Archive for March, 2012

O que faz um grande filme de terror?

March 21, 2012

A questão é simples e ao mesmo tempo complexa na medida em toca naquele elemento mais escorregadio de todos: a QUALIDADE. Tal como é verdade em relação a tudo (e o cinema não é excepção), a qualidade parece ser sempre uma questão de PERCEPÇÃO. Podemos discutir horas e horas acerca dos méritos de um filme – e discordar. Isto acontece porque há sempre algo de profundamente pessoal na forma como julgamos as coisas e os filmes; e que tem a ver (entre muitas coisas) com aquilo que já gostamos de ver, com o que esperamos que o filme nos dê, com a confirmação (ou frustração) destas expectativas, com aquilo que estamos dispostos a pagar e com as opções que possuímos de alternativas ao filme em causa.

Billy Wilder disse: “an audience is never wrong. An individual member of it may be an imbecile, but a thousand imbeciles together in the dark – that is critical genius”. Reparem que Billy Wilder identifica duas coisas: a possível imbecilidade de todos os espectadores e o valor concreto que a resposta de todos eles possui. É claro que o Sr. Wilder estava a generalizar na medida em que ter um público inteiramente composto por imbecis é tão implausível quanto ter um público inteiramente composto por pessoas brilhantes. No entanto, a mensagem é clara: é o público quem tem a palavra final acerca da qualidade de um filme. E mais importante: é o público quem eterniza um filme (transformando-o num clássico inesquecível) ou remete-o para o esquecimento eterno e o eventual desaparecimento.

Sendo o público esta entidade orgânica (seguindo a ideia de Billy Wilder), este mesmo público também pode mudar de ideias. Aliás, todos nós conhecemos filmes (são menos comuns, porém existem) que fracassaram na altura dos respectivos lançamentos mas que logo na década seguinte vieram a reconquistar milhares (ou milhões) de espectadores. THE THING (1982) é um destes exemplos. Estreou duas semanas após o E.T.: THE EXTRA-TERRESTRIAL (1982) e sofreu terrivelmente pelo facto dos espectadores (imbecis? – LOL!) estarem tão fascinados com o alien amoroso, sábio e pacífico de Steven Spielberg que a proposta do John Carpenter pareceu-lhes ofensivamente má.

Ora, nenhum dos filmes possuía qualquer problema. A questão era que a proposta do Sr. Spielberg foi percepcionada como sendo tão brilhante, inovadora e bem conseguida que uma outra proposta que (em termos criativos) parecia totalmente contrária foi percepcionada como tendo uma qualidade também contrária (ou melhor dita, uma falta de qualidade). Em ambos os casos, o tempo encarregou-se de pôr cada obra no seu devido lugar, fazendo desta forma, com que o público reavaliasse as qualidades de ambas e a sua posição face às mesmas. Bem vistas as coisas, a Natureza irá decompor e destruir todos os filmes, pondo-os a todos em total pé de igualdade. No entanto, algumas obras estão melhor posicionadas para sobreviver ao tempo, graças ao carinho do público que reconhece nelas (e não noutras) qualidade.

Mas há algo que o Sr. Wilder não disse directamente: o público também é sempre sincero. Ou gosta ou não; ou compreende ou não (com todos os pontos intermédios possíveis). Dentro de vinte anos, poderão mudar de ideias. Mas isto é só dentro de vinte anos.

Qualidade e importância também são duas coisas distintas. Se a (percepcionada 🙂 ) qualidade de um filme parece torná-lo imediatamente importante, a importância em si também pode ser encontrada em obras que não tenham necessariamente qualidade. É aqui que entra, por exemplo, a reflexão sobre o cinema no seu todo ou sob um ponto de vista específico: histórico ou geográfico (ou outro). Há certamente uma grande quantidade de cinema sem grande qualidade. No entanto, outros elementos que não a qualidade marcam a importância destas obras – daí a necessidade de, por exemplo, preservá-las.

