Archive for December, 2011

A Bad Behavior deseja a todos um excelente 2012!

December 30, 2011

Cá está um pequeno cartão de Ano Novo inspirado na nossa primeira produção cujo título internacional é MANNEQUINS. Cinema de terror como deve ser, produzido em Portugal. Não se esqueçam de visitar a página da Bad Behavior no Facebook.

A Bad Behavior deseja a todos um grande 2012!

Notoriedade versus infâmia: notas soltas.

December 25, 2011

ESTE POST CONTÉM SPOILERS.

O senso comum diz que a violência e o sexo vendem. A verdade, porém, é um pouco mais complexa do que isto. O cinema de terror sempre foi subversivo por natureza. Ele choca, ofende, assusta, expõe, exagera, satiriza, critica, cria desconforto e faz tudo aquilo mais de que o status quo não gosta. E os fãs do género procuram exactamente este tipo de experiências – o que nos leva a concluir que, neste género, quanto mais, melhor.

No entanto, não devemos nunca confundir notoriedade com infâmia. E no passado recente, existem dois filmes que ilustram bem esta questão: A SERBIAN FILM (2010) e THE HUMAN CENTIPEDE II (FULL SEQUENCE) (2011).

A fronteira entre a notoriedade e a infâmia é muito opaca. Em A SERBIAN FILM, um actor de filmes pornográficos pratica actos de enorme sadismo, crueldade e violência sexual. A qualidade do argumento, da realização, da fotografia e de tantos outros departamentos permite ao filme possuir um conjunto de situações-limite que põem o filme dentro do campo da notoriedade – porque o espectador possui a percepção clara de que a experiência que o filme apresenta será difícil de igualar. No entanto, tudo muda quando o protagonista viola o próprio filho de sete anos, numa cena em que a planificação aproxima o filme da pedofilia explícita.

É claro que no cinema, as coisas nunca são aquilo que parecem ser. O actor realmente violou uma criança? É claro que não! No entanto, não é da produção que se fala, mas sim do seu efeito no ecrã. O problema é que a realização foi de tal forma precisa e clara na planificação/execução/montagem da cena que o efeito final até poderia ser utilizado como pornografia infantil se assim o quiséssemos. O problema não está nos 99,99% de nós que não faz esta utilização, mas sim nos 0,01% que poderiam fazê-lo. O filme tem como objectivo ser um objecto de pornografia infantil? Claro que não! Mas talvez, para alguns pedófilos, possa ser. E se pode ser… então acabará invariavelmente por sê-lo.

O resultado destas conclusões põe o filme numa zona pouco clara que, dada a gravidade do tema (pornografia infantil) irá naturalmente causar reacções extremas e problemas potencialmente perigosos para aqueles que neles estiverem envolvidos. Daí o filme ter sido banido em inúmeros países – e a sua mera apresentação em festivais ter causado tantos problemas. E agora voltamos ao ponto inicial: o filme passou de notório à infame – tendo o seu percurso comercial sofrido danos irreparáveis. Com uma distribuição comercial reduzida ao mínimo, o filme dificilmente irá recuperar o investimento feito. Toda esta notoriedade (transformada em infâmia) simplesmente não conseguirá ser convertida em vendas.

O próprio espectador sofrerá indirectamente na medida em que será sempre muito difícil encontrar uma versão do filme (se considerarmos as eventuais versões em DVD) que não tenha sofrido cortes em maior ou menor grau. E mesmo que o filme venha a ser lançado numa versão “unrated” (como recentemente aconteceu no mercado norte-americano) isto está longe de significar que o filme está completo. Significa apenas que a obra não foi submetida a classificação (mesmo tendo sofrido alguns cortes). E mais: se considerarmos o mundo dos downloads ilegais, será sempre muito difícil garantir que naquele ficheiro está uma versão sem cortes (até porque os cortes poderão variar de país para país, dando origem a una enormidade de versões – todas cortadas – em circulação). Em resumo: nunca se saberá com certeza.

A notoriedade é um elemento que pode ser explorado conforme a sua contribuição para a correcta percepção daquilo que o filme é ou tem de relevante dentro do género. No entanto, o movimento de transição para a o estado de infâmia é algo que nunca se deseja – porque a partir daqui, o percurso comercial da obra está todo posto em causa. A qualidade é sempre uma questão de percepção. E a luta no mercado trava-se sempre no campo da percepção (a nossa capacidade de comunicar ao mercado elementos de qualidade que sejam percepcionados enquanto tal).

