inúmeros contos escritos por autores de que (ainda) não ouvimos falar. Os textos são sempre bastante diferentes entre si e há sempre um que nos deixa fascinados. A edição de Dezembro/Janeiro trouxe um texto delicioso intitulado THE COMPARTMENTS OF HELL, escrito por Paul Meloy e Sarah Pinborough, sobre um grupo de… hmm… drogados que escapa ao Apocalipse. A edição mais recente traz um conto lindíssimo sobre uma prostituta que estabelece uma relação com a Lua. Chama-se THIS IS MARY’S MOON escrito por Steven Pirie. Os contos são sempre ilustrados por artistas diferentes – alguns deles são excelentes. Não sabemos se a Black Static pode ser encontrada em cá em Portugal. A assinatura é sempre a melhor opção.

5 – Filmfax Plus

A Filmfax Plus é outra revista norte-americana bimensal. Originariamente a publicação chamava-se apenas Filmfax (nome pelo qual é mais conhecida), tendo ganho o “Plus” em letras pequeninas depois que absorveu outra revista chamada Outré. A Filmfax é semelhante à HorrorHound na medida em que se dedica mais aos clássicos e à cinefilia do que aos filmes correntes. Porém ela cobre também a ficção científica, televisão e tudo aquilo que se possa classificar como retro. A última edição traz uma entrevista deliciosa com Mamie Van Doren. Esta é, aliás, uma daquelas revistas que põem a cinefilia à prova! Quem é que sabe quem foram os irmãos Lydecker? (Resposta: foram uma dupla de especialistas em efeitos especiais com miniaturas responsável por efeitos sensacionais para a Republic Pictures nos anos 40). Esta revista também pode ser encontrada em Portugal a um preço exorbitante. Vivam as assinaturas!

Todos nós sabemos que ano após ano, os média digitais ameaçam mais e mais os média impressos. Mas mesmo assim, estas revistas continuam a resistir. E sempre com enorme qualidade. Elas continuam a ser pontos de encontro obrigatórios para pessoas que como nós amam o cinema de terror. 🙂 Elas são a prova da enorme fidelidade do público a este tipo de cinema tão especial.

BAD BEHAVIOR


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