Mas voltando ao tema principal, 🙂 há dias estivemos num fórum norte-americano a discutir com internautas aquilo que eles valorizavam num bom filme de terror. As respostas foram muito variadas e alguns elementos identificados mereceram a nossa atenção. Alguns, por vezes, estão tão relacionados entre si que parecem confundir-se. Outros são completamente inesperados. Nenhum elemento recolheu a unanimidade, demonstrando desta forma a diversidade de gostos, preocupações e percepções.

1 – Originalidade.

Algumas pessoas falaram na questão da originalidade – aquela ideia de que existem conceitos e premissas que parecem novas, pouco comuns, diferentes ou simplesmente difíceis de encontrar noutros filmes. Não parece haver uma unanimidade face àquilo que se considera original, mostrando, num certo sentido, que não é possível extrair originalidade a partir de uma fórmula. A originalidade parece ser uma daquelas coisas que dependem realmente do génio ou do talento pessoal dos criadores do projecto. Esta originalidade pode não estar no projecto inteiro e pode ser gerida. Ou seja: pode-se partir do banal e progredir para algo original – o que nos leva a concluir que existem muitas formas de ser-se original. O desafio é sempre criativo.

2 – Atmosfera.

A maioria esmagadora das pessoas que mencionou este elemento teve dificuldades em defini-lo. No entanto, toda a gente parece ser capaz de resumi-lo e qualificá-lo quando vamos buscar exemplos: tensa, elegante, opressiva, ruidosa, seca, suja, enganadora, etc. Parece sempre haver uma atmosfera específica num dado filme (ou não?). A dificuldade em definir o que é a atmosfera tem a ver com o facto de para ela contribuírem todos os elementos do filme (imagem, som, direcção de arte, montagem, etc.). Neste sentido, toda a gente parece concordar em duas coisas: a atmosfera é uma construção (raramente obra do acaso) e funciona bem sobretudo quando imprime ao filme algo de único e original.

3 – Suspense, imprevisibilidade e antecipação.

A maioria das pessoas não compreende bem a natureza do suspense. Para muitas, o suspense é simplesmente definido como “we don’t know what’s gonna happen”, quando na verdade, este sentimento tem mais a ver o carácter não-previsível de uma determinada cena, sequência ou história. No entanto, a imprevisibilidade é também parte do suspense. Algumas pessoas, no entanto, sabem a diferença e introduzem um novo elemento: a antecipação. No suspense, sabemos que algo pode ou irá acontecer (porque sabemos mais do que o protagonista). Vemos as condições a formarem-se. No entanto, não conseguimos prever quando irá acontecer e passamos por minutos intermináveis de antecipação frustrada até o momento em que acontece – não exactamente onde esperávamos 🙂 . Tal como a atmosfera, o suspense também é algo que se constrói. E dá muito trabalho. Quando funciona, é igual a ouro.

4 – Uma boa história.

O que é uma boa história? Também ninguém parece saber definir. No entanto, este é um dos elementos mais citados. O problema é que uma boa história para uns pode não a ser para outros. Voltamos ao problema da percepção. No entanto, a tentativa de definição parece nos levar sempre para esta conclusão: uma boa história é a verificação de um conjunto de elementos que (juntos) criam valor: personagens, originalidade, atmosfera, suspense, etc. Aqui, a Arte parece copiar a Economia (juntar os elementos certos significa obter um valor superior à simples soma).

5 – Empatia.

Ninguém usou esta palavra. No entanto, várias pessoas tocaram o seu significado: “you care about the character” ou “you feel that same thing could happen to you” ou ainda “you feel you would go nuts if you were in his place”. A empatia é um processo de identificação entre espectador e protagonista onde o primeiro sente-se ligado ao segundo. Neste sentido, deixa de ser-nos irrelevante aquilo que acontece às personagens. Uma vez envolvidos, tornamos nosso o drama deles. Há várias formas de gerar este sentimento na medida em que ele é também uma construção. No fundo, a ideia parece ser simples: desenvolve as tuas personagens como tu gostarias de ser desenvolvido. 🙂

6 – Gore realístico.