O filme THE HUMAN CENTIPEDE II (FULL SEQUENCE) ilustra um caso um pouco diferente, salientando as nuances desta questão. Tendo sido banido no Reino Unido, até parece que estamos diante de outro caso infame. Mas não é bem assim. De facto, o filme possui imagens chocantes, violentas e degradantes. No entanto, nada daquilo que o filme possui chega aos calcanhares de um tema tão sensível (e legalmente amedrontador) quanto a pedofilia. O resultado é que toda a aparente infâmia em torno deste filme está do lado de um elemento – em si mesmo – já banal: a violência física. O filme apenas colhe a notoriedade por ser mais explícito (na violência) ou mais chocante (no sadismo das situações) do que 300 outros filmes que outrora foram considerados explícitos e chocantes. Porém, 300% de crueldade notória são acompanhados de 0% de elementos (como a pedofilia) que poderiam trazer uma REAL infâmia.

Tal como acontece com o filme da Sérvia, THE HUMAN CENTIPEDE II também não irá escapar a uma onda constante de cortes (e encontrar uma versão integral do filme será igualmente difícil). No entanto, a infâmia notória de A SERBIAN FILM irá durar anos e o medo resultante disto irá prejudicar o filme durante muito tempo. Já THE HUMAN CENTIPEDE II é infame simplesmente por ser notoriamente violento – e este factor de violência tende a esbater-se no tempo. Uma versão integral do filme de Tom Six será digerível pelo mercado muito mais facilmente do que uma versão integral do A SERBIAN FILM.

A notoriedade é sempre transitória e mais cedo ou mais tarde o tempo se encarregará de relativizar os elementos mais sensíveis do filme. A infâmia, porém, é bem mais longa e radical – ainda mais quando na sua origem está um elemento (pedofilia) ao qual ninguém quer estar associado. E a provar este facto estão retalhistas de vários países que se recusam a vender o filme.

A notoriedade vende? É discutível. Provavelmente a resposta é afirmativa se a notoriedade não for contra a distribuição e a comercialização do filme. Salvaguardado este ponto de vista, será sempre melhor um filme notório do que um banal. No entanto, é preciso sempre uma grande dose de cuidado para nunca se cair na infâmia – caso contrário o projecto pode vir a encontrar sérios obstáculos no seu caminho até o público.

A Bad Behavior deseja a todos Boas Festas!

December 23, 2011

Uma grande ideia do Portugal Fantástico.

December 20, 2011

Os nossos amigos do Portugal Fantástico tiveram uma excelente ideia: reunir várias curtas de terror num único filme ao estilo de TALES FROM THE CRYPT. O projecto chama-se CURT’H’RROR e surgiu da vontade de arrancar com uma iniciativa que envolvesse os membros do grupo relacionados com o audiovisual (profissional ou amador).

Neste sentido, o Portugal Fantástico pretende juntar grupos provenientes de todo o país para produzir um conjunto de curtas que serão unidas por alguns elementos comuns: tema, duração, etc. Ora, isto nos parece uma excelente forma de divulgar o talento nacional e mais uma prova de que existe em Portugal a vontade clara de fazer a diferença.

Cá na BAD BEHAVIOR achamos a ideia sensacional e estamos com imensa vontade de ver o resultado. Mas mais do que isto, achamos que esta iniciativa faz algo de fundamental: pôr as pessoas a fazer filmes de terror e a experimentar o género 🙂 . Quem estiver interessado em participar pode ir ao Facebook e visitar a página do evento no grupo Portugal Fantástico. 🙂


Os manequins estão a ganhar vida!

December 19, 2011

Este é um post muito especial para nós.

Ele surge quase dois anos após o início do nosso trabalho de desenvolvimento do nosso primeiro projecto – que agora finalmente começa a aquecer os motores. MANNEQUINS é o título internacional desta obra do mais puro terror que é possível. Ao longo destes dois anos, temos estado a escrever, escrever e escrever (já perdemos a conta ao número de drafts do argumento). A história sofreu inúmeras transformações, fusões, cortes e outras violências. MAS sempre no caminho de um guião melhor, mais robusto, excitante, bizarro e assustador.

