Mestres do cinema de terror europeu V: Jan Švankmajer.

A obra do checo Jan Švankmajer é pouco conhecida do grande público. Isto deve-se (em parte) ao facto dos soviéticos o terem proibido de filmar e banido boa parte das suas obras durante muito tempo. Mas não nos enganemos: quando o Guardian pediu ao Terry Gilliam que enumerasse dez dos melhores trabalhos do cinema de animação, lá estava um dos seus filmes: o grande DIMENSIONS OF DIALOGUE (1983).

Mas chamá-lo de mestre do cinema de terror é pouco para este senhor que é surrealista, animador, encenador, artista plástico e muitas outras coisas. E se quisermos ser inteiramente honestos, (risos) Jan Švankmajer está pouco interessado no género. Aquilo do qual ele gosta é de contar histórias incríveis que somente alguém com o seu talento é capaz de contar.

FAUST (1994)

Tomemos como exemplo o seu filme ALICE (1988) – cujo título original é NĚCO Z ALENKY. Insatisfeito com todas as adaptações para o cinema da obra de Lewis Carroll, Jan Svankmajer decide fazer a sua, onde o Coelho Branco é um coelho empalhado que “acorda”, retira os pregos que lhe prendem as patas e parte a caixa de vidro onde foi exposto. Parece horrível? Pois… mais do que um mestre no cinema de terror, Jan Svankmajer é um mestre no grotesco. ALICE é também um triunfo na combinação do stop motion com imagens de live action.

ALICE (1988)

Já o seu filme LUNACY (2005) – título original: ŠÍLENÍ – consegue a proeza singular de juntar Edgar Allan Poe e o Marquês de Sade… ambos no mesmo filme! Este é um filme desaconselhado a vegetarianos e pessoas sensíveis. Outra obra obrigatória é FAUST (1994) que mistura live action com marionetas e claymation.

Jan Švankmajer é, para nós, um autor especial pela total ausência de medo em lidar com o grotesco, pelo carácter amoral que imprime nas histórias que conta e por juntar (sempre com um total domínio) técnicas, atmosferas e sensações que habitualmente ninguém se atreve a unir. Como resultado, os seus filmes são de difícil encaixe junto do público e sofreram imenso com a censura do Leste. No entanto, a sua influência é visível em autores que conhecemos bem. Exemplo? Tim Burton.

Mas para além das longas-metragens, Jan Švankmajer possui uma quantidade significativa de curtas que merecem ser redescobertas. Entre elas, podemos até encontrar uma adaptação muito curta (15 minutos) do romance THE CASTLE OF OTRANTO (1764) – que é considerado o primeiro romance gótico de sempre. Esta versão curta de Jan Švankmajer chama-se OTRANTSKÝ ZÁMEK (1977).

O seu filme mais recente chama-se PREZÍT SVUJ ZIVOT (TEORIE A PRAXE) (2010).

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