Nem toda a gente aprecia o gore. Aliás, este parece ser o elemento mais controverso. Quem curte, adora! Quem acha-o desnecessário, lamenta o valor que alguns filmes lhe atribuem. ROSEMARY’S BABY (1968) e THE HAUNTING (1963) são dos poucos filmes de terror onde o grau de gore é quase nulo, sendo frequentemente citados como exemplos de que não são necessários baldes de gore para conseguir-se um grande filme de terror. E quando alguém diz “mas estes filmes são muito antigos”, podemos sempre ir buscar outros: THE OTHERS (2001), THE ORPHANAGE (2007) ou ainda THE SILENCE OF THE LAMBS (1991). Algumas pessoas defendem o gore, como sendo um elemento potencialmente espectacular. É verdade. No entanto, tudo é uma questão de necessidade: se sentimos a necessidade dele, então convém que o mesmo contribua de facto para o valor do projecto. Mas neste elemento (risos) volta-se sempre à questão da percepção pessoal de cada um. Dammit! 🙂 O realismo também é outro factor importante: não basta ser gore. Temos que acreditar nele.

7 – Coisas que podiam mesmo acontecer.

Este elemento mistura vários conceitos. Algumas pessoas valorizam filmes onde o horror parece ser muito possível (ligação clara com a realidade). Isto equivale a um improvável que é tornado possível. HOSTEL (2005) e THE LAST HOUSE ON THE LEFT (1972 e 2009) são bons exemplos. É improvável que aconteça… mas não é de todo impossível (basta a vontade de alguém ou uma ajuda do acaso). Outras pessoas valorizam o posto: o impossível tornado plausível. CHRISTINE (1983), POLTERGEIST (1982), CHILD’S PLAY (1988) e ainda FRIGHT NIGHT (1985 e 2011). Esta distinção tem a ver com dois ramos distintos (dentro do género) no que diz respeito à natureza da ameaça: natural ou sobrenatural. No entanto, o espectro é rico o suficiente para nos permitir estar em ambos os lados: THE SHINING (1980) e mais recentemente MARTYRS (2008) são bons exemplos. Já ALIEN (1979) vai mais além: ainda não é possível. Talvez, um dia 🙂 . O que é importante reter é que há inúmeras formas de combinar o possível, o impossível, o improvável e o plausível. A questão principal parece ser: “funciona?”. Aqui, a eficácia vale mais do que a eficiência.

8 – Bons actores.

Pouca gente referiu este elemento – mostrando que num certo sentido, os espectadores do género põem outras coisas mais alto, nas suas listas. Isto é estranho na medida em que a empatia parece ser um elemento popular. Será possível haver uma relação empática apesar de maus actores? Provavelmente a experiência não seria a mesma se puséssemos a Lindsay Lohan no lugar da Sigourney Weaver em ALIENS (1986). Pusemos a questão e todos concordaram. A questão é que alguns grandes filmes de terror oferecem coisas que parecem minimizar outros problemas (nos actores, por exemplo). No entanto, esta teoria não está provada. Em tempos, ouvimos alguém dizer que o terror é, de todos, o género que perdoa mais facilmente. Faz muito sentido (ver o elemento seguinte).

9 – The “fun” element.

Este elemento várias vezes citado parece trazer alguma luz à questão anterior. Ele ajuda-nos a explicar filmes como STARSHIP TROOPERS (1997), BRAINDEAD (1992), THE TOXIC AVENGER (1984) e as inúmeras sequelas do FRIDAY THE 13TH (1980), do HALLOWEEN (1978), do FINAL DESTINANTION (2000) e do SAW (2004). Os actores bem podem ser péssimos; a história bem pode ser repetitiva, mas nada parece impedir os espectadores de retirar destes filmes quantidades industriais de “fun”. E ainda bem! 🙂 Mas não nos enganemos: este elemento não é apenas desculpa para maus filmes. Pelo contrário, as grandes obras do género, todas, partilham este elemento. Por alguma razão será. 🙂

10 – Criaturas assustadoras.