Mas quando temos uma verdadeira paixão pelo cinema é preciso trabalhar muito (ainda mais quando estamos em Portugal – que conforme toda a gente sabe é a Meca do cinema de terror mundial… NOT!). Em paralelo e porque o cinema também é business, TAMBÉM investimos estes dois anos em compor este projecto e apresentá-lo COMO DEVE SER a financiadores que se interessassem pela nossa paixão. Muitos mandaram-nos dar uma curva (e iremos acertar contas com eles assim que conquistarmos o mundo – LOL!). Outros foram mais sensíveis e perceberam que havia aqui qualquer coisa que fazia sentido.

E cá estamos! Mais fortes do que a troika! Iremos publicar aqui tudo aquilo que formos fazendo. Queremos que toda a gente saiba que um novo cinema está a nascer. Estamos prontos para a luta!

(Ding!)

Viva o cinema de terror europeu!

 

LOL (parte X).

December 15, 2011

It’s Art! But it’s horror! But it’s Art! :-)

December 15, 2011

Segundo a Bíblia hebraica, Sisera foi um militar que oprimiu os israelitas durante duas décadas. Após ter sido derrotado por Barak, Sisera encontrou refúgio em casa de Yael que lhe prometeu um esconderijo seguro. Yael serviu-lhe uma refeição principesca e quando viu que Sisera adormecera, atravessou-lhe um enorme prego pela têmpora com a ajuda de um martelo. O impacto foi tão grande que segundo a lenda, a cabeça de Sisera ficou pregada contra o chão.

Ouch!

Esta cena bem poderia fazer parte de um filme do Eli Roth. No entanto, foi imortalizada em obras de Arte como o quadro de Palma il Giovane (1548/50—1628) que se segue – mostrando que o nosso apetite por horror não é um privilégio do cinema.

Palma il Giovane - "Giaele Uccide Sisara"

Os artistas bem que podiam ter ficado por um mero retrato de Sisera a comer. Ou Sisera e Yael lado a lado, talvez com uma legenda a dizer “ela matou-o”. (risos) Ou se calhar uma bela natureza morta com apenas o martelo no meio das frutas.

Mas não! Lá tinham que mostrar o horror da cena. E mais do que isto! Os artistas parecem querer torturar o espectador que observa o acontecimento imediatamente ANTES do impacto do martelo – transformando a obra num trabalho de suspense hitchcockiano.

E mais: a obra foi alvo de vários remakes 🙂 ao longo da história. Abaixo, seleccionámos dois.

Jan Saenredam

Artemisia Gentileschi

Que tal um filme de terror esta noite? 🙂

Here we go! Bad Behavior no Facebook.

December 14, 2011

A partir de hoje a BAD BEHAVIOR está disponível no Facebook.

Estamos cada vez mais próximos de entrar em produção e CHEIOS de vontade de partilhar com toda a gente aquilo que temos estado a preparar. Queremos que toda a gente saiba que Portugal irá ter cinema de terror de qualidade, 100% empenhado em dar ao nosso público experiências únicas que apenas o melhor cinema de terror consegue dar.

O mundo é um sítio muito especial. Poético, violento, absurdo, imprevisível, grotesco, contraditório… sempre maravilhoso e real.

Queremos agradecer a todos aqueles que acreditam neste projecto singular, que nos apoiam e que apostam em nós. No meio de tantos abismos obscuros, vocês decidiram saltar para o nosso!  Enjoy!

Filme europeu da semana: The Awakening.

December 6, 2011

THE AWAKENING (2011) de Nick Murphy é uma produção britânica da Origin Pictures com Rebecca Hall e Dominic West.

Florence Cathcart é uma caçadora de fantasmas dos anos 20, convidada a visitar um colégio onde alunos e empregados andam a ver fantasmas. Mas a sua especialidade não é encontrar os fantasmas. Pelo contrário, aquilo que Florence faz é desmontar os supostos fantasmas que estão na maioria dos casos na cabeça daqueles que acreditam neles. No entanto, a estadia irá provar que os fantasmas são mais reais do que Florence imagina.

A história, a atmosfera e outros elementos têm pontos de contacto com alguns filmes bem conhecidos como EL ORFANATO (2007), EL ESPINAZO DEL DIABLO (2001) e  THE OTHERS (2001) – o que significa que o apelo é feito ao mesmo público-alvo. E tal como nos filmes citados, THE AWAKENING oferece uma experiência mais rica e densa do que meros sustos.

O cinema britânico de terror mostra mais uma vez que sabe explorar como poucos aquilo que tem de melhor.