Este foi outro elemento que dividiu as opiniões. Nem toda a gente sente a falta de criaturas assustadoras. No entanto, quase toda a gente valoriza uma ameaça de grandes proporções. As criaturas podem ser horríveis, mas tal não garante que elas sejam eficazes. Já o Norman Bates está longe de ser assustador (e resulta lindamente) – o que nos chama a atenção para o facto de que um grande Mal muitas vezes esconde-se por detrás de uma cara simpática. Outro traço significativo no género é o perigo desmesurado da ameaça e a (por vezes) total impossibilidade de qualquer resolução satisfatória. Veja-se os zombies: são assustadores, mortais, estão sempre em grande número e parecem ser impossíveis de erradicar. Por outras palavras, “we’re f*cked!” O interessante é que continuamos a gostar disto! 🙂

11 – Visão.

Algumas pessoas mencionaram este termo estranho, normalmente identificado com o valor que um bom realizador traz para um projecto. Esta visão pode assumir muitas formas concretas no interior de um filme – e os grandes realizadores conseguem torná-la clara utilizando inúmeras ferramentas. No entanto, parece haver algo de comum nestes filmes: eles são objectos inconfundíveis, únicos e acabam por influenciar inúmeros outros filmes. A visão acaba por ser aquele elemento distinto que um determinado realizador traz para a mesa – fazendo com que Sam Raimi e George A. Romero sejam tão diferentes entre si. E esta visão reflecte-se na forma como estes realizadores tratam as personagens, na gestão que fazem do ritmo, na sua relação com a violência… ou nos próprios monstros que criam (aqui, David Cronemberg e John Carpenter são bem diferentes). O interessante é que muitos realizadores, produtores e visionários, ao longo dos anos, têm dado ao género inúmeras vias possíveis que acabam sempre por ir desbravando novos territórios.

12 – Violência.

Nem toda a gente gosta da violência. No entanto, este elemento parece estar na cabeça da esmagadora maioria dos amantes do género. Mas a violência NUNCA deve ser confundida com o gore. REPULSION (1965) e DEAD CALM (1989) são dois filmes violentos, mas sem grandes doses de gore. Sometimes, it’s all in the head 🙂 . BLUE VELVET (1986) e BLOOD SIMPLE (1984) gerem muito bem a relação entre violência e gore (ao ponto de parecerem ter mais gore do que realmente têm). Mas é preciso admitir: este é um género violento. E quem não aguenta a violência (mesmo sem gore) deve procurar outro género. 🙂

13 – Things that make you jump.

Aaaahhhh… os sustos. Não são um elemento necessário. Mas são muito comuns e costumam ser uma das partes quase essenciais do “fun”. Mas toda a gente parece concordar que apenas os sustos não chegam para um grande filme. Mas temos que ser honestos:  por vezes, basta um susto bem dado para pôr um filme na História. Exemplo? CARRIE (1976).

14 – Hot girls/guys.

Isto explica também o facto do género ser tão popular entre os jovens. Para além disto há imensa literatura acerca da relação privilegiada entre o sexo e o cinema de terror. Oh, yeah! 😛

15 – Blood covered beauty.

Algumas pessoas levantaram a questão de que alguns filmes parecem atingir um certo grau de beleza mesmo no meio do grotesco mais extremo. Parece paradoxal. No entanto, este a é uma característica relativamente comum na Arte Moderna. A beleza não é necessariamente bela. No lado negro da força também encontramos poesia. Talvez a palavra mais acertada seja “afectação”, na medida em que um género subversivo como é o horror afecta muitos espectadores em modos e qualidades distintos. Mas se existe alguma beleza em Edgar Allan Poe (há imensa!), então certamente que ela também é possível no Leatherface, no Pinhead e no Alien. Cá está novamente a questão da percepção. A beleza está mesmo nos olhos de quem a vê – e ainda bem!

Não existe uma fórmula para um grande filme de terror. Aquilo que existe é a sensibilidade, o gosto e a capacidade dos realizadores e produtores em criar pontes para/com o público. Estas pontes comunicam coisas, ligam pessoas, permitindo desta forma o encontro feliz das percepções. 🙂 E é isto que são os bons filmes de terror: grandes pontes entre a Arte e o público. Suspeitamos que dentro de trezentos anos, quem quiser estudar o nosso tempo irá certamente olhar para o nosso cinema de terror.

A Bad Behavior tem uma nova cara.

March 20, 2012

O nosso blog chegou aos 150 mil visitantes. Agradecemos a todos aqueles que tivemos o prazer de receber nos nossos posts. Agradecemos aos nossos assinantes, às pessoas que nos enviam mails, que nos visitam no Facebook ou que simplesmente cá chegam por acaso e ficam a ler qualquer coisinha – gotcha! Os nossos leitores vêm, na maioria, de dois países: Portugal e Brasil.

Os nossos projectos seguem em velocidade de cruzeiro. E a pensar no futuro, procedemos a uma renovação da nossa imagem de marca. A Flag, nossa parceira, esteve connosco no processo de desenvolvimento que teve a assinatura da jovem designer Maria Adelaide Freitas. Adorámos o resultado que corresponde em cheio àquilo que somos, comunicamos e estamos a fazer.

Temos bilhetes de borla para a 3ª Mostra de Cinema Fantástico – Syfy Fest Portugal!

March 14, 2012

Neste ano de 2012, a Syfy Portugal traz-nos a 3ª Mostra de Cinema Fantástico – Syfy Fest a decorrer no Cinema S. Jorge de 16 a 18 de Março!  Os filmes em exibição são imperdíveis! MESMO!!

E a BAD BEHAVIOR irá oferecer CINCO bilhetes duplos, de borla para o filme DICTADO – uma cortesia toda especial dos nossos amigos do Canal Syfy Portugal. Podem dar um salto até a página da BAD BEHAVIOR no Facebook e dentro de 90 minutos, iremos ver quem ganha……… 🙂

Abaixo, poderão consultar os filmes que serão exibidos. Clique neste link para ver o Programa Syfy Fest 2012_Lisboa 🙂

1 – Hobo with a Shotgun.

Depois de vencer o concurso de trailers falsos em Grindhouse organizado por Robert Rodriguez, o canadiano Jason Eisener realiza este filme violento onde Hobo (Ruther Hauer), um vagabundo nómada, após uma grande viagem de comboio, vai ter a uma cidade sem lei chamada Hope Town. Ali, o mafioso local, Logan, transformou a cidade no seu campo de recreio particular, fazendo tudo à sua maneira. Hobo vai tentar manter-se à margem da espiral de violência e perversão que afeta a cidade, mas a sua bondade torna-se um fardo quando decide ajudar uma prostituta que tem problemas com um dos filhos de Logan. Hobo não tem outra alternativa a não ser fazer justiça por conta própria.

Distribuidora: TF1 / The Festival Agency.
Nacionalidade: Canadá.
Ano: 2011.
Realizador: Jason Eisener.
Guião: Jason Eisener, John Davies, Rob Cotterill.
Com Rutger Hauer, Pasha Ebrahimi, Robb Wells, Brian Downey, Gregory Smith, Nick Bateman, Drew O’Hara.

2 – Dictado (Childish Games).

A história começa quando Daniel e Laura (Juan Diego Botto e Bárbara Lennie), um jovem casal que acaba de sofrer um aborto, aceita acolher em sua casa a filha de uma amiga de infância que acaba de suicidar-se (Mágica Pérez). Daniel começa a sentir como ameaçadoras algumas das ações da menina, que despertam nele medos e sentimentos de um passado que tinha decidido enterrar.
“Dictado – afirma o realizador- é uma história negra sobre a infância e o peso que tem no mundo dos adultos”.

Distribuidora: Filmax.
Nacionalidade: Espanha.
Ano: 2012.
Realizador: António Chavarrias.
Guião: Antonio Chavarrias.
Com Juan Diego Botto, Barbara Lennie, Nora Nava, Mágica Pérez.

3 – Atrocious.

A 4 de abril de 2010 membros da família Quintanilla Atauri são encontrados mortos na sua casa de campo. A polícia descobre a existência de fitas de vídeo com 37 horas de duração. Naquele mesmo mês de abril, dois produtores viram a oportunidade de criar um filme a partir do material encontrado. Convenceram o pai das vítimas a ceder-lhes os direitos e acordaram a omissão de determinadas partes que poderiam manchar a memória da família. Atrocious mostra as imagens reais de tudo o que aconteceu. É um filme perturbadoramente real com um cenário absolutamente conhecido.