The Art of the Horror Movie Poster – Part 7.

December 3, 2011

THE CABIN IN THE WOODS de Drew Goddard é um filme com estreia marcada para Abril de 2012. Há bastante tempo que temos ouvido falar do projecto. E não é para menos: a espera tem sido longa. Isto porque a casa mãe (a velha Metro-Goldwyn-Mayer) tem atravessado graves problemas financeiros. Isto tem feito com que o filme tenha tido a sua produção e distribuição adiadas várias vezes ao longo de anos.

Em 2009, a Lionsgate (distribuidora do filme) chegou a lançar estes três teaser posters com a data de 05 de Fevereiro de 2010 para estreia.

A estratégia parecia muito interessante: gozar com alguns clichés bem conhecidos – numa indicação clara de que o filme promete uma leitura renovada do género. Dá mesmo vontade de ver. O trabalho gráfico parece competente, porém nada inovador. Claramente a aposta está no contraste entre a key art já vista (CABIN FEVER 2?) e a promessa de algo novo.

Mas não aconteceu.

Por razões internas, a estreia foi adiada vários meses e todo o projecto entrou em águas de bacalhau. No entanto, a marcação de uma nova data de estreia (Outubro de 2011) exigia um novo poster na medida em que seria um grande sinal de fraqueza estrear um filme em Outubro com toda uma campanha já mastigada um ano antes. Uma coisa destas seria imperdoável. Mas para não deitar fora o conceito gráfico original, os designers optaram por manter a imagem da cabana (que lá tem a sua força) e tentar retrabalhar o espaço em torno dela. Neste sentido, alterou-se o ambiente em torno da cabana e pôs-se em evidência o cast. O resultado é este:

Este já é um poster que claramente tenta mostrar tudo aquilo que o filme tem: um elenco de luxo, um argumentista com um currículo invejável (BUFFY, LOST e CLOVERFIELD – tão invejável que é seu nome que vem por cima do título!), uma key art forte, o mês da estreia, uma identificação sumária das personagens, etc.

…Mas novamente o destino assim não o quis. Dammit! Novamente o filme foi adiado sem uma nova data para estreia enquanto a MGM se debatia, dividida entre investidores, negociações e os problemas de um estúdio lendário, cuja marca vale milhões… mas que há anos não tem conseguido produzir filmes de sucesso.

Foi durante esta altura que a paciência dos fãs chegou ao limite… fazendo com que o argumentista, o realizador e outras pessoas ligadas ao projecto pusessem estes posters a circular:

LOL!!!! Digam lá se isto não é extraordinário!

Mas é claro que a história não termina aqui. Recentemente a Lionsgate marcou uma nova data de estreia para o filme: 13 de Abril de 2012… e toca lá a produzir um novo poster! (risos) Isto para não se cair no pecado de estrear o filme com posters que por esta altura já estão mais do que mastigados, digeridos e… já perceberam.

E se olharmos bem para o conceito utilizado até agora – a cabana com maior ou menor evidencia, as cores, o elenco, etc. – já NÃO há muito para onde correr! Não há muito que possa ser trabalhado sem que o resultado não seja o que parece: um tira e põe das mesmas coisas. (risos)

A única solução foi atirar tudo para o lixo e preparar uma campanha totalmente nova, baseada numa quebra com os posters anteriores (já alvos de gozo). É assim que surge o poster que se segue:

A quebra neste novo poster procura ser quase total na esperança de cortar com tudo aquilo que o espectador já viu (posters velhos), ouviu ou especulou sobre o filme: os vermelhos quentes passam a branco e cinzento, a tagline é totalmente nova (reacender a curiosidade ao dizer “you THINK you know the story”), o título foi redesenhado e até mesmo a própria cabana foi alvo de uma intervenção bastante original (agora é um grande Cubo Mágico). Até a fonte usada no billing block foi alterada. Muuuuito interessante.

Provavelmente ainda teremos pelo menos mais um poster até Abril: uma versão com o elenco (que aqui ainda está ausente). Isto porque é muito cedo e certamente a Lionsgate irá esperar mais algum tempo até ligar (novamente) os afterburners.

Já ouvimos falar muito bem do projecto. Esperamos mesmo que o filme consiga cumprir estas datas. Mas o cinema é um jogo de paciência e perseverança. Nem sempre o vento está ao nosso favor e o importante é manter a chama acesa. 🙂


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