Nacionalidade: Espanha / México.
Ano: 2010.
Realizador: Fernando Barreda Luna.
Guião: Fernando Barreda Luna.
Com Cristina Valencia, Clara Moraleda, Chus Pereiro, Sergi Martin, Xavi Doz, José Masegosa.

4 – The Innkeepers.

Depois de décadas de atividade, um hotel no estado de Nova Inglaterra está prestes a fechar portas. Claire e Luke, os seus últimos funcionários, decidem ficar para provar que se trata do hotel mais assombrado do país. Filho pródigo de Sitges, Ti West volta aos festivais –anteriormente com The Roost ou The House of the Devil– onde os improvisados caça-fantasmas devem evitar ser caçados primeiro. Tem elementos de suspense, de humor e terror (em dose dupla). E digam-nos lá se este poster não é lindo? 🙂

Nacionalidade: EUA.
Ano: 2011.
Realizador: Ti West.
Guião: Ti West.
Com Sara Paxton, Pat Healy, Kelly McGillis, Lena Dunham, George Riddle.

5 – The Woman.

Uma mulher ferida e vulnerável, última sobrevivente de um clã que arrasou a Costa Nordeste durante décadas, é presa fácil para um caçador que a rapta com o objetivo de “civilizá-la”. Contudo, o caçador dedica-se a torturá-la de forma sistemática, sem desconfiar que está a colocar em perigo a sua vida e a da sua família. The Woman é o novo filme de Lucky McKee, o aclamado realizador de May.

Nacionalidade: EUA.
Ano: 2011.
Realizador: Lucky McKee.
Guião: Jack Ketchum, Lucky McKee.
Com Carlee Baker, Shana Barry, Marcia Bennett, Angela Bettis, Sean Bridgers, Lauren Ashley Carter.

6 – Hell.

Todos já passámos pelo incómodo de abrir a torneira e não sair uma gota de água. Peguemos nessa sensação e alarguemo-la a horas, dias, semanas, meses… Anos. Marie, o seu namorado Philip e a sua irmã Leonie são três sobreviventes num mundo seco, que decidem dirigir-se às montanhas esperando encontrar água. No caminho vão encontrar Tom, um mecânico tão hábil quanto taciturno, que vai criar desconfiança e tensão no seio do grupo. Roland Emmerich apadrinha este thriller pós-apocalíptico, cujas imagens anunciam a barbárie de uma sociedade que acredita unicamente na sobrevivência.

Distribuidora: Beta Film.
Nacionalidade: Alemanha, Suiça.
Ano: 2011.
Realizador: Tim Fehlbaum.
Guião: Tim Fehlbaum, Oliver Kahl, Thomas Woebke.
Com Hannah Herzsprung, Stipe Erceg, Michael Kranz, Angela Winkler, Lars Eidinger.

7 – Stake Land.

Numa América pós-apocalíptica onde uma misteriosa praga torna as pessoas em vampiros, um órfão (Connor Paolo) e um veterano caçador de vampiros (Nick Damici) dão início a uma viagem até ao norte, no Canadá, em busca de locais livres da doença e da loucura, procurando um clima frio que os mantenha afastados dos novos predadores.
“Um thriller de terror de orçamento reduzido altamente satisfatório” (Alissa Simon, Variety)
“Tem sangue, cabeça e coração, e não apenas no sentido literal que salpica o ecrã. É uma pequena grande obra do género, vibrante e hábil, e que vale a pena ver.” (Kim Newman, Empire)

Distribuidora: Versus Entertainment.
Nacionalidade: EUA.
Ano: 2010.
Realizador: Jim Mickle.
Guião: Nick Damici, Jim Mickle.
Com Connor Paolo, Nick Damici, Kelly McGillis, Danielle Harris.

8 – Lobos de Arga.

Em 1910, em Arga, uma pequena aldeia da Galiza, uma terrível maldição cai sobre a malvada marquesa de Mariño e seu filho, transformando-o em lobisomem no seu décimo aniversário. Cem anos depois, Tomás, um escritor falhado e último descendente masculino dos Mariño, regressa à localidade convencido de que vão homenageá-lo. Está enganado. Na
verdade, os vizinhos pensam sacrificá-lo para acabar com o reinado de terror do lobisomem. Se não for feito o sacrifício cairá sobre Arga uma maldição de consequência terríveis… e inesperadas.

Distribuidora: Vertice360.
Nacionalidade: Espanha.
Ano: 2012.
Diretor: Juan Martínez Moreno.
Guião: Juan Martínez Moreno.
ComCarlos Areces, Gorka Otxoa, Luis Zahera, Secun de la Rosa, Mabel Ribera.

Filme europeu da semana: “Dead Set”.

March 12, 2012

O filme que escolhemos para esta semana não é um filme. É, antes, uma mini-série britânica em cinco episódios, absolutamente brilhante, que se chama DEAD SET (2008). Lembrámo-nos desta série após uma noitada de filmes de zombies e pensámos: “why not?”

Trata-se da noite de expulsão de um dos concorrentes do célebre concurso BIG BROTHER. O programa está a ser transmitido em directo, quando uma infecção misteriosa (coff, coff…) transforma toda a gente em zombies. O estúdio passa a ser o local de um banho de sangue à semelhança do que acontece no resto do mundo. No meio de tudo isto, os únicos sobreviventes parecem ser os concorrentes do BIG BROTHER que, trancados no interior da casa, não fazem a mínima ideia do que aconteceu.

A série foi produzida pela Zeppotron – uma empresa do grupo Endemol, a produtora original do BIG BROTHER. Num certo sentido, isto demonstra o talento do criador Charlie Brooker (este foi o seu primeiro trabalho dentro do género) e a capacidade visionária da própria Endemol ao reconhecer o potencial de um projecto que usa uma das suas marcas mais caras (o BIG BROTHER) numa utilização totalmente inovadora e inesperada. Note-se ainda que esta mini-série surge anos antes do THE WALKING DEAD.

Apesar da série ter sido gravada de forma independente do BIG BROTHER, a cena inicial que decorre durante a emissão foi gravada no próprio estúdio do programa. A apresentadora original, Davina McCall, mostrou um enorme sentido de humor ao aceitar participar na série e ser transformada num excelente zombie.

Gostas de zombies? Cá está uma produção obrigatória!

Curta portuguesa: “Os Monstros Somos Nós”.

March 9, 2012

Escrevemos um post sobre esta curta na altura da sua estreia. Tratou-se de uma excelente iniciativa dos alunos da Escola Superior de Comunicação Social. OS MONSTROS SOMOS NÓS é uma curta-metragem realizada por Guilherme Trindade e Marco Daroeira. Encontrámos o filme disponível no Vimeo e não podíamos deixar de partilhar. Esperamos ver mais ideias e mais filmes destas pessoas. 🙂

The Walking Dead: a experiência interactiva síncrona com o episódio.

March 6, 2012

Os episódios da série THE WALKING DEAD estão a ser exibidos em paralelo com uma experiência muito interessante. O canal AMC anunciou que os espectadores que estiverem no website http://www.amcstorysync.com receberiam conteúdos síncronos com a emissão do episódio. Resolvemos comprovar e achámos a experiência fascinante. Se palavras como engajamento, envolvimento e imersão parecem fazer parte do marketing contemporâneo, então THE WALKING DEAD parece estar a fazer tudo certo. A iniciativa foi ainda complementada por posts no Facebook que em directo iam mostrando o feedback dos fãs (guilty, here!) da série. O episódio que foi exibido no Domingo, 4 de Março (que será exibido em Portugal hoje, Terça-feira, 6 de Março) irá deixar os espectadores de rastos! 🙂

Capturámos alguns screenshots do website na emissão de Domingo que oferecem uma experiência dedicada 100% aos fãs. Vamos aos exemplos.

Numa das cenas, Carl encontra um zombie preso na lama. O menino possui uma arma roubada e parece contemplar a criatura que parece inofensiva (presa na lama). Ao longo da cena, surge o pop-up no site:

Notem o relógio no canto superior direito que mostra os segundos a percorrer até o próximo pop-up. A pergunta é feita ao espectador que tenta adivinhar ou sugerir aquilo que irá acontecer. O resultado aparece automaticamente conforme o nosso voto. Outro exemplo é o pop-up que se segue.

Este foi um dos primeiros. Nesta cena, Daryl interroga brutalmente Randall que se encontra acorrentado no celeiro. A pergunta é clara: concordamos com esta metodologia seguida pela personagem? Hmm… SIIIIIIIMMMM!!!!! 🙂 Mais tarde, o grupo vota o destino de Randall. Novo pop-up que nos convida a votar:

Mas o mais interessante nisto tudo tem a ver com a forma como estes conteúdos servem para dar um olhar mais profundo nas personagens. Neste episódio, por exemplo, Carl está em enorme evidência na medida em que uma decisão mal avaliada terá um efeito devastador… que não iremos revelar! 🙂

Parece claro que a personagem Carl está a ficar insensível ao sofrimento e a tornar-se numa pessoa cruel – o oposto daquilo que Rick deseja para o filho. Os pop-ups síncronos chamam a nossa atenção para Carl várias vezes, culminando nesta cena onde Rick desiste de matar Randall ao perceber que o seu filho deseja ver a morte do prisioneiro:

Os espectadores são sensíveis às transformações na personagem e mostram o “dislike” quando o miúdo aproxima-se do pai e incita-o a matar Randall. E estes pop-ups são síncronos com a cena!

Os intervalos do episódio também prendem o espectador que terá que procurar por três palavras secretas no anúncio do próximo episódio (uma palavra para cada intervalo). Depois basta preencher e submeter. O prémio é uma viagem para conhecer o cast. Not bad! 🙂

A experiência do http://www.amcstorysync.com não se limita a fazer perguntas aos espectadores. Também fornece pontos de ligação com outros episódios passados. Num deles, somos remetidos para o episódio em que Rick e Hershel encontram zombies no pântano. Por que será? 🙂

Noutro, podemos ver imagens do próximo episódio.

…Mas sem qualquer sombra de dúvidas, ninguém está preparado para o desfecho deste episódio!

Aqui fica uma dica:

Agarrem nos vossos lenços, pois vai dar uma enorme vontade de chorar!

Filme europeu da semana: “Non Si Sevizia un Paperino”.

March 1, 2012

NON SI SEVIZIA UN PAPERINO (1972) é considerado por muitos fãs como sendo a obra-prima de Lucio Fulci. Esta ideia foi confirmada pelo realizador em algumas entrevistas, mostrando o seu carinho por esta sua obra. E o filme é impressionante a vários níveis. Numa aldeia do sul da Itália, um assassino anda a estrangular rapazinhos. Um culpado aparece, lançando a aldeia numa onda de fúria e irracionalidade tão violenta quanto bizarra. No meio disto, um jornalista suspeita que o verdadeiro assassino ainda não foi encontrado e as pistas começam a confirmá-lo. No entanto, toda a aldeia parece estar contra ele… e o facto dele ter como companheira de investigação uma mulher linda, com um enoooorme apetite sexual, não torna as coisas mais fáceis.

Este filme contém duas cenas bastante célebres no cinema italiano.  A primeira mostra uma cena de linchamento incrivelmente bem filmada e muito violenta onde o uso da música é particularmente expressivo. A segunda mostra a lindíssima Barbara Bouchet, em nus frontais (no less!), a seduzir um miúdo. É claro que o resultado foi um escândalo e subsequentes problemas com a Igreja Católica; e inúmeros espectadores a acusarem Fulci e o produtor Renato Jaboni de corrupção de menores.

O filme acabou sendo banido em vários países, nunca tendo sido estreado, por exemplo, na América.

Mas o tempo faz a justiça e hoje o filme pode ser visto e apreciado em todo o seu esplendor. E a Barbara Bouchet era realmente estonteante – e poucas vezes esteve tão bem quanto neste filme. Os distribuidores internacionais devem ter gasto horas a criar títulos malucos para este filme: “Angustia de Silencio” (Espanha), “La Longue Nuit de l’Exorcisme” (França), “Les Poupées de Sang” (Canadá), “O Estranho Segredo do Bosque dos Sonhos” (Brasil) e “Voodoo” (Grécia).

Agora digam lá se não estão curiosos! 😛


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